domingo, 28 de julho de 2013

Gestos do Papa Francisco






São Francisco de Assis converteu-se, ao ouvir o Crucifixo da capela de São Damião lhe dizer: “Francisco, vai e restaura a minha casa. Ela está em ruínas” (cf. Legenda Maior II, 1). No inicio, não entendeu a revelação e tomou ao pé da letra as palavras, reconstruindo a igreja da Porciúncula. Após meditar e rezar, compreendeu que se tratava de algo espiritual: reconstruir a “Igreja que Cristo resgatou com seu sangue” (op.cit). Foi então que começou um movimento de renovação da Igreja. Morou com os hansenianos e de braço com um deles percorria as ruas e estradas, anunciando o Evangelho. Não era sacerdote, mas simples leigo. Os papas de sua época proibiam aqueles que não eram ordenados de pregar. Por isso, quase no final de sua vida, aceitou ser diácono para se tornar ministro da Palavra de Deus.

O Cardeal Bergoglio inspirou-se na vida do Santo de Assis. Percebeu uma Igreja mergulhada em ataques, críticas e escândalos. Então, sentiu que tinha como missão restaurá-la. Por isso, Francisco não é apenas um nome, escolhido pelo Papa. É muito mais. Representa uma visão de Igreja simples, pobre, humilde e maternal, que trata a todos indistintamente como filhos.
São Francisco foi obediente à Igreja, mas, seguiu seu próprio caminho, ensinando um evangelho de pobreza, caridade e simplicidade. Bento XVI, ainda quando era simples padre, escreveu que a vida do “Poverello de Assis” é um “protesto profético”. Não fez discursos, pronunciamentos eloquentes, simplesmente mostrou uma nova face da Igreja, voltada para os que sofrem, despojada, preocupada com o Evangelho e não com a honra e a glória.
Na sua primeira aparição em público, Francisco mostrou que tem em mente uma Igreja fora dos palácios e dos símbolos do poder. Não usou a mozeta, bordada e com brocados de ouro. Chegou simplesmente vestido de branco e com a cruz de bispo. Pediu humildemente que rezassem por ele. Somente após orar com o Povo de Deus, abençoou os fiéis reunidos na Praça de São Pedro. Aparece como servidor, “servo dos servos de Deus”, como se escreve nos documentos oficiais da Igreja. Evitou a pompa e a exaltação. Passou uma imagem de serenidade, ternura, bondade e amor. Irradiava paz e confiança Não usou da retórica vaticana. Falou como um pastor ao seu rebanho.
Recentemente, alguns jornais italianos publicaram uma foto do Papa preparando-se para celebrar uma missa, cujos convidados eram os jardineiros e o pessoal de limpeza do Vaticano.  No início da celebração, pede que rezem em silêncio por ele e por todos. Levanta-se da cadeira presidencial e vai sentar-se no final da capela para fazer sua  oração. Prefere que contemplem a verdadeira razão da sua existência: o Cristo Eucarístico. Na foto, vê-se a diferença entreo lider e o chefe. Este sempre se coloca em evidência, pondo-se à frente para que todos o vejam e lhe obedeçam. O líder sabe quando sentar atrás. É capaz de desaparecer no momento oportuno, para que outros cresçam e se voltem para quem é verdadeiramente importante. Na fotografia, o admirável Francisco está de costas.  Talvez muitos desejassem vê-lo de frente, mas quis ficar naquela posição e volver a face para Cristo, o irmão de todos.
Quantos chefes, até mesmo eclesiásticos, terão a postura de ir sentar-se numa cadeira, no fundo da sala? Terão coragem e humildade de voltar às costas aos aplausos, aos cliques dos fotógrafos, aos microfones, às câmeras,aos elogios, às palmas e mostrar um coração despido de vaidade e ostentação?










