quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Nossa Senhora Menina




    Porque esta devoção? Busquemos na nossa Palavra Fundante ( I Tim. 4, 12-16). Imagine a conversa de São Paulo com Nossa Senhora...

 “Ninguém te despreze por seres jovem.”
  Não desprezemos Nossa Senhora quando ainda criança, Sant’Ana e São Joaquim, educadores. A criaram para ser consagrada, guardou-se, se apresentou. Subiu as escadas do templo sem olhar para trás.
Foi para o templo e deixou-se ser cuidada, preservada, educada, formada! Música, dança, línguas, doutrina, prendada! Costurava, cozinhava. Por volta dos 13 a 15 anos (média de idade na Anunciação) foi fecunda cedo!

“Ao contrario, torna-te modelo para os fieis...”
  Nas virtudes: Humildade, fé, obediência, oração, mortificação, caridade, paciência, doçura, sabedoria.

  “No modo de falar”
  Veja o “Magnificat”, não tinha gírias.

  “E viver”
  Não tinha vícios. Tinha visão política, social, bom comportamento.

  “Na caridade”
  Foi ao socorro de Isabel, sua parenta de idade avançada, grávida. Foi caridosa sendo modelo também para Jesus durante sua formação e vida adulta. Com João, com Pedro, comigo.

  “Na fé”
  De pé aos pés da cruz, uma fé viva.

  “Na castidade”
  Uma vida castidade no pensamento, palavras, atos. E você é casto? Nos filmes, novelas e músicas. Nossa Senhora é Virgem antes, durante e depois de Jesus.

  “Enquanto eu não chegar, aplica-te a leitura exortação e ao ensino.” 
  Ela lia muito, em especial o Torá (livro de Moisés) e os salmos. Foi preparada no templo e na vida, o Magnificat faz referencia há  15 trechos do antigo testamento, que é uma exortação e ensino junto com outras palavras de sua vida: Eis aí a escrava do Senhor... Faça-se em mim segundo vossa palavra... Como se dará isso? Fazei tudo o que Ele vos disser!

  “Não negligencies o carisma que esta em ti.”
  Fazer Jesus mais conhecido e amado! Deus pediu, foi profetizado em Isaías (7,14) “uma virgem dará a luz e se chamará Deus conosco.”

  “E que te foi dado por profecia”.
  Ide ao mundo e anunciai o evangelho, oportuna ou inoportunamente.

  “Quando a assembléia dos anciãos te impôs as mãos.”
  No início seus pais Joaquim e Sant’Ana, depois no templo foi ensinada pelos sacerdotes, na Anunciação o Espírito Santo a cobriu com Sua sombra no anuncio, no Pentecostes; Simeão, Ana...

  “Põe nisso toda diligencia e empenho”.
  Viveu a serviço de Deus: “Faça-se em mim, conforme a Tua palavra.”

  “De tal modo que se torne manifesto a todos o teu aproveitamento.”.
  Todas as gerações me proclamarão bendita (Lc 2, 48)

  “Olha por ti”
  O Senhor fez em mim maravilhas, Santo é ...

  “E pela instrução dos outros”
  Na escola de Maria, muitas escolas, Instituições D.M.D

  “E persevera nestas coisas”
  Jesus falou nas bodas de Caná: “Que temos a ver com isso?” Será que foi a primeira vez? Ela perseverou... e alcançou do Filho o vinho da alegria.
O procuraram e o chamaram de louco, até de belzebu  mas Nossa Senhora continuava a ser a primeira discípula de Seu Filho.

  “Salvar-te-ás a ti mesmo, e aos que te ouvirem.”
  A mulher do Apocalipse, que foge do dragão e também da perseguição de Herodes. Os apóstolos foram sacrificados e a Virgem glorificada. Os apóstolos sofreram derramando seu sangue e Ela sofrendo todas as dores em Sua alma.
  O ódio entre a descendência da serpente e a descendência da Mulher que prevalecerá...

“Ninguém te despreze...”
 Ou você acha que Deus estava brincando?O Magnificat discute pelo menos 04 temas:
A)     Relacionamento estreito de Maria com Deus - intimidade 
B)      Uma síntese do Antigo Testamento – mais de 15 citações
C)      Uma visão critica sobre as relações sociais
D)     Do seu entendimento sobre fenômenos psíquicos
- O Senhor fez em mim maravilhas
  A inteligência dela era incomum, ela não era apenas dócil e serena, o Magníficat revela uma genialidade. Ela não poderia fazer este poema de improviso se não fosse sobredotada (consciência social, intelectualidade e espiritualidade). Por isso Deus a escolheu.
  Devia ter continuado a estudar na escola onde os escribas ensinavam. A cultura do seu povo e as dificuldades de sobrevivência da época fazem as mulheres amadurecerem mais cedo e assumirem compromissos sociais mais precocemente.

“Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador, porque olhou para humildade de sua serva. Por isso, desde agora, me proclamarão bem aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas, aquele que é poderoso e cujo nome é santo . Sua misericórdia se estende de geração em geração, sobre os que o temem, manifestou o poder de seu braço, desconcertou os corações dos soberbos, derrubou dos tronos poderosos e exaltou os humildes, saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado de sua misericórdia conforme prometera a nossos pais em favor de Abraão e sua posteridade para sempre” Magnificat



César Mariano
Fundador da Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus,  Coordenador Geral, Médico, Casado, 02 filhas.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Maria, exemplo de meditação para os cristãos

I. INTRODUÇÃO

Os Padres da Igreja falam de Maria como eminente exemplo de criatura que medita. A Virgem é apresentada como “modelo excelentíssimo” de vida contemplativa. Vamos refletir sobre Maria, mulher que se dedica à meditação da Palavra de Deus, espelho de nossa vida cristã e religiosa.
Sabemos que a meditação é hoje um assunto um pouco descuidado nos meios cristãos. Felizmente, está voltando à baila também a partir do novo interesse que suscita a “arte da meditação” nas antiquíssimas tradições orientais (budista, hinduísta, taoísta, etc.).
Maria é a Virgem que medita. Temos uma frase significativa no evangelho de Lucas, quase no final do capítulo 2: Sua Mãe guardava todas estas coisas no seu coração (Lc 2, 51)
II. A MEDITAÇÃO DE MARIA A PARTIR DE SUA EXPERIÊNCIA DE DEUS
Maria teve uma “experiência de Deus” absolutamente única. Ela, como ninguém, “viu com seus olhos” e “tocou com suas mãos o Verbo da vida” (cf. 1Jo 1,1). Precisamente por causa desta experiência de Deus, vivida de modo extremamente profundo, ela se tornou testemunha sem par da encarnação do Verbo.

