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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Maria, Corredentora



Stabat Mater dolorosa, iuxta crucem lacrimosa, dum pendebat Filius”...
 (Fragmento da sequencia cantada na memória de Nossa Senhora das Dores).

Se por breve instante fechássemos os nossos olhos e nos transportássemos àquela véspera da páscoa dos judeus, encontraríamos a Mãe dolorosa que estava junto a Cruz lacrimosa, vendo o filho que pendia, sofria e entregava-se todo a Deus Pai, para a nossa reconquista do estado perdido pelos primeiros pais no jardim de Éden. Sim, meus caríssimos amigos, junto ao nosso Salvador e Redentor, estava de pé sua Mãe e nossa, que com ele o único Salvador, tornava-se por participação nos infinitos dons de Deus nossa Corredentora.
Este sagrado título dado a Mãe de Deus é muito querido por todos os cristãos e em nada denigre ou obscurece o entendimento real dos fiéis acerca da única mediação e salvação que nos foi dada por Cristo através de sua paixão, morte e ressurreição; pelo contrário, faz-nos ainda mais entendermos como o amor de Deus foi inenarrável por todos nós, pois, quis incluir uma criatura humana, a Virgem Santíssima, no seu desígnio salutar de salvação de todo o gênero humano.
Confirma-nos este querer divino a própria Sagrada Escritura e, bem como, a Sagrada Tradição defendida com forte ortodoxia pelos Padres e seus posteriores. Desde muito cedo, já no Proto-Evangelho do Gênesis foi prometido que a Mulher e seu Descendente vencerão o mal, em contraposição ao pecado de desobediência cometido por Eva. Mais adiante, em outros livros do vetusto Testamento encontramos figuras de mulheres fortes como Agar, Resfa, Raquel e com o mesmo valor que as demais lembremo-nos a mãe dos macabeus que, encorajando seus filhos ao martírio e sabendo que também iria morrer foi persistente, firme e sem medo, figura perfeita daquela que sofreria de pé junto ao seu Filho que morreria mártir pelos nossos pecados. 
Podemos ainda observar as mulheres que possuem virtudes heróicas tais como: Débora, Judith, Ester e Rebeca que nos lembram a Senhora do mundo nos seus gestos de salvação para aqueles que dela precisam, por intermédio de suas preces e virtudes. E, porque não lembramos também das figuras inanimadas como a arca de Noé, a rocha ferida por Moisés no deserto, a coluna de nuvens e entre outras que representam a sua excelsa, mas dolorosíssima missão de Corredentora de todo o gênero humano.
Já no Novo Testamento, não vemos mais prefigurações, mas a própria economia da salvação plenamente realizada por todos os gestos de Nosso Senhor Jesus Cristo e sempre presente em sua missão divina a sua bondosa Mãe, auxílio de todos os que crêem em seu Filho. De forma direta a Virgem de Nazaré colabora com o cumprimento dos desígnios divinos ao consentir que em seu seio puríssimo venha habitar aquele que todo o universo não pode conter.
Ainda podemos nos recordar que no momento do calvário também ela, a Mãe do crucificado, dividiu com ele suas dores e da mesma forma do Pai que oferece seu Filho em resgate pelo gênero humano, Maria Santíssima consente silenciosamente que seu filho leve a termo a reentronização da humanidade perdida na vida divina. Poderíamos, contudo, perguntar: para que fim, esta presença de Mãe tão terna e pura naquele ambiente tão inóspito do calvário? “Só uma explicação é possível: aí estava, levada pelo sentimento do dever; estava porque bem sabia que devia desempenhar ali uma parte importantíssima, da qual não se podia prescindir; estava nesse lugar porque bem sabia que cabia também a ela oferecer em sacrifício o novo Isaac pela salvação do gênero humano, renunciando generosamente – como já havia feito no dia da Anunciação – aos direitos maternos que tinha sobre aquela Vítima Divina” [1].   
Depois do exposto, recorramos ainda ao que advoga a Tradição através dos Padres a respeito deste augusto título conferido ao Refúgio seguro de todos os pecadores e Porta do Céu. Partindo do paralelismo feito pelo glorioso Apóstolo São Paulo entre Adão e Cristo (novo Adão), cedo os Padres trataram de recordar-nos e completar-nos que para a Eva pecadora vislumbrou-se a Maria, tota puchra et sine labe originali concepta.