Pe. João Medeiros Filho, indigno escravo de amor




Para citar esse artigo:
Pe. João Medeiros Filho - "Gestos do Papa Francisco"
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus 

http://formacaodiscipulosdamaededeus.blogspot.com/2013/07/gestos-do-papa-francisco.html 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Maria, Corredentora



Stabat Mater dolorosa, iuxta crucem lacrimosa, dum pendebat Filius”...
 (Fragmento da sequencia cantada na memória de Nossa Senhora das Dores).

Se por breve instante fechássemos os nossos olhos e nos transportássemos àquela véspera da páscoa dos judeus, encontraríamos a Mãe dolorosa que estava junto a Cruz lacrimosa, vendo o filho que pendia, sofria e entregava-se todo a Deus Pai, para a nossa reconquista do estado perdido pelos primeiros pais no jardim de Éden. Sim, meus caríssimos amigos, junto ao nosso Salvador e Redentor, estava de pé sua Mãe e nossa, que com ele o único Salvador, tornava-se por participação nos infinitos dons de Deus nossa Corredentora.
Este sagrado título dado a Mãe de Deus é muito querido por todos os cristãos e em nada denigre ou obscurece o entendimento real dos fiéis acerca da única mediação e salvação que nos foi dada por Cristo através de sua paixão, morte e ressurreição; pelo contrário, faz-nos ainda mais entendermos como o amor de Deus foi inenarrável por todos nós, pois, quis incluir uma criatura humana, a Virgem Santíssima, no seu desígnio salutar de salvação de todo o gênero humano.
Confirma-nos este querer divino a própria Sagrada Escritura e, bem como, a Sagrada Tradição defendida com forte ortodoxia pelos Padres e seus posteriores. Desde muito cedo, já no Proto-Evangelho do Gênesis foi prometido que a Mulher e seu Descendente vencerão o mal, em contraposição ao pecado de desobediência cometido por Eva. Mais adiante, em outros livros do vetusto Testamento encontramos figuras de mulheres fortes como Agar, Resfa, Raquel e com o mesmo valor que as demais lembremo-nos a mãe dos macabeus que, encorajando seus filhos ao martírio e sabendo que também iria morrer foi persistente, firme e sem medo, figura perfeita daquela que sofreria de pé junto ao seu Filho que morreria mártir pelos nossos pecados. 
Podemos ainda observar as mulheres que possuem virtudes heróicas tais como: Débora, Judith, Ester e Rebeca que nos lembram a Senhora do mundo nos seus gestos de salvação para aqueles que dela precisam, por intermédio de suas preces e virtudes. E, porque não lembramos também das figuras inanimadas como a arca de Noé, a rocha ferida por Moisés no deserto, a coluna de nuvens e entre outras que representam a sua excelsa, mas dolorosíssima missão de Corredentora de todo o gênero humano.
Já no Novo Testamento, não vemos mais prefigurações, mas a própria economia da salvação plenamente realizada por todos os gestos de Nosso Senhor Jesus Cristo e sempre presente em sua missão divina a sua bondosa Mãe, auxílio de todos os que crêem em seu Filho. De forma direta a Virgem de Nazaré colabora com o cumprimento dos desígnios divinos ao consentir que em seu seio puríssimo venha habitar aquele que todo o universo não pode conter.
Ainda podemos nos recordar que no momento do calvário também ela, a Mãe do crucificado, dividiu com ele suas dores e da mesma forma do Pai que oferece seu Filho em resgate pelo gênero humano, Maria Santíssima consente silenciosamente que seu filho leve a termo a reentronização da humanidade perdida na vida divina. Poderíamos, contudo, perguntar: para que fim, esta presença de Mãe tão terna e pura naquele ambiente tão inóspito do calvário? “Só uma explicação é possível: aí estava, levada pelo sentimento do dever; estava porque bem sabia que devia desempenhar ali uma parte importantíssima, da qual não se podia prescindir; estava nesse lugar porque bem sabia que cabia também a ela oferecer em sacrifício o novo Isaac pela salvação do gênero humano, renunciando generosamente – como já havia feito no dia da Anunciação – aos direitos maternos que tinha sobre aquela Vítima Divina” [1].   
Depois do exposto, recorramos ainda ao que advoga a Tradição através dos Padres a respeito deste augusto título conferido ao Refúgio seguro de todos os pecadores e Porta do Céu. Partindo do paralelismo feito pelo glorioso Apóstolo São Paulo entre Adão e Cristo (novo Adão), cedo os Padres trataram de recordar-nos e completar-nos que para a Eva pecadora vislumbrou-se a Maria, tota puchra et sine labe originali concepta.