a) Experiência de Deus a partir da Leitura da Palavra Sagrada

A iconografia tentou exprimir essa experiência incomparável que teve Maria do Mistério divino, presente no próprio filho, mostrando-a, por exemplo, frente ao livro da Palavra, em atitude de lectio divina (vide a imagem de Sant’ana); ou em estado de êxtase, de mãos postas (vide Nossa Senhora do Presépio), diante do Filho recém-nascido: Quem genuit adoravit (Adorou Aquele que gerou).

b) a meditação da palavra a partir do que Maria ouviu

Os relatos de infância, no evangelho de Lucas mostram, em mais de um lugar, Maria como mulher reflexiva, meditante, vivendo uma intensa vida interior. Assim, no momento da Anunciação, Lucas relata a atitude de Nossa Senhora: A estas palavras (de Gabriel), ela... se perguntava o que podia significar aquela saudação (Lc 1,29).

c) Maria: mulher de constante meditação

O diálogo com o Anjo põe em evidência o quanto Maria vive as coisas “a partir de dentro”.
A atitude meditativa é um traço constitutivo da “personalidade” de Maria, a ponto de parecer ser nela algo de habitual. De fato, Lucas a registra mais vezes:
a) No nascimento do Filho, diz que Maria conservava todas estas coisas, meditando-as em seu coração (2,19);
b) Depois do encontro no Templo, o mesmo evangelista registra: E sua Mãe conservava todas estas coisas em seu coração (2,51). Essa referência é tanto mais significativa quando se observa que Lucas a faz valer para o todo o período (uns vinte anos) da “vida oculta” em Nazaré.
Temos ainda dois textos onde Lucas se refere, de modo indireto, mas nem por isso menos eloqüente à fé de Maria, a qual analisa e leva à meditação:
a)      Minha mãe e meus irmãos são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática (8,21).
b)      Felizes antes os que ouvem a Palavra de Deus e a observam (11,28). Efetivamente, supõe-se aqui em Maria um “ouvir” ativo e interiorizante.
III. A METODOLOGIA E O CONTEÚDO DA MEDITAÇÃO DE MARIA, EXEMPLO PARA OS CRISTÃOS
Dos textos acima, vamos nos deter em Lc 2,19: Maria conservava todas essas coisas, meditando-as no seu coração. É o versículo mais expressivo do perfil meditante da Virgem. Situa-se no contexto do Natal. Lucas nos diz aí que, enquanto os pastores só “contam” o que testemunharam e todos ficavam “maravilhados” com o que referiram (Lc 2,18), Maria, por sua parte, conservava todas estas coisas, meditando-as no seu coração (2,19). Enquanto os outros, nada entendendo do que se passa, ficam num nível ainda exterior e superficial, Maria, por seu lado, vai além: busca compreender o sentido íntimo e profundo das coisas que a cercavam.
Vamos tentar examinar estas quatro partes do versículo: a) “todas estas coisas”, b) “no seu coração”; c) “Maria conservava”, d) “meditando-as”.

a) todas estas coisas

Lucas usa o termo “coisas”, de diversas maneiras, para designar o que vai sucedendo, seja em palavras, seja em gestos ou fatos. Para Lucas, “coisas” é o mistério de Deus na vida de Maria, isto é, as coisas divinas que vão acontecendo e que aos poucos Ela vai compreendendo pela sua prática de meditação e questionamento. Coisa é aquilo que às vezes não sabemos chamar o que é. Maria meditava diante de tudo isso e procurava entender.
O termo “coisas” é empregado, várias vezes, por Lucas, significando:
1) As palavras de Gabriel, tão enigmáticas que obrigam a Virgem a se perguntar a si mesma e a perguntar ao Anjo sobre seu sentido.
Da mesma forma, encontramos o referido termo nas palavras dos pastores, de Simeão e mais tarde nas próprias palavras de Cristo. Não sabíeis que devo me ocupar das coisas de meu Pai?;
2) Os fatos, como a visita inesperada dos pastores, a perda dolorosa no Templo e posteriormente os fatos da paixão e da ressurreição;
3) Os sinais, como o presépio, sinal esse dado pelos anjos aos pastores (Lc 2); o sinal de sua própria maternidade virginal; os milagres de Jesus e todos os seus gestos de perdão, cura e salvação.
Pois bem, tudo isso, ou seja, todas estas coisas, eram objeto de atenta consideração por parte de Maria. Ela se admirava de tudo e se perguntava pelo significado de cada coisa. A Virgem procurava descobrir nos fatos da vida a voz de Deus e seus apelos. Para Ela, a Palavra de Deus ou mensagem viva não ressoava só nas Escrituras, mas nos fatos da vida e também no fundo do seu coração.
O Papa João Paulo II, falando sobre a Virgem Santíssima e sua vida de intensa meditação, assim escreve: À imitação da Virgem Maria, queremos viver à escuta da Palavra de Deus, atentos a seus apelos em nós mesmos, nos homens, nos acontecimentos e em toda a criação.
Para Maria, o Evangelho não era, como para nós, um livro, mas uma história viva e, mais ainda, uma pessoa concreta: a Palavra [o Verbo] encarnada em seu seio e convivendo familiarmente com ela.