É extremamente necessário que tomemos conhecimento do texto e logo concluamos o raciocínio juntamente com o pensamento dos Padres. Diz o Apóstolo das gentes em sua primeira carta aos Coríntios capítulo 15, 22: “Da mesma maneira que todos os homens morrem em Adão, todos receberão a vida em Jesus Cristo.” Percebamos então meus amigos o que São Paulo está afirmando: Da mesma maneira... logo no conselho divino, a semelhança entre prevaricação e redenção abraça também as circunstâncias de uma e de outra, e especialmente aquela que é principalíssima entre todas, isto é, que Maria seja na redenção o que Eva foi na prevaricação. Desta forma advogam então os Santos Padres: como na prevaricação Adão e Eva formaram um grupo inseparável e, feitos vítimas da serpente infernal, foram a causa de nossa ruína, do mesmo modo na reparação Jesus e Maria formaram um grupo inseparável e, exercendo a vingança sobre a serpente infernal, se tornaram a causa de nossa salvação.
Sobre esta afirmação, temos o testemunho de São Justino Mártir (103-165) que afirma que o princípio e o fim da desobediência deviam assemelhar-se e conclui que, como a desobediência não teve princípio sem o concurso da mulher – Eva, virgem – também não teve fim sem a cooperação da mulher, Maria Virgem.
Tertuliano (160-240) acerca deste tema diz que, Deus nos remiu com um plano e uma operação rivais. A culpa incorrida por Eva ao crer (na serpente) foi cancelada por Maria ao crer (no Arcanjo).
Mais recentemente podemos ainda citar o parecer do Pe Bartolomé de los Ríos. O.S.A, um respeitável e célebre teólogo do século XVII, que afirma: “Ainda que não fossemos servos da Virgem Maria por ser a Mãe de Deus, o seriamos pelo fato de ela nos ter resgatado da servidão ao demônio. O preço que devia pagar-se por nosso resgate,  mais precioso que o ouro e a prata, quer dizer, o Corpo e o Sangue de Cristo, ela o forneceu. Por isso podemos chamá-la Corredentora do mundo. Cristo a quis associar a sua obra redentora, não por necessidade, mas por pura condescendência de sua infinita misericórdia”.
E reafirma: “Ao consentimento de Maria [na Encarnação] submeteu Deus a sentença de nossa Redenção. Porém, é preciso acrescentar que Maria deu seu consentimento em nome de todo o gênero humano, e se estende a Encarnação redentora enquanto tal, por isso a podemos chamar: causa da nossa Redenção e Corredentora do gênero humano”[2].
Para completar esta pequena alegação da Corredentora Mãe de Deus e nossa, quero ainda trazer ao nosso conhecimento o que pensam alguns Sumos Pontífices sobre o tema:
Pio IX: “Em conseqüência disto [da inimizade existente entre Maria sempre Virgem e a serpente infernal], assim como Cristo, Mediador entre Deus e os homens, assumindo a natureza humana destruiu o decreto de condenação que havia contra nós, cravando-o triunfalmente na cruz, assim também a santíssima Virgem, unida com ele por um liame estreitíssimo e indissolúvel, foi, conjuntamente com ele e por meio dele, a eterna inimiga da venenosa serpente, e esmagou-lhe a cabeça com seu pé virginal”[3].
Leão XIII: “A Virgem Imaculada, escolhida para ser Mãe de Deus, e por isto mesmo feita Corredentora do gênero humano, goza junto a seu Filho de um poder e de uma graça tão grande, que nenhuma criatura, nem humana nem angélica, jamais pôde nem jamais poderá atingir uma maior”[4].
Pio X: “Em conseqüência da comunhão de sentimentos e de dores entre Maria e Jesus, a Virgem fez jus ao mérito de se tornar legitimamente a reparadora da humanidade decaída e, portanto, dispensadora de todos os tesouros que Jesus nos adquiriu por sua morte e por seu sangue”[5].
Concílio Vaticano II: “[Maria] concebeu, gerou, nutriu a Cristo, apresentou-o ao Pai no templo, compadeceu com seu Filho que morria na cruz. Assim, de modo inteiramente singular, pela obediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas. Por tal motivo ela se tornou para nós Mãe na ordem da graça”[6].
Pois bem caríssimos amigos, chegados que somos ao término desta brevíssima reflexão a respeito deste glorioso título da Mãe de Deus, quis demonstrar-vos segundo a Sagrada Escritura, Tradição e Magistério o que pensam todos acerca da ideia de Maria Santíssima como Corredentora.
Bem sabemos que muito se pensa e se pede para que esta verdade se torne dogma de fé, todavia sendo ou não proclamado este dogma mariano temos consciência, como autênticos cristãos e filhos da santa Igreja Católica, que ainda assim não diria e não se louvaria bastante as virtudes e méritos com os quais ornou a esta sua filha, Mãe, esposa e templo, a santíssima Trindade.
Como dizem os santos de Maria nunquam satis, de fato meus amigos, da Virgem Mãe de Deus, concebida sem pecado e Corredentora do gênero humano, nunca se dirá o suficiente, porque a bondade, o amor e a misericórdia divina derramadas sobre ela em vista de toda humanidade foi sem limites.
Por isso ao Deus Uno e Trino, Senhor do Tempo e da História, Autor de nossa Salvação, todo louvor, toda honra e toda glória por nos ter dado a conhecer seu Mistério abscôndito desde sempre através Encarnação do Verbo Divino no seio puríssimo da humilde serva do Senhor.