É extremamente necessário que tomemos conhecimento do texto e logo concluamos o raciocínio juntamente com o pensamento dos Padres. Diz o Apóstolo das gentes em sua primeira carta aos Coríntios capítulo 15, 22: “Da mesma maneira que todos os homens morrem em Adão, todos receberão a vida em Jesus Cristo.” Percebamos então meus amigos o que São Paulo está afirmando: Da mesma maneira... logo no conselho divino, a semelhança entre prevaricação e redenção abraça também as circunstâncias de uma e de outra, e especialmente aquela que é principalíssima entre todas, isto é, que Maria seja na redenção o que Eva foi na prevaricação. Desta forma advogam então os Santos Padres: como na prevaricação Adão e Eva formaram um grupo inseparável e, feitos vítimas da serpente infernal, foram a causa de nossa ruína, do mesmo modo na reparação Jesus e Maria formaram um grupo inseparável e, exercendo a vingança sobre a serpente infernal, se tornaram a causa de nossa salvação.
Sobre esta afirmação, temos o testemunho de São Justino Mártir (103-165) que afirma que o princípio e o fim da desobediência deviam assemelhar-se e conclui que, como a desobediência não teve princípio sem o concurso da mulher – Eva, virgem – também não teve fim sem a cooperação da mulher, Maria Virgem.
Tertuliano (160-240) acerca deste tema diz que, Deus nos remiu com um plano e uma operação rivais. A culpa incorrida por Eva ao crer (na serpente) foi cancelada por Maria ao crer (no Arcanjo).
Mais recentemente podemos ainda citar o parecer do Pe Bartolomé de los Ríos. O.S.A, um respeitável e célebre teólogo do século XVII, que afirma: “Ainda que não fossemos servos da Virgem Maria por ser a Mãe de Deus, o seriamos pelo fato de ela nos ter resgatado da servidão ao demônio. O preço que devia pagar-se por nosso resgate,  mais precioso que o ouro e a prata, quer dizer, o Corpo e o Sangue de Cristo, ela o forneceu. Por isso podemos chamá-la Corredentora do mundo. Cristo a quis associar a sua obra redentora, não por necessidade, mas por pura condescendência de sua infinita misericórdia”.
E reafirma: “Ao consentimento de Maria [na Encarnação] submeteu Deus a sentença de nossa Redenção. Porém, é preciso acrescentar que Maria deu seu consentimento em nome de todo o gênero humano, e se estende a Encarnação redentora enquanto tal, por isso a podemos chamar: causa da nossa Redenção e Corredentora do gênero humano”[2].
Para completar esta pequena alegação da Corredentora Mãe de Deus e nossa, quero ainda trazer ao nosso conhecimento o que pensam alguns Sumos Pontífices sobre o tema:
Pio IX: “Em conseqüência disto [da inimizade existente entre Maria sempre Virgem e a serpente infernal], assim como Cristo, Mediador entre Deus e os homens, assumindo a natureza humana destruiu o decreto de condenação que havia contra nós, cravando-o triunfalmente na cruz, assim também a santíssima Virgem, unida com ele por um liame estreitíssimo e indissolúvel, foi, conjuntamente com ele e por meio dele, a eterna inimiga da venenosa serpente, e esmagou-lhe a cabeça com seu pé virginal”[3].
Leão XIII: “A Virgem Imaculada, escolhida para ser Mãe de Deus, e por isto mesmo feita Corredentora do gênero humano, goza junto a seu Filho de um poder e de uma graça tão grande, que nenhuma criatura, nem humana nem angélica, jamais pôde nem jamais poderá atingir uma maior”[4].
Pio X: “Em conseqüência da comunhão de sentimentos e de dores entre Maria e Jesus, a Virgem fez jus ao mérito de se tornar legitimamente a reparadora da humanidade decaída e, portanto, dispensadora de todos os tesouros que Jesus nos adquiriu por sua morte e por seu sangue”[5].
Concílio Vaticano II: “[Maria] concebeu, gerou, nutriu a Cristo, apresentou-o ao Pai no templo, compadeceu com seu Filho que morria na cruz. Assim, de modo inteiramente singular, pela obediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas. Por tal motivo ela se tornou para nós Mãe na ordem da graça”[6].
Pois bem caríssimos amigos, chegados que somos ao término desta brevíssima reflexão a respeito deste glorioso título da Mãe de Deus, quis demonstrar-vos segundo a Sagrada Escritura, Tradição e Magistério o que pensam todos acerca da ideia de Maria Santíssima como Corredentora.
Bem sabemos que muito se pensa e se pede para que esta verdade se torne dogma de fé, todavia sendo ou não proclamado este dogma mariano temos consciência, como autênticos cristãos e filhos da santa Igreja Católica, que ainda assim não diria e não se louvaria bastante as virtudes e méritos com os quais ornou a esta sua filha, Mãe, esposa e templo, a santíssima Trindade.
Como dizem os santos de Maria nunquam satis, de fato meus amigos, da Virgem Mãe de Deus, concebida sem pecado e Corredentora do gênero humano, nunca se dirá o suficiente, porque a bondade, o amor e a misericórdia divina derramadas sobre ela em vista de toda humanidade foi sem limites.
Por isso ao Deus Uno e Trino, Senhor do Tempo e da História, Autor de nossa Salvação, todo louvor, toda honra e toda glória por nos ter dado a conhecer seu Mistério abscôndito desde sempre através Encarnação do Verbo Divino no seio puríssimo da humilde serva do Senhor.

