terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Magnificat: O perfeito cântico de louvor ao Senhor

            A Virgem Maria na Anunciação havia expressado a sua adesão aos planos divinos, com o Magnificat entoa o mais belo e perfeito cântico de louvor ao Pai pelos grandes feitos realizados Nela. A alegria da experiência pessoal com Deus é algo que Ela não pôde conter em si mesma, mas deveria ser partilhado com os demais.
“O Magnificat é a única oração e a única composição da Ss. Virgem Maria, ou antes, que Jesus compôs Nela, pois Ele falava pela sua boca. Este é o maior sacrifício de louvor que Deus recebeu na lei da graça. Por um lado, é o mais humilde e reconhecido, por outro, o mais sublime e elevado de todos os cânticos. Há nele mistérios tão grandes e escondidos que os anjos ignoram”. (TVD art. 255)
A sua dignidade em fazer-se pequena a elevou a prerrogativa de Perfeita Serva do Senhor, repleta de humildade se despoja de seu querer, esvaziando-se de si mesma e enche-se da graça divina, abrindo mão de seus interesses pessoais, abraça a vontade de Deus. Eis os passos dos verdadeiros discípulos de Cristo e de Maria Santíssima, ressoarem com as próprias vidas as palavras do Magnificat... “A minha alma engrandece o Senhor...”.
A exemplo da Rainha dos Anjos louvemos ao Senhor não somente com os lábios, mas com a alma, sejamos alegres neste serviço e busquemos imitar Nossa Senhora em todas as coisas... “No modo de falar e de viver, na caridade, na fé e na castidade” (cf. I Tim 4, 12-16). Tendo sempre em mente que o verdadeiro louvor brota do coração e que a busca pela santidade requer renúncia, oração e sacrifícios.
A devoção a Nossa Senhora longe de nos afastar do cerne de nossas vidas, Jesus Cristo, insere-nos neste mistério de modo perfeito, visto ser Maria Ss. a criatura perfeita saída das mãos do Altíssimo e que pode nos conduzir seguramente a Ele. Como verdadeiros filhos e devotos desta Mãe Admirável busquemos a maior glória do Senhor Nosso Deus, sendo-lhes agradáveis pela imitação das virtudes de Maria Ss.!
Entoemos aos quatro cantos do mundo as maravilhas operadas pelo Senhor na Ss. Virgem Maria, tomemos posse desta oração no combate as investidas do maligno e façamos de nossas vidas um sacrifício de louvor!


Referências:

AQUINO, Felipe Rinaldo Queiroz de. A Virgem Maria - 58 catequeses do Papa sobre Nossa Sennhora/ Papa João Paulo II. Lorena: Cleofás, 2006. 6ª ed.
MONTFORT, São Luís Maria Grignion de Montfort. Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem. Anapólis: Serviço de Animação Eucaristica Mariana, 2002.

ERLIN, Luís. Imitação de Maria: O segredo de sermos agraciados por Deus.São Paulo: Editora Ave-Maria, 2008. 




Mônica Mariana
Missionária DMD, graduanda do curso de Teologia.





Para citar este texto:
Mônica Mariana - "Magnificat: O perfeito cântico de louvor ao Senhor"
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus 

http://formacaodiscipulosdamaededeus.blogspot.com/2011/02/magnificat-o-perfeito-cantico-de-louvor.html
Online, 01/02/2011 às 23:35h