Corredemptrix generi humanis, ora pro nobis!

Em Jesus por Maria!





Seminarista Robson Paulo

Aluno do 3º ano de Teologia do Seminário Arquidiocesano de São Pedro, Consagrado a Maria Santíssima.






[1] ROSCHINI, Gabriel. Instruções Marianas. São Paulo: Paulinas, 1960. P. 86-89.
[2]  BARTOLOMÉ DE LOS RÍOS. De Hierarchia Mariana, p. 61; 67.
[3]  PIO IX. Ineffabilis Deus: Bula, 8 dez. 1854.
[4] LEÃO XIII. Supremi Apostolatus: Epistola, 1 set. 1883.
[5] PIO X. Ad Diem Illum Laetissimum: Enciclica, 2 fev. 1904.
[6] CONCÍLIO VATICANO II. Lumen gentium: Constituição Dogmática.

domingo, 19 de maio de 2013

Maio, mês de Maria




            Já no início da Idade Média, durante o mês de maio, a Igreja começou a venerar Nossa Senhora e passou a homenagear Aquela que é estrela de nossas noites e travessias. E por que a Igreja dedicou à Virgem Mãe de Deus o quinto mês do ano? A Ladainha de Nossa Senhora contém várias invocações que ajudam a compreender esta devoção. Ali invocamos a Mãe de Cristo com alguns títulos importantes: Rosa Mística e Estrela Matutina. A estrela da manhã é o sol, o dia, a aurora. Do Céu, Maria é a luz que brilha e ilumina nossos caminhos. Nas horas do Ofício Divino, diversas vezes saudamos Maria como Aurora de nossas vidas.
No hemisfério norte, maio situa-se em plena primavera, estação das flores, da beleza e da graça. No entanto, vale conhecer as origens desse mês para que se possa compreender melhor a simbologia religiosa. A incursão pela mitologia ajudar-nos-á a reconhecer outras razões da consagração do mês de maio a Nossa Senhora.
Segundo alguns pesquisadores, o calendário romano reformado por Júlio César em 45 A.C. (modificado posteriormente pelo Papa Gregório XIII, daí o nome de calendário gregoriano), dedicava o quinto mês do ano ao deus Apolo (irmão gêmeo de Ártemis), o qual recebeu de Hipérion o sol, a lua e a aurora. São famosos os versos de Byron que lhe são dedicados: deus da vida, da luz e da poesia, o sol em forma humana apresentado. A lenda conta ainda que Apolo matou uma grande serpente, chamada Píton, que atemorizava o povo. Consoante outros estudiosos, o mês de maio era dedicado à deusa Maia, mãe de Hermes, da qual se originaria a palavra maio. De acordo com relatos mitológicos, Maia era a deusa dos campos e das flores.
A Igreja, desde as suas origens, em sua sabedoria milenar, parte de símbolos e da cultura dos povos para revelar sua mensagem. Já o apóstolo Paulo, no Areópago de Atenas, referindo-se ao altar consagrado Ao deus desconhecido, assim se expressou: aquele a quem venerais sem conhecer, é esse que vos anuncio (At 17, 23). Maria é a rosa por excelência, a flor mais bela e mais pura. É a nova Eva, vencedora do pecado e do demônio simbolizados pela serpente.
Convém lembrar que a iconografia católica representa a Virgem Maria (Nossa Senhora da Conceição) pisando a cabeça da serpente. Foi Ela quem gerou a luz, o dia, o sol da justiça, que é Cristo. Desta forma, o contexto e o pretexto lendário serviram para revelar virtudes de Nossa Senhora. Atribuiu-se, assim, novo sentido às comemorações de maio, que no catolicismo passa a ser dedicado à Mãe de Deus.