Corredemptrix generi humanis, ora pro nobis!

Em Jesus por Maria!





Seminarista Robson Paulo

Aluno do 3º ano de Teologia do Seminário Arquidiocesano de São Pedro, Consagrado a Maria Santíssima.






[1] ROSCHINI, Gabriel. Instruções Marianas. São Paulo: Paulinas, 1960. P. 86-89.
[2]  BARTOLOMÉ DE LOS RÍOS. De Hierarchia Mariana, p. 61; 67.
[3]  PIO IX. Ineffabilis Deus: Bula, 8 dez. 1854.
[4] LEÃO XIII. Supremi Apostolatus: Epistola, 1 set. 1883.
[5] PIO X. Ad Diem Illum Laetissimum: Enciclica, 2 fev. 1904.
[6] CONCÍLIO VATICANO II. Lumen gentium: Constituição Dogmática.

domingo, 19 de maio de 2013

Maio, mês de Maria




            Já no início da Idade Média, durante o mês de maio, a Igreja começou a venerar Nossa Senhora e passou a homenagear Aquela que é estrela de nossas noites e travessias. E por que a Igreja dedicou à Virgem Mãe de Deus o quinto mês do ano? A Ladainha de Nossa Senhora contém várias invocações que ajudam a compreender esta devoção. Ali invocamos a Mãe de Cristo com alguns títulos importantes: Rosa Mística e Estrela Matutina. A estrela da manhã é o sol, o dia, a aurora. Do Céu, Maria é a luz que brilha e ilumina nossos caminhos. Nas horas do Ofício Divino, diversas vezes saudamos Maria como Aurora de nossas vidas.
No hemisfério norte, maio situa-se em plena primavera, estação das flores, da beleza e da graça. No entanto, vale conhecer as origens desse mês para que se possa compreender melhor a simbologia religiosa. A incursão pela mitologia ajudar-nos-á a reconhecer outras razões da consagração do mês de maio a Nossa Senhora.
Segundo alguns pesquisadores, o calendário romano reformado por Júlio César em 45 A.C. (modificado posteriormente pelo Papa Gregório XIII, daí o nome de calendário gregoriano), dedicava o quinto mês do ano ao deus Apolo (irmão gêmeo de Ártemis), o qual recebeu de Hipérion o sol, a lua e a aurora. São famosos os versos de Byron que lhe são dedicados: deus da vida, da luz e da poesia, o sol em forma humana apresentado. A lenda conta ainda que Apolo matou uma grande serpente, chamada Píton, que atemorizava o povo. Consoante outros estudiosos, o mês de maio era dedicado à deusa Maia, mãe de Hermes, da qual se originaria a palavra maio. De acordo com relatos mitológicos, Maia era a deusa dos campos e das flores.
A Igreja, desde as suas origens, em sua sabedoria milenar, parte de símbolos e da cultura dos povos para revelar sua mensagem. Já o apóstolo Paulo, no Areópago de Atenas, referindo-se ao altar consagrado Ao deus desconhecido, assim se expressou: aquele a quem venerais sem conhecer, é esse que vos anuncio (At 17, 23). Maria é a rosa por excelência, a flor mais bela e mais pura. É a nova Eva, vencedora do pecado e do demônio simbolizados pela serpente.