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Maria, Mãe da Igreja

por Mônica Mariana 
    
       A Virgem Maria que na Igreja “ocupa o lugar mais alto depois de Cristo e o mais perto de nós”.  (VI PAULO, 1963 apud Lumen Gentium, 2009, 21ª ed, p. 119) é verdadeiramente mãe de todos os membros da Igreja. São Luís Maria Grignion de Montfort no Tratado da Verdadeira Devoção, cap. 1, art. 30 nos diz que: “Nenhum membro do corpo místico de Cristo pode ter outra mãe senão Maria Santíssima, visto ser Ela a mãe da Cabeça da Igreja, Cristo”. Entende-se por uma questão lógica que na ordem da graça a cabeça e os membros são gerados por uma só mãe.
            A sua candura e intercessão de Mãe em todos os tempos socorre os homens em meio as suas necessidades, a devoção popular do povo de Deus reza que “nunca se ouviu dizer que aqueles que tenham recorrido a sua proteção tenham sido desamparados”. Como uma Boa Mãe conduz, orienta e zela pela Igreja de seu Filho, particularmente na santificação de seus membros, os quais voltando os olhos para a Senhora das Graças devem empenhar-se em imitá-la a fim de agradá-lo.
            Os apóstolos foram os primeiros a compreender a mister maternidade espiritual de Maria para com a Igreja. Depois da ascensão de Cristo buscavam refúgio, consolo e orientação na Mãe da Esperança, contemplavam Nela a figura do perfeito discípulo de Cristo, o qual movido unicamente pela fé despoja-se de seus interesses e direciona toda a sua vida ao querer divino.
            A sua dignidade de ser a Mãe de Deus a fez participante do mistério central de Cristo, na cruz Ele nos deu por herança a sua Santa Mãe, lhes concedendo a missão de nos elevar a Ele. Em Maria Santíssima a Igreja recebe uma feição materna, Ela fora a escolhida para gerar o Filho de Deus, enquanto a Igreja imitando a sua maternidade gera-O nas almas.
            Os cristãos movidos de uma terna e filial confiança na Mãe da Igreja devem dirigir-se a esta boa Mãe e suplicar-lhe a graça de “fazer tudo o que Ele nos disser”, buscando a exemplo Dela uma vida voltada para a sua maior glória e o firme propósito de servi-lo de todo o coração.
            Despojados de toda e qualquer presunção para com a figura materna de Maria que longe de obscurecer a grandeza de Cristo, exalta-a. Estejamos como os apóstolos “unidos a Ela na oração” (cf At 1,14), publicando os grandes feitos do Senhor e em intensa vigília pela nossa Santa Igreja!

Mãe da Igreja velai pelos teus filhos prediletos e conservai-nos sempre no amor de Cristo, amém!

Referências
CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II. Lumen Gentium: constituição dogmática sobre a Igreja. 21ª ed.  São Paulo: Paulinas, 2009.
CANTALAMESSA, Raniero. Maria, um espelho para a Igreja. Aparecida, São Paulo: Editora Santuário, 1992.
AQUINO, Felipe Rinaldo Queiroz de. A Virgem Maria - 58 catequeses do Papa sobre Nossa Sennhora/ Papa João Paulo II. Lorena: Cleofás, 2006. 6ª ed.
MONTFORT, São Luís Maria Grignion de Montfort. Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem. Anapólis: Serviço de Animação Eucaristica Mariana, 2002.








Mônica Mariana 
Missionária DMD, graduanda do curso de Teologia.





Para citar este texto:
Mônica Mariana - "Maria, Mãe da Igreja"
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus 

http://formacaodiscipulosdamaededeus.blogspot.com/2011/01/maria-mae-da-igreja_27.html
Online, 27/01/2011 às 23:56h

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A Virgem Maria no mistério de Cristo


          Deus quis realizar os seus maiores prodígios por meio de Maria Santíssima, desde a eternidade a escolheu para ser mãe de seu Filho, em vista de tal missão foi enriquecida de virtudes, graças e méritos que não podem ser medidos humanamente, pois o berço que o Salvador tomou carne é da autoria e posse do Altíssimo.
          A Virgem Maria recebe na Anunciação o verbo Divino no seu coração e em seu corpo por obra do Espírito Santo, seu corpo santo e imaculado não recebeu a corrupção do pecado em momento algum da gravidez do Salvador (cf. DOGMA IMACULADA CONCEIÇÃO). A graça de Deus na Senhora das Graças encontra por permissão divina uma fecundidade inextinguível, visto ser Ela o ser humano que mais se aproximou do divino e que de longe ultrapassa todas as criaturas. São Luís Maria Grignion de Montfort no Tratado da Verdadeira Devoção, cap. 1, art. 22 nos diz que: “Deus Pai não deu ao mundo o seu filho senão por Maria”.
           A graça do Pai irradiava a Cristo por meio da Virgem Maria, e Ele (Cristo) compreendendo a predileção do Pai para com a sua santa Mãe, dedica-lhe trinta anos de sua vida à sua escuta, observância e imitação. Não se quer dizer com isto que Jesus não possuía tal graça, do contrário Ele é Deus assim como o Pai é, e possui os dons, as graças e o poder na mesma proporção. A presença da Virgem Maria era tão preciosa aos olhos de Jesus, que Ele não hesitava em lhe devotar seu tempo, pois contemplava Nela à complacência do Pai e assim conserva-se até a eternidade, visto que "a graça aperfeiçoa a natureza e a glória aperfeiçoa a graça". (cf. TVD 27)
          Os evangelistas narram alguns poucos momentos da presença da Virgem Santíssima na vida pública de Jesus, mas estes curtos momentos atingiram o ápice do amor entre um filho e uma mãe, existia entre eles uma cumplicidade filial e um terno amor. O poder e a glória de Deus se derramavam sobre o místico Lar de Nazaré, e a obediência da Mãe e do Filho fazia brilhar a glória de Deus. A maternidade divina da Mãe do Verbo Encarnado foi o maior tesouro que Ela possuiu.           
          O próprio Cristo nos convida a uma intimidade com a sua Mãe Santíssima, é necessário aprender com Ela aquilo que lhe é agradável e conforme a vontade divina, para adentrar nos mistérios do seu Sagrado Coração e ser digno da pátria celeste. Aquele que se reveste do manto sagrado desta Boa Mãe e procura exalar o perfume de suas virtudes, certamente agradará a Jesus e terá a recompensa da vida eterna na Jerusalém Celeste.
           