b) em seu coração

O coração, na mentalidade bíblica, como sabemos, é a fonte de nossa vida mais íntima e profunda: do pensar e do lembrar, do querer e do decidir. Ele não é apenas o espaço das emoções superficiais e passageiras, como quer a mídia moderna. O “coração” bíblico é a mente, a consciência, a “alma”. É o nosso “mundo interior”, incomparavelmente mais vasto e mais rico do que todo o mundo exterior – esse mundo que a ciência moderna mostra já tão complexo em suas micro e macro estruturas.
Desta forma, a meditação de Maria é feita com o seu coração, ou seja, não é apenas um pensar “cerebral”. É um pensar “cordial” e mesmo “visceral”, feito de intuição e sensibilidade, mas sobretudo de muito silêncio e questionamento. É o pensar da sabedoria. A Virgem não é só exemplo do teólogo, que reflete teoricamente a fé, como foi dito pelo Cardeal Newman. Ela é mais ainda exemplo daquele que medita a Palavra divina para doá-la aos seus irmãos.
O religioso ou a religiosa é aquele que medita os fatos, os sinais, as palavras, a realidade de sua vida, do seu convento ou mosteiro com o coração, procurando descobrir em tudo a Palavra de Deus para encarná-la e dá-la aos seus irmãos.
c) maria conservava...
A Virgem guardava no tesouro de seu coração e de sua memória as maravilhas de Deus, como um tesouro sem preço. De fato, o “conservar” de Maria era ativo. Ela voltava sempre às coisas que tinha vivido na companhia do Filho para compreender-lhes o significado transcendente.
Conservar não é apenas memorizar, é lembrar ativamente. É guardar algo de precioso para ser vivido. A partir do que se conserva, orienta-se o pensar, o falar e o agir. Hoje, com o avanço da tecnologia e os computadores, podemos imaginar melhor o que significa conservar ou guardar na memória ou no coração.
É a meditação que atualiza e dá sentido àquilo que conservamos em nossos corações. E isto é a mais bela e profunda meditação. Assim agiu Maria. Podemos agir do mesmo modo, atualizando a Palavra de Deus, os seus fatos, sua vontade, presentes dentro de nós e a partir daí fazendo uma releitura da vida e do mundo. Foi o que fizera Maria.
O próprio Cristo instituiu o memorial de sua entrega, ordenando: “Fazei isso em memória de mim!” (Lc 22,19). E uma das funções do Paráclito será “relembrar” aos discípulos tudo o que Ele ensinou, levando-os assim à “verdade plena” (Jo 14,26; 16,13).
Conservamos tudo em nosso coração para lembrar ou relembrar aos homens e ao mundo. Para isso, é indispensável a meditação. É esta que nos faz lembrar. E o lembrar, na dimensão bíblica, não é apenas ter presente na memória, é sobretudo comparar os fatos que vivemos com o que está acontecendo no momento.
O grande perigo é “esquecer”. Esquecer é a “morte do sentido”. Foi o que aconteceu aos discípulos em relação às palavras de Jesus, censurados por isso após a Ressurreição: “Lembrai-vos do que vos disse...” (Lc 24,6; cf. ainda os vv. 8.25-27.44-46).
Não foi assim com Maria de Nazaré. Ela não esqueceu as palavras e as obras de Deus. Sua meditação era um hábito. Porque era para ela uma forma de amor. Pois quem ama, lembra. Assim se expressa o Profeta Isaías:
Sião dizia: O Senhor... esqueceu de mim. Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? (...) E mesmo que ela o esquecesse, eu nunca te esqueceria. Eis que estás gravada na palma de minhas mãos... (Is 49,14-16).
Importa saber que a memória bíblica não é simples lembrança ou recordação, entendida como mera representação do passado morto. É antes ressurreição do passado, recriação do que foi, fazendo com que seus efeitos nos alcancem. É, portanto, atualização, renovação.
d) meditando-as...
Lucas usa uma palavra grega para dizer que Maria meditava. Ela confrontava as palavras, sinais, os eventos etc. e os procurava entender. Através desse processo, a Virgem, por trás dos “acontecimentos da vida”, procura enxergar a mão amorosa e onipotente de Deus. 
Mas o confronto iluminado desses eventos se dá especialmente com as sagradas Escrituras. Maria de Nazaré é uma mulher familiarizada com as Escrituras. Vale para ela o que diz São Paulo em 2Tm: Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras (3,15). É, exatamente, o que nos mostra Maria Santíssima no Canto do Magnificat com suas numerosas citações ou alusões bíblicas.
Mais um exemplo de Maria para refletirmos. Para Maria, como para todo membro piedoso do Povo de Israel, as Escrituras santas são o princípio de sua formação. São a cartilha de fé e vida. Elas fornecem o prisma pelo qual pode-se perceber o mundo e todos os acontecimentos da história. Assim, a Virgem vê tudo “à luz das Escrituras”. Mas não se trata aí das escrituras tomadas “ao pé da letra”, mas das escrituras ouvidas e memorizadas de modo vivo e criativo.
IV. A MEDITAÇÃO FEZ DE MARIA, MULHER SÁBIA E SANTA
Nas Escrituras, especialmente nos Salmos, quem “medita” a Palavra é ou torna-se sábio. Afirma-o mais de uma dezena de vezes o Salmo 119. Objeto da meditação do sábio são também as obras de Deus (Sl 77,13; 143,5). Essa meditação é constante: “dia e noite” (Sl 1,2).
A meditação do sábio é como o murmúrio do coração e mesmo da boca (Sl 19,15; Sl 49,4). Por isso se diz: A boca do justo medita a sabedoria (Sl 37,30); Minha língua o dia inteiro medita tua justiça (Sl 71,24). A meditação dos antigos era acompanhada com o “murmurar” dos lábios, como se estivessem em colóquio vivo com Deus. Isso lembra a repetição mântrica e a “ruminação” monástica.
A essa luz, Maria, mulher de meditação constante, emerge como figura da mulher “sábia”, ou como a “filha da sabedoria”. Mas quem é seu mestre espiritual? É o Espírito, em virtude do qual concebeu a Palavra. Diz Jesus que o Pai esconde seus segredos aos “sábios e entendidos” deste mundo para “revelá-los aos pequeninos” (Mt 11,25-26). Ora, a Virgem deve ser tida como “a primeira entre os pequenos” do Senhor. “Ela sobressai entre os humildes e pobres que esperam em Deus” (Lumen Gentium 55) e que Ele elege como confidentes privilegiados dos Mistérios do Reino.