O MÊS DE MAIO E A DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA
Desde a Antiguidade, ou seja, bem antes do nascimento de Jesus Cristo, o mês de maio era ligado a um personagem feminino. Seu nome deriva de uma homenagem a Maia, deusa da mitologia greco-romana. Esta, segundo os estudiosos, era a mais jovem das sete Plêiades, filhas do gigante Atlas com Afrodite. Mãe de Hermes, o mensageiro dos deuses, Maia era a deusa do renascimento e, portanto, associada à primavera, que, no hemisfério norte, atinge o seu esplendor no mês de maio.
Mas, antes de existir um mês chamado maio, no calendário organizado por Rômulo, quando da fundação da cidade de Roma (753 A.C), já havia uma ligação dessa época do ano com um arquétipo feminino. Vejamos: a constelação que mais se destaca nas noites de maio é justamente a de Virgem, com sua brilhante estrela Spica. Esta constelação foi assim denominada, em alusão às atividades de jardinagem, tarefa de responsabilidade das mulheres. Assim, durante o mês de maio, o céu passou a ser associado à figura feminina.
Vale salientar ainda, que a constelação de Virgem já foi conhecida como Anna, a deusa do céu e esposa do deus sumério Anu. É bom lembrar, também, que outrora esteve associada a Deméter, deusa romana da Agricultura e a Eva, esposa de Adão, a mãe dos viventes, segundo o relato do Livro do Gênesis.
Com o advento do cristianismo e sua mensagem, uma nova e grandiosa figura feminina destacou-se: Maria, a Virgem Santíssima. E assim, a veneração a Nossa Senhora veio preencher uma lacuna existente no catolicismo, religião esta, até então, exclusivamente patriarcal.
De acordo com a tradição católica, o fato de Maria Santíssima ser filha de Ana, ou Anna – que já era ligada à constelação de Virgem – contribuiu ainda mais para que se promovesse tal associação. Cabe ressaltar igualmente que, segundo a teologia católica, Maria é chamada de nova Eva, o que veio reforçar esta analogia. 
E como Maria Santíssima é venerada pelos católicos como a Rainha dos Céus, seu manto é representado pela cor azul do firmamento, simbolizando o céu. Nessa interpretação, Maria, Mãe de Jesus, é a Rainha dos Céus, daí Ave, Regina Coelorum (Salve, Ó Rainha dos céus), uma das antífonas rezadas ou cantadas, durante o ano litúrgico, como conclusão das Completas na Liturgia das Horas. Na Ladainha de Nossa Senhora (também chamada Ladainha Lauretana) há uma invocação, denominando-a Porta do Céu (Ianua Coeli).  







Pe. João Medeiros Filho

Sacerdote da Arquidiocese de Natal, imortal da Academia de Letras do RN.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Mãe: Deus quis ter colo