Conhecer e imitar Nossa Senhora é desejar a santidade de forma plena!

Referências:
CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II. Lumen Gentium: constituição dogmática sobre a Igreja. 21ª ed. São Paulo: Paulinas, 2009. p. 117.
MONTFORT, São Luís Maria Grignion de Montfort. Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem. 31ª ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2002.







Mônica Mariana 
Missionária DMD, graduanda do curso de Teologia.





Para citar este texto:
Mônica Mariana - "A Virgem Maria no mistério de Cristo"
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus 

http://formacaodiscipulosdamaededeus.blogspot.com/2011/01/virgem-maria-no-misterio-de-cristo.html
Online, 12/01/2011 às 19:56h


DOGMA MARIANO IV: Assunção de Maria Sstma.

por Alexsandro de Maria

Último dos dogmas marianos discutidos e proclamados, o dogma da Assunção da Virgem Maria surgiu como uma forma de reconhecimento da recompensa que a Virgem Maria recebeu de Deus por toda a sua vida de humildade, sacrifício, dor e doação, com uma glorificação imediata da alma e do corpo, o qual foi transportado pelos anjos ao céu, para que não houvesse a corrupção do corpo. Somente Deus poderia remunerar com a devida glória os serviços prestados pela Mãe das Dores aos homens.
São Germano de Constantinopla, no século VII,  afirmava:  “Assim como um filho busca estar com a própria Mãe, e a Mãe anseia viver com o filho, assim foi justo também que Tu, que amavas com um coração materno a Teu Filho, Deus, voltasses a Ele.”. Assim, a Igreja, desde seus primórdios, reconhece a grandeza da Virgem Maria e o reconhecimento de Deus para que Este levasse aos céus as sua Mãe Fidelíssima. 
O Papa Pio XII, em 01 de novembro de 1950, na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, afirmou que, depois de terminar o curso terreno de sua vida, ela foi assunta de corpo e alma à glória celeste. Mais de 200 teólogos, em todas as partes da Igreja, demonstraram interesse e entusiasmo pela definição dogmática. A declaração se deu nos seguintes termos: “Pelo que, depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus onipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos s. Pedro e s. Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. Assim, a Igreja, atendendo os anseios do povo de Deus reconheceu a grandeza da Mãe de Deus.     
Anos após a proclamação do dogma, o Catecismo da Igreja Católica diz, acerca da Assunção: “Finalmente, a Imaculada Virgem, preservada imune de toda a mancha do pecado original, terminado o curso da vida terrestre foi assunta de corpo e alma à glória celeste. E, para que mais plenamente estivesse conforme a seu Filho,  Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte, foi exaltada pelo Senhor como Rainha do universo. A Assunção da Virgem Maria é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos”(CIC, 966). Assim, a Igreja confirma, por meio do Catecismo, que a Virgem Maria foi levada aos céus pelos anjos como forma de reconhecimento da parte de Deus de tão gloriosos méritos concedidos à Santíssima Virgem Maria e que não poderia a Mãe do Verbo Encarnado ter corrompido o seu corpo.
O Concílio do Vaticano II, por sua vez, explica que tendo a Virgem Mãe de Deus sido preservada do pecado original pelos méritos de seu Filho, não poderia permanecer como todos os homens até o julgamento final e ter seu corpo corrompido.”Para que mais plenamente estivesse conforme a seu Filho, Senhor dos Senhores,  e vencedor do pecado e da morte, foi exaltada pelo Senhor como Rainha do Universo”(Lumen Gentium, 59).É importante esclarecer duas situações. A primeira diz respeito à questão da morte ou da, segundo a idéia dos Católicos do Oriente, da dormição de Nossa Senhora, ou seja, se a Virgem Maria teria morrido ou dormido e levada pelos anjos. Quando da fixação do dogma, a Santa Igreja não emitiu nenhuma orientação acerca da morte ou dormição da Mãe do Redentor, não nos possibilitando, assim, de afirmar em qual situação se deu o fim da vida terrena de Nossa Senhora.  Outra questão se refere a diferença entre ascensão e assunção. Por ascensão se entende a subida de Jesus Cristo aos céus, para junto do Pai, por seus próprios méritos. Já a assunção é a subida da Virgem Maria aos céus levada pelos anjos, ou seja, a Virgem Maria não foi aos céus por méritos seus, mas por graça de Deus foi levada aos céus em corpo e alma pelos anjos de Deus.