V. CONCLUSÃO

Acrescentemos que o procedimento existencial de “conservar e meditar no coração” todas as coisas e acontecimentos acompanhou Maria durante toda a sua vida e não apenas na infância.
Maria foi mulher meditante também durante a vida pública de Cristo, em sua paixão, sob a cruz, depois da Páscoa e também após a Ascensão, quando começou a vida e a missão da primeira Comunidade cristã. Continuamente ela olhava para o filho, para o que ele fazia e dizia e se perguntava sobre o que tudo aquilo podia significar no Plano de Deus; sobre que aspectos do Mistério divino estavam aí se revelando. Aliás, todas as mães lançam sobre a vida dos filhos um olhar interrogativo e ao mesmo tempo interpretativo. Mas o caso de Maria é único, como único era seu filho.
Foi em particular aos pés da Cruz que a visão de Maria foi posta à mais dura prova. Quando Maria viu o filho pendendo da Cruz, que contemplava aí? “Ela, intrépida, de pé, junto da cruz do Senhor, ensina a contemplação da paixão” – diz um documento do Vaticano para os Religiosos.
A lição essencial que fica é que a experiência de Deus, como a viveu a Mãe de Jesus, tem sua “hora de glória”, como em Caná, mas também tem sua “hora de trevas”, como no Gólgota. Ver em tudo a presença de Deus e permanecer sempre em comunhão com Ele é o objetivo de toda meditação, a começar pela peregrinação à procura de Cristo.
Imitemur et nos, fratres, piam Domini Matrem (Imitemos, nós também, irmãos, a piedosa Mãe do Senhor).

MARIA

Ó Mãe por todos cantada,
Mãe do sol de suma justiça,
Mãe do povo cristão,
Glorificada no Oriente e no Ocidente,
dá-nos a união fraterna,
a nós que superamos a discórdia.
Dá-nos tua proteção materna,
para que todos possamos unir-nos
no corpo místico do teu Filho,
Jesus Cristo, nosso irmão e nosso Deus.
E dá-nos que te cantemos nossa alegria universal
com uma só e única voz.
ORAÇÃO RUSSA.