Convém lembrar que a iconografia católica representa a Virgem Maria (Nossa Senhora da Conceição) pisando a cabeça da serpente. Foi Ela quem gerou a luz, o dia, o sol da justiça, que é Cristo. Desta forma, o contexto e o pretexto lendário serviram para revelar virtudes de Nossa Senhora. Atribuiu-se, assim, novo sentido às comemorações de maio, que no catolicismo passa a ser dedicado à Mãe de Deus.


O MÊS DE MAIO E A DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA
Desde a Antiguidade, ou seja, bem antes do nascimento de Jesus Cristo, o mês de maio era ligado a um personagem feminino. Seu nome deriva de uma homenagem a Maia, deusa da mitologia greco-romana. Esta, segundo os estudiosos, era a mais jovem das sete Plêiades, filhas do gigante Atlas com Afrodite. Mãe de Hermes, o mensageiro dos deuses, Maia era a deusa do renascimento e, portanto, associada à primavera, que, no hemisfério norte, atinge o seu esplendor no mês de maio.
Mas, antes de existir um mês chamado maio, no calendário organizado por Rômulo, quando da fundação da cidade de Roma (753 A.C), já havia uma ligação dessa época do ano com um arquétipo feminino. Vejamos: a constelação que mais se destaca nas noites de maio é justamente a de Virgem, com sua brilhante estrela Spica. Esta constelação foi assim denominada, em alusão às atividades de jardinagem, tarefa de responsabilidade das mulheres. Assim, durante o mês de maio, o céu passou a ser associado à figura feminina.
Vale salientar ainda, que a constelação de Virgem já foi conhecida como Anna, a deusa do céu e esposa do deus sumério Anu. É bom lembrar, também, que outrora esteve associada a Deméter, deusa romana da Agricultura e a Eva, esposa de Adão, a mãe dos viventes, segundo o relato do Livro do Gênesis.
Com o advento do cristianismo e sua mensagem, uma nova e grandiosa figura feminina destacou-se: Maria, a Virgem Santíssima. E assim, a veneração a Nossa Senhora veio preencher uma lacuna existente no catolicismo, religião esta, até então, exclusivamente patriarcal.
De acordo com a tradição católica, o fato de Maria Santíssima ser filha de Ana, ou Anna – que já era ligada à constelação de Virgem – contribuiu ainda mais para que se promovesse tal associação. Cabe ressaltar igualmente que, segundo a teologia católica, Maria é chamada de nova Eva, o que veio reforçar esta analogia. 
E como Maria Santíssima é venerada pelos católicos como a Rainha dos Céus, seu manto é representado pela cor azul do firmamento, simbolizando o céu. Nessa interpretação, Maria, Mãe de Jesus, é a Rainha dos Céus, daí Ave, Regina Coelorum (Salve, Ó Rainha dos céus), uma das antífonas rezadas ou cantadas, durante o ano litúrgico, como conclusão das Completas na Liturgia das Horas. Na Ladainha de Nossa Senhora (também chamada Ladainha Lauretana) há uma invocação, denominando-a Porta do Céu (Ianua Coeli).  