Durante todo o mês de maio, a Igreja Católica homenageia Maria Santíssima. E no segundo domingo, festejamos nossas mães terrenas. Na primavera europeia, especialmente em maio, mês em que as rosas desabrocham e florescem, quis a Igreja comemorar a beleza da vida daquela que é a Rosa Mística”, como recitamos na Ladainha de Nossa Senhora. É justo e merecido esse preito de gratidão à Virgem e a todas as mães da terra.
Nesse dia, desejamos celebrar a ternura, o carinho, a compreensão, o desvelo e a dedicação ilimitados, em suma, o incondicional amor materno. E nada melhor para simbolizar e resumir todos esses sentimentos humanos do que a figura de nossa mãe. Participante do mistério de Deus, representante do Divino entre os homens, ela encarna a bondade e lembra a vida sobrenatural e nosso destino de criaturas, filhas do Eterno e Absoluto.
  O próprio Cristo, tendo dispensado tantas realidades e bens terrenos, não se privou do colo materno e do sorriso meigo daquela que Ele nos legou para ser também a nossa Mãe. “Eis a Tua Mãe” (Jo 19,27), dissera Jesus num gesto de doação, antes de sacrificar sua vida para nos redimir. O Filho de Deus, melhor do que nós, sabia que o coração de uma mãe pode expressar a misericórdia divina para conosco. Assim, o saudoso João Paulo I, numa feliz expressão, afirmara diante da multidão, na Praça de São Pedro: “Deus é Mãe”. E Leonardo Boff também afirmou: Maria Santíssima é o Rosto Materno de Deus”.
  É esse lado divino de nossas mães, que desejamos proclamar no segundo domingo de maio. É a tradução do amor de Deus num olhar humano, que neste dia celebramos, ao homenageá-las. A grandeza do Criador não poderia deixar de ser acessível a todas as criaturas. Sua inefável bondade, sua infinita capacidade de amar e perdoar não poderiam ficar sem uma representação terrena, à disposição de todos os homens: simples, cultos, importantes, humildes, doentes, saudáveis, grandes e pequenos. Deus quis nos deixar um sacramento universal de seu afeto e sua ternura. Por isso, Ele concretizou o seu plano de amor no coração das mães.
Por conseguinte, a celebração deste domingo de maio, entre todos os dias do ano que devem ser dedicados às mães, é o memorial da sublimidade da vida, lembrança da suprema beleza eterna, que “Deus Mãe reserva para todos os seus filhos. Mas, era preciso existir um dia no calendário, em que se pudesse externar a consciência explícita do nosso reconhecimento por um ser, que participa do mistério da bondade de Deus.
As mitologias greco-romanas e orientais apresentam deusas-mães. O cristianismo, além de nos revelar “o Rosto Materno de Deus, dá-nos duas mães: a temporal e a eterna a fim de nos acompanhar em todas as dimensões de nossas vidas. Mãe é Amor. E Deus também, descreve São João, na sua Primeira Carta (1Jo 4, 8).
Hoje e sempre, peçamos a Maria Santíssima que cubra com o seu manto sagrado todas as mães e as abençoe, pois, como Mãe Divina, conhece melhor do que nós os seus corações, imagem de Deus, ternura incomensurável e misericórdia sem limites, na face da terra.









 Pe. João Medeiros Filho, indigno escravo de amor
Consultor Acadêmico da Faculdade Dom Heitor Sales



Para citar esse artigo:
Pe. João Medeiros Filho - "Mãe: Deus quis ter colo"
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus 

http://formacaodiscipulosdamaededeus.blogspot.com/2013/05/mae-deus-quis-ter-colo.html



quarta-feira, 24 de abril de 2013

A Virgindade Divina de Maria



Is 7, 14: “Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará ‘Deus Conosco’.”



INÍCIO DE DISCUSSÃO


                A Rede Record de Televisão afirma que Jesus teve 4 irmãos carnais, baseada nas seguintes passagens:

§  Mt 13, 55 – “Não é esse o filho do carpinteiro? Não é Maria sua mãe? Não são seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?”

§  Mc 6, 3 – “Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão?”

                Observando isoladamente, nessas passagens pode existir uma fácil dedução de que a afirmação da emissora de tv é convincente e verdadeira.
                Mas tenhamos cuidado, pois não é, de fato, fácil e simples fazer a leitura da Bíblia, compreendendo seus verdadeiros sentidos. O primeiro deles o sentido da FÉ, depois os demais que são o da história, o da revelação, o da relatividade das palavras e o do bom senso.
                Com isso, voltemos às passagens citadas tomando o cuidado de ler a verdadeira situação passada pelos Evangelhos segundo São Mateus e segundo São Marcos.

§  Mt 13, 53-58 – Jesus ensina em Nazaré

                Percebamos que além dos irmãos Tiago, José, Simão e Judas, a passagem também fala de irmãs.
                Então, por que essas irmãs não foram questionadas como irmãs carnais/consangüíneas de Jesus pela emissora de tv?

§  Mc 6, 1-6 – Jesus de Nazaré

                Mc 6, 1 – “Depois, ele partiu dali e foi a sua pátria, seguido de seus discípulos.”
                Entre os discípulos que acompanham Jesus a Nazaré estão Tiago, José, Simão e Judas.

                Percebam que essas passagens nos contam a Boa Nova da vinda do filho de Deus entre os homens, que veio para nos tornar “filhos de Deus”, ou seja, para nos tornar irmãos. Portanto, os Evangelhos têm o significado importantíssimo de nos alimentar a fé e de comunicá-la.
               


TIAGO, JOSÉ, SIMÃO E JUDAS
não se tratam de irmãos carnais de Jesus, nascidos dos mesmos pais.
               