Pe João Medeiros Filho

Consultor acadêmico da Faculdade Dom Heitor Sales

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Maria, a Mulher Eucarística


I)                 LIGAÇÃO ENTRE MARIA E A EUCARISTIA
Esta é um Mistério de Fé, como pronunciamos após a consagração. Maria aceitou o mesmo anúncio, feito pelo Anjo. Na Anunciação, Ela também estava diante de um Mistério de Fé – ao qual respondeu generosamente com o seu Sim. Somos convidados a proclamar e aceitar esse mistério na Eucaristia. Sem dúvida, quando Maria assistia à celebração da Eucaristia nas primeiras comunidades devia sentir uma profunda alegria, em sua fé, por saber que ali estava novamente o seu Filho amado. Desta forma, a Eucaristia repete e atualiza a Anunciação, em que Cristo se fez presente para sempre: primeiramente no corpo de Maria, em seguida em uma nova anunciação mística, nas espécies do pão e do vinho.
João Paulo II, na Exortação Apostólica Mane Nobiscum, Domine, chama Maria Santíssima de Mulher Eucarística. Na Encíclica De Ecclesiae Eucaristia, o mesmo Papa proclama Nossa Senhora Primeiro Sacrário da Humanidade. Na verdade, toda a vida da Virgem Maria aconteceu em função da Eucaristia. Ela gerou o Filho de Deus, presença divina no sacramento do altar. Desta grande Mulher Eucarística, podemos destacar:
II)              MARIA É A PRIMEIRA COMUNGANTE DE TODA A HISTÓRIA DA HUMANIDADE
 Ela foi a primeira a receber Jesus Cristo, vivo, presente, real, hoje continuado no sacramento eucarístico. Gostaríamos também de chamar a atenção sobre outros pontos desta atitude de Nossa Senhora. Ela comungou o Cristo total, não apenas no mistério da Encarnação, mas em toda a sua vida. Recebeu Jesus, Palavra e Verdade, quando O acompanhava e bebia dos seus ensinamentos de Filho de Deus. Comungou o Cristo que sofre, quando se uniu a Ele no momento mais crucial de sua vida. Maria mostra-nos que devemos comungar o Cristo total. Às vezes, queremos receber apenas o Cristo da Eucaristia e esquecemos o Cristo do Evangelho, que questiona e nos pede mudanças, o Cristo do sofrimento e da angústia, real e presente na vida de nossos irmãos. Na intimidade e na simplicidade da vida de Nazaré, Maria recebeu e comungou também o Cristo silêncio e prece. Sem dúvida, na Última Ceia, a Mãe de Jesus O recebeu sacramentalmente, fechando todo o círculo da comunhão. Permanecendo sempre unida e fiel a seu Filho, em todos os momentos e circunstâncias, Maria é o modelo do comungante.
III) MARIA FOI A PRIMEIRA MINISTRA DA EUCARISTIA
No episódio da visita a Isabel, Maria tornou-se símbolo e modelo do ministro [ou ministra] extraordinário da Eucaristia. Pela leitura de Lucas, podemos verificar que Isabel não estava podendo sair de casa. Morava numa região serrana, de difícil acesso. Ela representa os doentes e idosos [o evangelista Lucas (1, 18) fala de Isabel, como uma mulher avançada em idade], que não podia sair de casa e participar dos atos da comunidade. Maria foi levar Cristo a Isabel, carregando-O consigo em seu próprio ventre. A Virgem Maria foi até a residência de sua prima, simbolizando do ministro da Eucaristia, que vai até a casa dos enfermos e idosos para levar o Pão da Vida. Seu diálogo com Isabel resultou numa prece e na belíssima oração do Magnificat. Da mesma forma, da comunhão que recebemos ou levamos deve brotar não só a prece de louvor e agradecimento ao Pai, mas também a prece de intercessão pelos que sofrem, os excluídos e injustiçados da sociedade. Maria, primeira comungante e ministra da comunhão, ensina-nos a solidariedade, que começa com a presença. Maria permaneceu com Isabel três meses (Lc 2, 56).
IV) MARIA FOI A PRIMEIRA CONTEMPLATIVA E ADORANTE DE CRISTO
Em Belém, diante da simplicidade de Cristo-Menino [hoje temos o mesmo despojamento do Filho de Deus nas espécies eucarísticas], Maria colocou-se em profunda contemplação e adoração. São Francisco foi de uma felicidade ímpar quando, ao criar o presépio, colocou a Virgem Santíssima, após o parto, de joelhos em profunda adoração ao Filho de Deus. O Papa João Paulo II, em sua Exortação Apostólica Mane Nobiscum, chama-nos a atenção sobre a importância da adoração silenciosa e contemplativa de Cristo vivo no sacrário. Maria tornou-se deste modo o exemplo de todos os adoradores e movimentos de adoração eucarística do mundo inteiro.
V) MARIA DO SILÊNCIO EUCARÍSTICO
Maria sempre recebeu Cristo na simplicidade e no silêncio. A Eucaristia requer um clima de silêncio. Isto significa que só Deus nos basta. As manifestações ruidosas são teologicamente contrárias ao espírito e à dimensão eucarística. Devemos ter cuidado com nossas missas nascidas do entusiasmo da Igreja eletrônica. A Eucaristia foi celebrada em silêncio, quer na Última Ceia, quer no alto da cruz. E toda a vida de Nossa Senhora foi marcada pelo silêncio. João Paulo II, falando sobre a Virgem Santíssima e sua vida de intensa meditação, assim escreve: À imitação da Virgem Maria, queremos viver à escuta da Palavra de Deus, atentos a seus apelos em nós mesmos, nos homens, nos acontecimentos e em toda a criação. Maria é a Virgem que medita. Temos uma frase significativa no evangelho de Lucas, quase no final do capítulo 2: Sua Mãe guardava todas estas coisas no seu coração (Lc 2, 51). Sabemos que a meditação é hoje um assunto posto de lado nos meios cristãos. Felizmente, está voltando à baila também a partir do novo interesse que suscita a “arte da meditação” nas antiquíssimas tradições orientais (budista, hinduísta, taoísta, etc.).
Maria é mulher eucarística na totalidade de sua vida. A Igreja, vendo em Maria o seu modelo, é chamada a imitá-la também na sua relação com este mistério santíssimo. Maria praticou a sua fé na Eucarística ainda antes dela ser instituída, quando ofereceu seu ventre virginal para a encarnação do Verbo de Deus. Assim se expressou o Sínodo dos Bispos concluído no dia 25 de outubro de 2005:
A Igreja vê em Maria, “Mulher Eucarística”, sobretudo aos pés da cruz, a própria figura e a contempla como modelo insubstituível de vida eucarística; sobre o altar, na presença do “verum Corpus natum de Maria Virgine”, a Igreja venera com especial gratidão, pela boca do sacerdote, a Santíssima Virgem (CONCLUSÃO. PROPOSIÇÃO 50).
VI) SIM DE MARIA E O AMÉM EUCARÍSTICO
João Paulo II, tantas vezes citado neste trabalho, ressalta que existe uma profunda analogia entre o Fiat (sim) pronunciado por Maria, em resposta às palavras do Anjo, e o Amém que cada fiel pronuncia quando recebe o corpo do Senhor.
Foi pedido a Maria acreditar na obra do Espírito Santo, a qual tornaria Cristo presente no seu seio e posteriormente visível no mundo. Na Eucaristia é-nos solicitado crer que Jesus, Filho de Deus e Maria, torna-se presente nos sinais do pão e do vinho com todo o seu ser. A esse respeito Santo Agostinho ressalta:
Para Maria, ter sido discípula de Cristo foi mais do que ser mãe dele (...) Por isso também Maria é bem-aventurada, porque ouviu a palavra de Deus e a guardou; guardou mais na mente a Verdade do que no seio a carne. Cristo é Verdade, Cristo é carne: Cristo Verdade na mente de Maria. Vale mais o que se carrega na mente do que o que se carrega no ventre. O parentesco materno não teria ajudado em nada a Maria, se ela não tivesse carregado Cristo de modo mais feliz no coração do que na carne (SERMONES 5, 7).
VII) MARIA É O PRELÚDIO DA EUCARISTIA    
Feliz Aquela que acreditou (Lc 1,45). Maria antecipou, no mistério da Encarnação, a fé eucarística da Igreja. E, na Visitação, quando leva no seu ventre o Verbo Encarnado, Ela serve de Sacrário (daí na Ladainha o título bíblico de Arca da Aliança) do Filho de Deus.
Alegra-te cheia de graça, o Senhor está contigo (Lc 1,28). Maria já é a mulher preparada, cheia de graça, imaculada, antes de aceitar receber Jesus em seu ventre. Torna-se para os cristãos modelo de preparação para comungar Cristo, que vem até nós, através da Eucaristia. E o olhar extasiado de Maria – quando contemplava o rosto de Cristo, recém-nascido e o estreitava nos seus braços – é o modelo perfeito de amor em que devem se inspirar todas as nossas comunidades e os adoradores eucarísticos.
VIII) MARIA E A DIMENSÃO SACRIFICIAL DA MISSA
Durante a sua existência terrena ao lado de Cristo – e não apenas no Calvário – Maria viveu a dimensão sacrificial da Eucaristia. Aos pés da Cruz vivenciou o drama do Filho crucificado. Preparando-se para o dia do Calvário, Maria vive a Eucaristia antecipada. Aquele corpo, entregue em sacrifício e presente agora nas espécies sacramentais do pão e do vinho, ressoa em Maria. É o mesmo coração que Ela carregou em seu ventre.