Pe. João Medeiros Filho

Sacerdote da Arquidiocese de Natal, imortal da Academia de Letras do RN.

domingo, 12 de maio de 2013

Redes Sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização




O Domingo da Ascensão do Senhor, celebrado na liturgia do domingo 12 de maio, é também dedicado pela Igreja Católica Apostólica Romana a celebração do “Dia Mundial das Comunicações Sociais”, instituído durante o Concílio Vaticano II através do documento Inter Mirifica do papa Paulo VI. Desde 1967, o papa lança uma mensagem universal para tratar sobre o tema neste dia com orientações para os fieis atuarem nos meios de comunicação e se fazerem igreja também nos ambientes digitais.
Para o 47º Dia Mundial das Comunicações, o tema escolhido pelo então papa Bento XVI foi: “Redes Sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização”. A mensagem divulgada no dia 24 de janeiro, dia de são Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, buscar promover uma reflexão lúcida sobre a nova forma humana de relacionamento nas redes sociais.

Hoje no Brasil segundo dados do Ibope, 77% dos internautas acessam redes sociais (Facebook, Twitter, entre outros) e as projeções são de que até 2015, nada menos do que 98% dos brasileiros terão pelo menos um perfil em rede social. Por isso o Santo Padre reforça na mensagem deste ano, “O desenvolvimento das redes sociais digitais que estão a contribuir para a aparição de uma nova ágora,  de uma praça pública e aberta onde às pessoas partilham ideias, informações, opiniões e podem ainda ganhar vida novas relações e formas de comunidade”.
Envolvidos quase que 24h do nosso dia em algum suporte midiático para nos relacionarmos, seja celular, internet, TV, jornal, seja de uma forma direta ou indireta acabam influenciando nossa vivência e religiosidade. Por isso não podemos negligenciar a atuação nesses meios em defesa e na autoafirmação da nossa fé.

O papa Bento XVI nos encoraja: “A cultura das redes sociais e as mudanças nas formas e estilos da comunicação colocam sérios desafios àqueles que querem falar de verdades e valores. Muitas vezes, como acontece também com outros meios de comunicação social, o significado e a eficácia das diferentes formas de expressão parecem determinados mais pela sua popularidade do que pela sua importância intrínseca e validade”.
Com atenção especial para a juventude, público-alvo das redes sociais, o papa Bento XVI alerta para uma melhor compreensão deste meio de integração, “O ambiente digital não é um mundo paralelo ou puramente virtual, mas faz parte da realidade cotidiana de muitas pessoas, especialmente dos mais jovens. As redes sociais são o fruto da interação humana, mas, por sua vez, dão formas novas às dinâmicas da comunicação que cria relações: por isso uma solícita compreensão por este ambiente é o pré-requisito para uma presença significativa dentro do mesmo”, diz o papa emérito.
Por fim, Bento XVI nos faz o convite, para sermos presença do Evangelho nas redes sociais, fazendo a transição do ambiente virtual para o real, com autenticidade e coerência. “Procurando tornar o Evangelho presente no ambiente digital, podemos convidar as pessoas a viverem encontros de oração ou celebrações litúrgicas em lugares concretos como igrejas ou capelas. Não deveria haver falta de coerência ou unidade entre a expressão da nossa fé e o nosso testemunho do Evangelho na realidade onde somos chamados a viver, seja ela física ou digital. Sempre e de qualquer modo que nos encontremos com os outros, somos chamados a dar a conhecer o amor de Deus até aos confins da terra”.
Que sejamos como pescadores lançando nossas redes no ambiente digital, em busca dos homens e mulheres que imersos nesta realidade ainda se encontrem distantes da presença do amor de Deus.