Referências:
CATECISMO da Igreja Católica: Edição típica Vaticana. São Paulo: Loyola, 2000.
AQUINO, Felipe Rinaldo de Queiroz de. (org.). A Virgem Maria – 58 Catequeses do Papa sobre Nossa Senhora/ Papa João Paulo II. Lorena: Cléofas, 2006.
CARVALHO, César Augusto Saraiva de; CARVALHO, Mara Lúcia Figueirêdo Vieira de. Totus Tuus – Manual de Consagração a Jesus por Maria Santíssima (Método de São Luís Maria Grignion de Montfort)
Na escola de Maria 2 – Os Dogmas Marianos. Sociedade Mãe e Rainha. Santa Maria, 2009.






Alexsandro de Maria é membro aliança nível 3, casado e mora no Condomínio Mãe de Deus.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O Natal é essencialmente uma festa Eucarística

Por Pe. Júlio Maria de Lombaerde


Neste dia o povo cristão apresenta-se diante do presépio, onde é representada a cena inolvidável de Belém, experimenta nesta vista, até sem o querer, sentimentos de admiração e de ternura: é a lembrança do menino Deus, de Deus feito criancinha... deitado ali na pobreza mais completa, no mais total abandono.

Cada Tabernáculo é um novo presépio, onde nasce o Salvador, na mesma pobreza, envolto em paninhos e deitado numa manjedoura, onde Ele quer ser tomado pela comunhão.

Belém e o Tabernáculo
Se a luz da fé não nos iluminasse, quem seria capaz de reconhecer no menino de Belém o Criador do universo, Aquele que governa o mundo, preside os destinos da criação, o Senhor do paraíso?

No paraíso Ele está sentado num trono de glória e de grandeza suprema. Em Belém está reclinado no presépio humilde e de desprezo. No paraíso, resplandece de majestade. Em Belém está envolto em faixas infantis. No paraíso é infinitamente feliz na contemplação e no amor na sua essência. Em Belém está sujeito aos sofrimentos, derramando lágrimas entre rangidos de dor.

E quem obrigou o Deus infinito se abaixar do paraíso, nesse pobre presépio?

Foi o amor (Jo 3,16). É a única palavra que explica o presépio, calvário e o tabernáculo. Não procuremos outra explicação: tudo está aí! Deus amou tanto o homem, que se fez criança para acariciá-lo! Que se fez vítima para salvá-lo! Que se fez pão para ser alimento.

É o amor de Deus pelos homens que o tornou pobre, aniquilado, sujeito aos sofrimentos, para que sua pobreza enriquecesse a nossa vida - para que as humilhações nos merecessem a glória celeste, - para que os seus sofrimentos fossem a nossa felicidade.

É por isso que os anjos anunciam a paz, quando o Senhor do universo está reclinado num presépio de animais. A paz, de fato, não está na grandeza, na glória; mas sim na humildade... ela habita a choupana do pobre, e muitas vezes foge do palácio dos ricos.

Jesus nasceu na pobreza, morrerá na pobreza e continuará a sua vida eucarística na pobreza de nossos tabernáculos e na pobreza extrema de nossos corações. Notemos que há aqui uma sucessão, divinamente preparada... para evitar transições chocantes, que repugnariam a majestade divina e a nossa confiança em Deus.

O termo da encarnação é a Eucaristia, ou melhor, é o coração do homem que Jesus Cristo quer conquistar, e no qual quer fixar a sua morada. Ora, o coração do homem é tão estreito, tão mesquinho, tão pobre, tão manchado que se fica tomado de pavor estudando-lhe as aspirações e as tendências. É neste coração entretanto que Jesus quer morar.

Agora, meçam a distancia entre o esplendor da glória celeste... e o abismo frio do coração humano.

Deus não pode descer diretamente, é preciso que Ele deponha um por um, os raios da sua glória, até poder entrar neste coração.