IX) MARIA NO MAGNIFICAT E A EUCARISTIA COMO AÇÃO DE GRAÇAS
Pela Eucaristia, a Igreja une os louvores a Deus. Pode-se aprofundar esta verdade relendo o Magnificat numa perspectiva eucarística. O cântico de Maria é louvor e ação de graças quando exclama: A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador (Lc 1, 47).
Maria trouxe Cristo no seu ventre. Louva o Pai por Jesus, em Jesus e com Jesus. É nisto precisamente em que consiste a verdadeira atitude eucarística. E aqui reside a dimensão escatológica da Eucaristia. Maria canta o novo céu e a nova terra, cuja antecipação encontra-se no sacramento eucarístico.
Diante dessa grandeza de Maria, S. João Damasceno confessa:
Que haverá de mais doce do que a Mãe de Deus? Ela cativou meu espírito, seduziu minha língua; penso nela dia e noite.Para o apaixonado, tudo o que se refere à pessoa amada é maravilhoso. As mais profundas intuições mariológicas surgiram de um entranhado amor a Maria (AD ZACCHARIAM, 95).
X) A ESPIRITUALIDADE EUCARÍSTICA A PARTIR DO EXEMPLO DE MARIA
Maria Santíssima está intimamente ligada ao Mistério Eucarístico e como tal à realidade missionária da Igreja.
A participação de Maria no mistério da Eucaristia corresponde, em primeiro lugar, à participação que ela teve na Encarnação. O Corpo que recebemos na hóstia é aquele que nasceu de Maria. Isto é um dado importante, pois esse corpo nascido de uma mulher é o corpo de Deus.
As ligações de Maria com a Eucaristia se prendem também ao fato de que a Mãe de Deus participou da fração do pão no dia de Pentecostes. Em outros termos, Maria estava presente no nascedouro da Igreja, isto é, de toda a atividade missionária. Destarte, ela é o modelo mais perfeito e mais concreto da comunhão do corpo de Cristo.
A Igreja, Povo de Deus que está a caminho, vive da Eucaristia, fruto do seio de Maria. Por isso, é impossível, separar qualquer reflexão sobre a Eucaristia e Missão, sem falar de Maria. O culto da Eucaristia pressupõe  o reconhecimento e o culto de Maria e vice-versa.
XI) DIMENSÕES PASTORAIS DA VIVÊNCIA EUCARÍSTICA DE MARIA
Muito podemos dizer a respeito daquela que é a Mãe do Salvador, Mãe da Igreja e nossa Mãe. No entanto, gostaríamos de refletir um pouco sobre Maria, a Mulher missionária e eucarística. Os três Sim de Nossa Senhora demonstram o que acabamos de afirmar. Maria tem uma profunda relação com a Santíssima Trindade e tal relacionamento é de suma importância para a história do cristianismo. Ela diz sim ao Pai, na pessoa do anjo e deste modo, torna-se Mãe. Eis a servidora do Senhor, faça em mim segundo a tua palavra (Lc 1, 38), Nossa Senhora torna-se mulher, isto é, Mãe do Filho de Deus. Nisto consiste a primeira expressão de sua realidade missionária. Ser missionário é tornar Cristo presente. Ninguém melhor do que Maria para trazer para perto dos homens Cristo, o Messias prometido. A missão é levar Cristo para os nossos corações e o coração de nossos irmãos. Encarnando o Filho de Deus, Maria trouxe Jesus para dentro de sua alma e aproximou o ser humano da Divindade. Neste ponto, Maria, depois de Cristo, torna-se a primeira missionária de toda a história cristã.
Maria disse um segundo Sim, quando no alto da cruz, no silêncio do seu olhar, mas na palavra da verdade de sua vida, respondeu a Cristo, afirmando que nos aceitava como filhos, tornando-se nossa Mãe. Mulher eis o teu filho... eis a tua Mãe (Jo 19, 27). Neste momento, Maria torna-se Mãe de toda a humanidade. Assim como Ela gerou Cristo, deseja nos gerar para uma vida nova. Eis a tarefa do missionário: gerar seres novos para uma vida nova em Deus pela graça. Maria foi a intérprete e a intermediária de Deus e dos homens. Ela torna-se a ponte entre o eterno e o efêmero, entre o divino e o humano. Em Cristo, Ela uniu Deus e o Homem. Na sua promessa ao Filho, Ela nos une ao Pai. Deste modo, Maria proporciona a aproximação do ser humano com o seu criador. Ora, isto é tarefa do missionário – cuidar para que o homem chegue perto de Deus. Santo Irineu dizia
A maternidade de Nossa Senhora tinha dois caminhos: gerando Cristo biologicamente, gerou Deus para o mundo e para os homens. Aceitando a humanidade como Mãe, Ela nos gera para Deus (AD HERESES, 3,22s).
Por isso, dizia outro devoto de Nossa Senhora, São Luís Maria Grignon de Montfort: Maria é o caminho que nos leva ao Pai (Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria, p.149). Por Maria chega-se a Deus. Per Mariam ad Iesum.
No dia de Pentecostes, reunida com os apóstolos no Cenáculo, Nossa Senhora disse sim silenciosamente ao Divino Espírito. Nesse momento memorável, Maria Santíssima torna-se Mãe da Igreja. Eis a outra face de sua realidade missionária. Ser missionário é construir ou ajudar a construir a Igreja e o Reino de Deus. Também nós somos missionários, na medida em que edificamos a Igreja de Cristo e o seu Reino. Nossa Senhora contribuiu pelo espírito de oração a trazer o Espírito Santo, o Espírito de Deus para o meio dos homens, representados pelos apóstolos de Jesus Cristo. Ser missionário é levar o Espírito, a mentalidade de Cristo, do Evangelho para o meio dos irmãos.
Em Maria resume-se toda a atividade missionária da Igreja de Cristo. Deu a luz Cristo: Palavra e Eucaristia. A missão consiste sobretudo nisso – gerar Cristo para tocar o coração dos homens. Sendo Mãe da Palavra, Ela trouxe o perdão e a esperança contribuindo para que o Espírito Santo, espírito do perdão e do amor estivesse no meio dos homens.
XII) MARIA E A TEOLOGIA EUCARÍSTICA
Há uma ligação estreita entre Maria e a Eucaristia. Esta é um Mistério de Fé, como pronunciamos após a consagração. Maria aceitou o mesmo anúncio, feito pelo Anjo. Na Anunciação, Ela também estava diante de um Mistério de Fé – ao qual respondeu generosamente com o seu Sim. Somos convidados a proclamar e aceitar esse mistério na Eucaristia. Sem dúvida, quando Maria assistia à celebração da Eucaristia nas primeiras comunidades devia sentir uma profunda alegria, em sua fé, por saber que ali estava novamente o seu Filho amado. Desta forma, a Eucaristia repete e atualiza a Anunciação, em que Cristo se fez presente para sempre: primeiramente no corpo de Maria, em seguida em uma nova anunciação mística, nas espécies do pão e do vinho.
João Paulo II, na Exortação Apostólica Mane Nobiscum, Domine, chama Maria Santíssima de Mulher Eucarística. Na Encíclica Ecclesia de Eucharistia, o mesmo Papa proclama Nossa Senhora Primeiro Sacrário da Humanidade. Na verdade, toda a vida da Virgem Maria aconteceu em função da Eucaristia. Ela gerou o Filho de Deus, presença divina no sacramento do altar. Desta grande Mulher Eucarística, podemos destacar:
CONCLUSÃO
Não podemos esquecer que uma Mulher viveu entre nós e hoje está no céu. Sendo Mãe de Deus em Cristo (aliás, a Maternidade Divina foi o primeiro dogma mariano), contempla o Pai eternamente com o seu olhar puro e maternal. Devemos também nos lembrar a cada instante que esta Mulher é nossa irmã – ser humano, igual a nós, filhos de Deus e pecadores – mas também Ela é nossa Mãe por livre vontade de seu Filho e Sua. E sendo Mãe, Ela colocar-nos-á em contato permanente com nosso Pai e o seu Filho dileto. Não podemos viver sem Mãe. Eis a razão maior porque Deus quis, pelo seu Filho amado, nos legar um coração materno, cheio de ternura e misericórdia, tradução terrena do divino. Não é sem razão que inspiradamente alguém a chamou de Rosto Materno de Deus!
Maria também é filha da terra. E como nós, peregrinos, Ela aspirou e esperou pela Pátria definitiva e prometida, onde o Reino de seu Filho é uma realidade, onde sua ternura continua a se oferecer a cada um de nós.  Maria é a única que pode matar as nossas saudades de Deus, pois Ela também esperou por Aquele que seria capaz de trazer a Vida e a Paz. Mais do que ninguém, Ela teve a sede da salvação e, privilegiada, teve o Salvador em suas mãos. E como acontecera com Isabel, temos certeza de que Ela nos trouxe aqui para nos dar Aquele que é nossa alegria e razão de ser de nossa vida. Que Ela nos abençoe sempre, nos acalente nos momentos de desânimo e tenha um afetuoso sorriso de Mãe para cada um de nós seus filhos. Que Ela volte sempre seu olhar de ternura para nós. Assim seja!