Júlio de Maria
Missionário da Comunidade de Aliança; Jornalista.

Para citar esse artigo:
Júlio Maria - "Redes Sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização"
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus 

http://formacaodiscipulosdamaededeus.blogspot.com.br/2013/05/redes-sociais-portais-de-verdade-e-de.html

terça-feira, 7 de maio de 2013

Mãe: Deus quis ter colo





Durante todo o mês de maio, a Igreja Católica homenageia Maria Santíssima. E no segundo domingo, festejamos nossas mães terrenas. Na primavera europeia, especialmente em maio, mês em que as rosas desabrocham e florescem, quis a Igreja comemorar a beleza da vida daquela que é a Rosa Mística”, como recitamos na Ladainha de Nossa Senhora. É justo e merecido esse preito de gratidão à Virgem e a todas as mães da terra.
Nesse dia, desejamos celebrar a ternura, o carinho, a compreensão, o desvelo e a dedicação ilimitados, em suma, o incondicional amor materno. E nada melhor para simbolizar e resumir todos esses sentimentos humanos do que a figura de nossa mãe. Participante do mistério de Deus, representante do Divino entre os homens, ela encarna a bondade e lembra a vida sobrenatural e nosso destino de criaturas, filhas do Eterno e Absoluto.
  O próprio Cristo, tendo dispensado tantas realidades e bens terrenos, não se privou do colo materno e do sorriso meigo daquela que Ele nos legou para ser também a nossa Mãe. “Eis a Tua Mãe” (Jo 19,27), dissera Jesus num gesto de doação, antes de sacrificar sua vida para nos redimir. O Filho de Deus, melhor do que nós, sabia que o coração de uma mãe pode expressar a misericórdia divina para conosco. Assim, o saudoso João Paulo I, numa feliz expressão, afirmara diante da multidão, na Praça de São Pedro: “Deus é Mãe”. E Leonardo Boff também afirmou: Maria Santíssima é o Rosto Materno de Deus”.
  É esse lado divino de nossas mães, que desejamos proclamar no segundo domingo de maio. É a tradução do amor de Deus num olhar humano, que neste dia celebramos, ao homenageá-las. A grandeza do Criador não poderia deixar de ser acessível a todas as criaturas. Sua inefável bondade, sua infinita capacidade de amar e perdoar não poderiam ficar sem uma representação terrena, à disposição de todos os homens: simples, cultos, importantes, humildes, doentes, saudáveis, grandes e pequenos. Deus quis nos deixar um sacramento universal de seu afeto e sua ternura. Por isso, Ele concretizou o seu plano de amor no coração das mães.
Por conseguinte, a celebração deste domingo de maio, entre todos os dias do ano que devem ser dedicados às mães, é o memorial da sublimidade da vida, lembrança da suprema beleza eterna, que “Deus Mãe reserva para todos os seus filhos. Mas, era preciso existir um dia no calendário, em que se pudesse externar a consciência explícita do nosso reconhecimento por um ser, que participa do mistério da bondade de Deus.
As mitologias greco-romanas e orientais apresentam deusas-mães. O cristianismo, além de nos revelar “o Rosto Materno de Deus, dá-nos duas mães: a temporal e a eterna a fim de nos acompanhar em todas as dimensões de nossas vidas. Mãe é Amor. E Deus também, descreve São João, na sua Primeira Carta (1Jo 4, 8).
Hoje e sempre, peçamos a Maria Santíssima que cubra com o seu manto sagrado todas as mães e as abençoe, pois, como Mãe Divina, conhece melhor do que nós os seus corações, imagem de Deus, ternura incomensurável e misericórdia sem limites, na face da terra.









 Pe. João Medeiros Filho, indigno escravo de amor
Consultor Acadêmico da Faculdade Dom Heitor Sales



Para citar esse artigo:
Pe. João Medeiros Filho - "Mãe: Deus quis ter colo"
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus 

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