É o que Ele fez para a encarnação. Despe-se do aparato de sua Divindade: E ei-lo sob as aparências de uma criancinha. Despe-se de sua glória: E ei-lo reclinado numa pobre manjedoura.

Mais tarde despir-se-á de sua dignidade, será pregado na cruz como malfeitor. Despir-se-á, enfim, até da aparência humana, velando-se pelas aparências de um pouco de pão.

Estas próprias aparências de pão, serão destruídas pela manducação, e Ele, o grande Deus, o grande Glorioso, espiritual, entrará diretamente em contato com nosso coração... sem intermediário: coração a coração.

Que maravilha admirável! Só Deus pode imaginar e realizar tais maravilhas: Belém e o tabernáculo.
Manjedoura CelesteAgora, compreendemos melhor a relação íntima que há entre Belém e o Tabernáculo; este último é o prolongamento da primeira.

Belém significa: casa de pão, foi ali que se preparou o pão vivo, o pão descido do céu, que está depositado na Eucaristia.

Jesus escolheu Belém para berço, porque devia permanecer na Eucaristia, como alimento de nossa vida.

Em Belém, Ele se mostrou pequeno; na Eucaristia ele se mostra aniquilado. Em Belém, Ele escondia a sua divindade; na Eucaristia Ele esconde divindade e humanidade. Em Belém eram pobres faixas que envolviam o seu corpo; na Eucaristia são as espécies de pão que nos encobrem os encantos de sua beleza. Em Belém, estava reclinado num miserável presépio; na Eucaristia está num Tabernáculo não menos pobre. Em Belém encontrará alívio de seus sofrimentos no amor de sua mãe, de seu pai adotivo, dos inocentes pastores, na Eucaristia recebe as afrontas e os desprezos de seus próprios irmãos.

Mas quem vos obrigou, ó grande Deus, a esconder-vos na Eucaristia?

É a mesma resposta: seu amor para conosco!

Desejava unir-se intimamente ao nosso coração, e para realizar este desejo, escondeu sob espécies de pão, a grandeza da sua divindade e a glória de sua humanidade.

Mas, examinemos de mais perto o Tabernáculo. Em Belém, Jesus podia ter tido um pequeno berço, uma rede, como usam os orientais; podia, sim, mas não convinha.

Belém é a casa do pão. O pão é um alimento; é preciso pois, depositá-lo num receptáculo de alimento: e este receptáculo é a manjedoura, na qual se costuma depositar milho, farelo, farinha... para alimentar os animais.

Jesus querendo ser alimento, devia ser depositado numa manjedoura.

A Eucaristia continua o seu estado. Ele é o nosso alimento. O Tabernáculo pelas suas dimensões estreitas, é a continuação e o prolongamento da manjedoura.

Ele está ali deitado sobre os alvos paninhos do altar, esperando a visita dos pastores e dos magos, dos pobres e dos ricos, por eles representados.

Em Belém, Jesus estava reclinado numa manjedoura terrestre, porque era Deus feito homem. Na Eucaristia, ele está reclinado numa manjedoura celeste, porque é Deus-homem feito pão celeste.

Pão celeste, pão do céu, pão dos anjos, pão divino reclinado na manjedoura celeste da Eucaristia, Ele aspira a descer no coração de seus filhos, como em Belém, ele aspirava a ser acalentado nos braços da virgem pura, de José, dos pastores e dos magos.
ConcluindoÓ presépio de Belém, lembrai-me o presépio da eucaristia.

Neste dia que festejamos Deus feito homem, lembremo-nos do Deus homem feito pão.

Não se limite a nossa vista à parte exterior, material, deste dia abençoado, mas penetremos nos desígnios de Deus, e depois de ter adorado o grande Deus, feito criança... aproximemo-nos da mesa sagrada, para aí receber a criança feita pão para nossas vidas.

É o mesmo Jesus! Ele começou a sua carreira no presépio de Belém... mas quer terminá-la no presépio de nosso coração.

Em Belém, Ele veio para amar; na Eucaristia Ele está para alimentar. Em Belém, Ele veio trazer-nos o seu amor; na Eucaristia, Ele vem receber o nosso amor.

Cantemos pois, alegres, com a Igreja: Quem não amará em retribuição aquele que tanto nos amou? Quem não receberá aquele que se faz alimento?

Quem não irá haurir a vida no coração daquele que vem trazer a vida e a felicidade?

Jesus do presépio, sede também o Jesus no nosso coração!




Fonte: Mistagogia Eucarística do Pe. Júlio Maria De Lombaerde - Ed. O Lutador.







Jorge Bahia Cezar Filho, Discípulo da Mãe de Deus - Salvador/BA