Pe. João Medeiros Filho
Consultor Acadêmico da Faculdade Dom Heitor Sales 

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Maria Santíssima na Sagrada Escritura



Grandes e numerosas são as glórias da Virgem Maria, que devemos propagar e cantar os seus louvores conforme o nosso carisma fazer Maria Santíssima mais conhecida e mais amada, preparando a segunda vinda gloriosa de Jesus!
O Papa Paulo VI na sua Encíclica Marialis Cultus nos diz que devemos venerar a Mãe de Deus a partir do que a Sagrada Escritura revela a seu respeito, ou seja, devemos ter fundamentação bíblica e esse mesmo pensamento é reiterado por todos os seus sucessores.
Temos, portanto a obrigação de enquanto consagrados a Ela, compreender e ver na Sagrada Escritura, que é a Revelação Escrita, o que Deus nos diz a respeito da “Mais bela e sublime das suas criaturas”, como se refere nosso Baluarte São Luís Maria G. Montfort.
Muitos estudiosos da Sagrada Escritura, afirmam que o tema Mariano está escondido sob três modos no Antigo Testamento: Preparação Moral, Preparação Tipológica e Preparação Profética;                       
Preparação Moral: indica que como a humanidade estava corrompida pelo pecado, Deus escolhe uma linhagem de fé e santidade para que o seu Filho pudesse nascer da humanidade.
Preparação Tipológica: mostra uma linhagem figurada, pois ao vermos as figuras de Sara, Judite, Isabel, a própria Sant’Ana, algumas favorecidas com gestação milagrosa no Antigo Testamento, fazem parte dos ancestrais do Messias que era tão esperado. Nossa Senhora aparece prefigurada em (Sof 3, 14-17) “Filha de Sião”, o lugar da residência de Javé. Ela está também na Nova Arca da Aliança (pois dentro da Arca era depositada a Lei, que vai trazer dentro de si a Lei definitiva, a Revelação de Deus que é o próprio Filho Jesus).
Preparação Profética: faz ver como os Profetas anunciaram e o povo de Deus esperava. Entretanto, o próprio Deus quis servir-se de Maria Santíssima para que o seu Plano de Salvação da humanidade fosse realizado (TVD).
Então vejamos algumas passagens bíblicas do Antigo Testamento, que faz referência a Ela como a escolhida entre todas as criaturas:
Gn 3,15: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”.
Ct 4,7: “És toda formosa, ó minha amada e não há mancha em ti”.
Jr 31, 22b: “Pois o Senhor criou uma coisa Nova na terra. Uma mulher protege a um varão”.
Is 7,14: “Portanto, o Senhor mesmo dará um sinal, eis que uma Virgem conceberá e dará a luz um filho e será o seu nome Emanuel”.
Miq 5,1-4: “Mas tu, Belém Efrata, pequena entre as aldeias de Judá, de ti é que sairá para mim aquele que há de reinar em Israel... E Ele permanecerá e apascentará o povo na força do Senhor... E Ele próprio será a Paz”.
Ez 44,2: “Javé me disse: “Este pórtico ficará fechado. Não será aberto, e ninguém entrará, porque por ele entrou Javé o Deus de Israel. Por isso permanecerá fechado”.
Já no Novo Testamento, temos muitas passagens das suas glórias, que conhecemos e estão muito claras.
Lc 1,26-38: “Quando Isabel estava no sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus... A Virgem se chamava Maria. O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça! O Senhor está contigo “... Não tenhas medo Maria! Encontraste graça junto a Deus. Conceberás e darás a luz um filho. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu Pai. Ele reinará para sempre sobre a descendência de Jacó, e o seu reino não terá fim “... “O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a tua sombra”... Maria disse: “Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra”.
Lc 2,41-45: “Quando Isabel ouviu a saudação de Maria... Com voz forte ela exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como mereço que a mãe do meu Senhor venha me visitar?... Feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!”.
Lc 2,45-55: Cântico de Maria “O Magnificat”
 Jo 19,26-27: “Jesus, ao ver a sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse a sua mãe: “Mulher eis o teu filho!”Depois disse ao discípulo: “Eis a tua mãe!”A partir daquela hora, o discípulo a acolheu em sua casa”.
At 1,12-14: “Então os apóstolos deixaram o Monte das Oliveiras e voltaram para Jerusalém... Entraram na cidade e subiram para a sala de cima onde costumavam ficar. Eram Pedro e João, Thiago e André,... Todos eles perseveravam na oração em comum, junto com algumas mulheres entre elas, Maria a mãe de Jesus”.
Ap 12,1: “Então apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida com o sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça, uma coroa de doze estrelas”.
Portanto, mostremos a todo o mundo, que a Espiritualidade da Virgem Maria consiste numa total intimidade com Jesus:
Biológica: por ser mãe (sangue do seu sangue);
Afetiva: porque Jesus foi seu supremo e absoluto amor desde toda a Eternidade;
Apostólica: porque unida a Obra da Salvação, intercede por toda a humanidade
                 Pois Ela é real e presente na Sagrada Escritura. Que possamos com convicção apresentar a todos a Nossa Mãe amada, que conforme está em (1 Jo 5,1) “Quem acredita que Jesus é o Messias, nasceu de Deus, e quem ama Aquele que o gerou, ama também Aquele que por Este foi gerado”.