                São Mateus em 27, 56 menciona entre as mulheres presente à crucificação de Cristo, Maria, mãe de Tiago e José, esposa de Cléofas e irmã de Maria, a mãe de Jesus, conforme Jo 19, 25. O casal também tinha outro filho de nome Judas, que em sua epístola (Jd 1, 1) se diz irmão de Tiago, que só pode ser esse, filho de Maria e Cléofas, pois o outro Tiago citado na Bíblia era irmão de São João Evangelista, filho de Zebedeu.
                Resta Simão, que em Mt 4, 18-20 é citado assim: “Caminhando ao longo do mar da Galiléia, viu dois irmãos: Simão (chamado Pedro) e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. E disse-lhes: ‘Vinde após mim e vos fareis pescadores de homens’. Na mesma hora, abandonaram suas redes e o seguiam.”.
                Nessa mesma região da Galiléia, Cléofas também era pescador, por isso, segundo o historiador Egesipo, Simão e André provavelmente também são seus filhos.

                Em resumo temos o seguinte quadro comparativo:

JESUS
TIAGO
JOSÉ
SIMÃO
JUDAS
TIAGO
JUDAS
FILHO DE
X






Maria, esposa de José

X
X
X



Maria, esposa de Cléofas e irmã de Maria, mãe de Jesus




X
X

Maria, esposa de Zebedeu






X
Simão Iscariótes


JESUS – Filho da Virgem Maria, esposa de José

                Lc 1, 30-31 – “O anjo disse-lhe: ‘Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus (...)”

TIAGO, JOSÉ E SIMÃO – Filhos de Maria, esposa de Cléofas e primos de Jesus

                Mt 27, 56 – “Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.”
                Jo 19, 25 – “Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe,  a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cleófas, e Maria Madalena.”
                Mt 4, 18 – “Caminhando ao longo do mar da Galiléia, viu dois irmãos: Simão (chamado Pedro) e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores.”

TIAGO E JUDAS – Filhos de Maria e Zebedeu

                Mt 4, 21 – “Passando adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão, João que estavam com seu pai Zebedeu consertando redes. Chamou-os.”
                Jd 1, 1 – “Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos eleitos bem-amados em Deus Pai e reservados para Jesus Cristo.”

JUDAS – O traidor que vendeu Jesus, filho de Simão Iscariotes

                Jo 13, 2 – “Durante a ceia – quando o demônio já tinha lançado no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de traí-lo”



REFLEXÃO


§  Quem são os irmãos e irmãs citados nas passagens que acabamos de ler?

                Mt 12, 46-50 – A mãe e os “irmãos” de Jesus
                Em Mt 12, 49-50, fica claro quem são os verdadeiros irmãos de Jesus: “E, apontando com a mão para os seus discípulos, acrescentou: ‘Eis aqui minha mãe e os meus irmãos. Todo aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.’”.


§  Que valores, então, podemos compreender na palavra IRMÃO?

                Na época em que foram escritos e documentados os livros da Bíblia, à palavra irmão reservava-se seis sentidos:

-         Aos nascidos dos mesmos pais
                Esse sentido remete aos irmãos carnais, que nasceram de um mesmo pai e de uma mesma mãe. Ou apenas de um mesmo pai. Ou apenas de uma mesma mãe.
               
-         Aos parentes
                A palavra primo não existe em hebraico nem em aramaico, línguas origem das Sagradas Escrituras. A essa palavra, usava-se irmão.
                No Antigo Testamento, no livro dos Gêneses, podemos encontrar alguns outros exemplos d a palavra irmão usada com os parentes na história dos três grandes patriarcas do povo de Deus (que vem de uma só descendência).

-         Aos pertencentes a uma mesma tribo
                No segundo livro de Samuel vemos claramente, através da história do reinado de Davi, a organização da tribo de Judá e das 12 tribos de Jerusalém.
                II Sm 2, 27-28 – “Joab respondeu: –  ‘Pela vida de Deus! Se nada tivesses dito, esses homens não teriam cessado de perseguir seus irmãos antes de amanhã.’ Joab tocou a trombeta; a tropa cessou de perseguir os israelitas, e o combate terminou”.

-         Aos que pertencem ao mesmo povo
                Temos o exemplo de Moisés e seu povo, os hebreus.
                Ex 2, 11 – “Moisés cresceu. Um dia em que saíra por acaso para ir ter com seus irmãos, foi testemunha de seus duros trabalhos, e viu um egípcio ferindo um hebreu dentre seus irmãos”.
                A Epístola de São Paulo aos romanos (Rm 15, 25-26) nos dá um exemplo do Novo Testamento – “Mas no momento vou a Jerusalém para ajuda dos irmãos. A Macedônia e a Acaia houveram por bem fazer uma coleta para os irmãos de Jerusalém”.

-         Aos de mesma natureza humana (o homem)
                Podemos destacar em Gêneses, a nova humanidade, quando Deus abençoa Noé e seus filhos: Gn 9, 5 “Eu pedirei conta de vosso sangue, por causa de vossas almas, a todo animal; e ao homem (que matar) o seu irmão, pedirei conta da alma do homem”.
                Em várias outras passagens da Bíblia encontraremos esse sentido da palavra irmão, assim como a exemplo dos Sl 21, 23-24 “Então, anunciarei vosso nome a meus irmãos, e vos louvarei no meio da assembléia. ‘Vós que temeis ao Senhor, louvai-o; vós todos, descendentes de Jacó, aclamai-o; temei-o, todos vós, estirpe de Israel (...)”.

-         Aos renascidos pela mesma fé e pelo batismo, invocando o mesmo Pai
Cl 1, 1-2 – “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, aos irmãos em Cristo, santos e fiéis de Colossos: a vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai!”.


§  O uso da palavra IRMÃO nos dias de hoje – como está escrito no dicionário (Aurélio – Séc. XXI – Versão 3.0 – Editora Nova Fronteira)

IRMÃO [Do lat. germanu.]

S. m.
 1.    Filho do mesmo pai e da mesma mãe, ou só do mesmo pai (irmão consangüíneo) ou só da mesma mãe (irmão uterino), em relação a outro(s) filho(s).
 2.    Membro de confraria ou de irmandade.
 3.    Correligionário, confrade, camarada.
 4.    Frade ou religioso que não recebe as ordens sacras, embora tenha emitido os votos.
 5.    Membro da maçonaria.
 6.    Frade que não exerce cargos superiores.
 7.    Fig.  Coisa semelhante a outra na forma, disposição, origem, etc.
 8.    Fig.  Um dos componentes de um par (animal, objeto).  
 9.    Gír.  Companheiro; camarada; meu chapa. [Us. em geral no vocativo].
Adj.
10.  Diz-se de objetos que se emparelham, que são semelhantes entre si.


§  Evangélicos protestantes

                Uma outra situação em que encontramos com muita freqüência o uso da palavra irmão, sem que isso signifique irmão consangüíneo, é entre a comunidade evangélica protestante em suas saudações e tratamento.



JESUS NÃO TEM IRMÃOS CARNAIS


                Em nenhum momento da Bíblia encontramos qualquer passagem que afirme que existiu algum irmão carnal de Jesus, seja por parte de José, seja por parte de Maria, muito menos por parte de ambos.
                Os irmãos de Jesus, tinham uma outra mãe, que não Maria Santíssima, e um outro pai, que não José.
                A palavra irmão é muito importante para a Sagrada Escritura, principalmente, após o advento de Cristo. Por isso, diz-se, em várias passagens, de irmãos de Jesus. Mas, não se diz de filhos de Maria, mãe do Salvador.
                Jesus é filho único de Maria. No entanto, a sua maternidade espiritual estende-se a todos os homens, pois Deus enviou seu filho para nos fazer irmãos. Sendo Maria, a mãe de Jesus, tornou-se também nossa mãe.
                Rm 8, 29 – “Os que ele distinguiu de antemão, também os predestinou para serem conformes á imagem de seu Filho, a fim de que este seja o primogênito entre uma multidão de irmãos”.
                Pois bem, se Maria tivesse algum outro filho, Jesus não a teria confiado a João, seu discípulo amado, filho de Zebedeu para que cuidasse de sua mãe e fosse cumprido o que ainda havia por vir em sua missão.
                Jo 19, 26-27 – “Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: ‘Mulher, eis aí teu filho.’ Depois disse ao discípulo: ’Eis aí tua mãe.’ E dessa hora e diante o discípulo a levou para casa”.



A ORAÇÃO DA AVE MARIA


                Ao estudarmos a Bíblia, descobrimos nossa visão de muitas vendas, que por vezes nos são colocadas pela nossa fraqueza de fé.
                A oração da Ave Maria está registrada na Bíblia, e quem nos diz são: o Anjo Gabriel, na anunciação; e o Espírito Santo através de Isabel quando a virgem Maria a visita e através da própria Maria Santíssima com o Magnificat.


Lc 1, 28 – “Entrando, o anjo disse-lhe: ’Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo’.”

Lc 1, 41-42 – “Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel içou cheia do Espírito Santo. E exclamou em alta voz: ‘Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre’.”

Lc 1, 48-49 – “Por isso, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo”.
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco,




Bendita sois vos, entre as mulheres,
E bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.




Santa Maria, mãe de Deus,
Rogai por nós pecadores,
Agora e na ora de nossa morte. Amém.

                Essa oração no diz daquela que foi predestinada pela graça divina e foi merecedora de tal por sua dedicação e entrega ao Senhor. Diz, pois, daquela que é a mão de Jesus. Cumprindo, Deus, assim, suas promessas feitas outrora em favor de Abraão e sua posteridade, pois foi de sua descendência que veio o Salvador da humanidade pelo perdão dos pecados – ver em II Sl 7, 12-16.



A VIRGEM MARIA


§  Maria, virgem antes do parto

                Mt 1, 24-25 – “Despertando, José fez como o anjo havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa. E, sem que ele a tivesse conhecido, ela deu à luz o seu filho, que recebeu o nome de Jesus”.

§  Maria, virgem no parto

                Is 7, 14 – “Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará ‘Deus Conosco’.”
                Jo 3, 13 “Ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu, o Filho do homem que está no céu”.

§  Negar a virgindade imaculada de Maria é blasfemar o Espírito Santo

                Lc 12, 10 – “Todo aquele que tiver falado contra o Filho do homem obterá perdão, mas aquele que tiver blasfemado contra o Espírito Santo não alcançará perdão”.

§  Maria, consagrada virgem e pura

                II Cor 11, 2 – “Eu vos consagro um carinho e amor santo, porque vos desposei com um esposo único e vos apresentei a Cristo como virgem pura”.



EVA E MARIA / ADÃO E JESUS


                A harmonia primitiva da criatura foi destruída, pois o homem, seduzido pelo poder da mentira, desobedeceu a Deus na vã esperança de tornar-se igual a ele. Dessa forma o pecado entrou no mundo (Gn 3, 1-6).
                A serpente mentiu a Eva, que tentou a Adão. E Deus, a eles, serpente, homem e mulher, maldisse.
-         Serpente – Gn 3, 14 – “Então o Senhor Deus disse à serpente: ’Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais e feras dos campos; andarás de rastos sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua vida’.”
-         Mulher – Gn 3, 16 – “Disse também à mulher: ‘Multiplicarei os sofrimentos de eu parto; darás à luz com dores, teus desejos te impelirão para o teu marido e tu estarás sob o seu domínio’.”
-         Homem – Gn 3, 17 – “E disse em seguida ao homem: ‘Porque ouviste a voz de tua mulher e comeste do fruto da árvore que eu te havia proibido comer, maldita seja a terra por tua causa. Tirarás dela com trabalhos penosos o teu sustento todos os dias de tua vida’.”

                Pelas promessas de Deus a Abraão, de sua descendência viria o Salvador. Assim foi feito, Deus enviou ao mundo o seu Filho Jesus através de Maria e José.
                A virgem Maria, negando o pecado de Eva, resignou-se, entregou-se e obedeceu à vontade do Pai, certa de que nada é impossível para Deus – Lc 1, 38 – “Então, disse Maria: ‘Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra’. E o anjo afastou-se dela”.
                Chegada à hora do parto, o Espírito Santo, em mistério, poupou Maria do castigo herdado de Eva e a sua virgindade (sinal de sua fé) manteu-se preservada e divina. Assim, Cristo encarnou num corpo sagrado e manteve sagrado o sinal da entrega de Maria a Deus.
                Maria dedicou sua vida no mundo a ficar ao lado de seu filho e por tamanha dedicação às coisas de Deus, na hora de sua morte, isso não aconteceu. Maria adormeceu e foi assunta ao céu pelo seu Filho.
                Mais um mistério se concretiza com a encarnação de Jesus, que é homem, que é Deus.
                E Jesus veio ao mundo salvar a humanidade negando ao pecado de Adão. Sua missão é cumprida com sua paixão, morte e ressurreição.


FONTES DE PESQUISA


Bíblia Sagrada – 119ª edição – Editora Santa Maria.

Catecismo da Igreja Católica – Edições Loyola, São Paulo, 1999.






Daliane Fernandes Torres Luiz  
(colaboração de José Luiz Neto)






Para citar esse artigo:
Daliane Fernandes - "A Virgindade Divina de Maria"
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus 

http://formacaodiscipulosdamaededeus.blogspot.com.br/2013/04/a-virgindade-divina-de-maria.html