Maria de Fátima Delgado

Membro nível III de Aliança, casada e membro do Conselho Geral da Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus.

Para citar esse artigo:
Maria de Fátima Delgado - "Maria Santíssima na Sagrada Escritura"
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus
Online, 01/09/2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O Sacerdócio na Vocação Discípulos da Mãe de Deus


“O sacramento da ordem comunica “um poder sagrado” que é o próprio poder de Cristo. O exercício desta autoridade deve, pois, ser medido pelo modelo de Cristo que, por amor, se fez o último e servo de todos”. (CIC 1551)

            Os sacerdotes são os filhos prediletos da Santíssima Virgem Maria, por este exímio título e pela participação no sacerdócio real de Cristo, para se tornarem membros da Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus devem entregar suas vidas ao patrocínio da Imaculada, para que Ela os guarde e os gera diariamente para a vida de Cristo.

            Aos sacerdotes que desejam viver o carisma será proporcionada a vivência do zelo, da doação total e a busca pela perfeição do seu ministério, para que sejam exemplos nas normas da Igreja à exemplo da Mãe da Igreja. Estes podem aspirar à vivência da vocação na forma de comunidade de vida ou aliança, tendo tratamento especial e diferenciado, no envolvimento dos diversos ministérios e serviços da comunidade, seja no auxílio na Formação ou na dispensa dos Sacramentos, como também estarão a serviço da diocese local.

            Tendo como exemplos os nossos Baluartes de nossa vocação: São João Maria Vianney, o Cura D’ars se esforçando por imitar o seu exemplo de serviço, doação, amor e dependência para com aquela que Ele saudava todos os dias, a Imaculada Conceição; São Luís Maria Grignion de Montfort por sua total entrega e submissão a Mãe de Deus, seu amor as cruzes e obediência a Santa Igreja; São Simão Stock “o Amado da Flor do Carmelo”, a prefiguração do Discípulo Amado, na devoção e no amor filial para com a Bela Senhora.

E Com a Virgem Maria empreenderão grandes coisas pelo Reino de Deus e da Augustíssima Senhora e pela salvação das almas predestinadas!




Mônica Mariana

Missionária DMD, graduanda do curso de Teologia.






Para citar esse artigo:
Mônica Mariana - "O Sacerdócio na Vocação Discípulos da Mãe de Deus".
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus
http://formacaodiscipulosdamaededeus.blogspot.com/2011/08/o-sacerdocio-na-vocacao-discipulos-da.html
Online, 22/08/2011

sábado, 13 de agosto de 2011

Celibato: Um chamado de Deus, um dom do Espírito, uma resposta minha


Quem nunca sentiu uma chama arder nas entranhas ao meditar no Evangelho de são Marcos “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito e de todas as tuas forças.”( Mc 12,30)? Que grandioso convite Deus nos instiga, através do evangelista.
Quantas vezes a sociedade julga esse dom tão belo apenas como renúncia ao envolvimento sexual. Ser celibatário não é apenas abster-se de um relacionamento afetivo-sexual com um semelhante do sexo oposto. É canalizar toda essa potência de amor e doação, que todos naturalmente nasceram capacitados, ao serviço de Deus e da humanidade. Devendo esse amor que não nasce "nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus" (Jo 1,13) ser vivido de uma forma totalitária e "sem distinção de pessoas," (At 10,34).
Esse chamado especial de amar não deve ser expressado partindo de nossa limitação humana, pecadora e infiel. Mas, chamados a amar com o coração e a liberdade de Deus, amando a todas as pessoas sem ligar-se a nenhuma e sem excluir alguma, não agindo com critérios de simpatia ou afeto. A exemplo do próprio Jesus, amar aqueles que mais eram julgados de não serem dignos de amor.
Consciente do papel diferenciado que é chamado na sociedade, o celibatário deve amar em particular quem é mais tentado a não se sentir amável ou quem realmente não é amado.
O que vivifica a vocação é o amor. Como “todo” amor, o que move primariamente a vocação não é a renúncia a instintos e tentações, muito menos dizer não a experiência de amar e ser amado. Também não nasce de um desejo e pretensão de perfeição ou de uma imposição doutrinária e canônica. Muito menos de uma imposição interna como medo do outro sexo, desengano de relacionamentos anteriores ou fuga da homossexualidade. A escolha em atender ao chamado de Deus pelo celibato, em vista do Reino, consiste no amor, tem sua fonte e fim no amar.
Descobrir a beleza Daquele a quem contemplamos como nosso Pai, Senhor, Salvador e Amado e experimentar a potência da minha capacidade de amar sem medidas, quando amo com o seu coração é a água de nosso chamado. Água essa que nutre quando se há aridez, purifica quando se há sujeira em enxergar e rega quando se deseja crescer.
O Amado de nossa vocação é Deus e tudo que Ele leva consigo. Espiritualmente podemos citar: a Eucaristia sendo vivenciada como memorial vivo da Paixão e Ressurreição de Nosso Senhor, celebrado pela Igreja Universal. O respeito e incentivo às devoções populares (coerentes com a sã doutrina) que o povo simples de Deus tributa ao Senhor com amor e fervor. A oração pessoal como momento de intimidade com o Esposo. Vivendo e buscando conformidade com o agir de Deus, fazendo tudo por, para, com e em Maria Santíssima.
            Contudo, o amor divino e humano não se rivaliza ou rompe-se, pois o objeto de nosso amor é também o próximo. Principalmente o próximo que o Senhor confiou aos nossos cuidados: àqueles que desejam consagrarem-se a Jesus pelas mãos da Virgem Maria, as crianças e jovens catequizados por nosso Carisma e ao Clero que somos chamados não apenas a rezar mas a exortar a sua adoção espiritual.
            Brota de nosso coração a dúvida de como amar. Podemos afirmar que amar com totalidade é amar a Deus com o coração humano e amar a Criatura com afeição divina. Amar com nosso coração de carne educado pela liberdade de Deus a amar com a Sua altura, largura e intensidade. Como Jesus e a Virgem Maria na Cruz, que amaram a Deus acima de tudo e o homem distante de Deus com o pecado.
É certo que a renúncia aos laços definitivos e exclusivos com qualquer criatura é renunciado ao abraçar o amor de Deus com o coração pleno. Não preferindo e nem excluindo por instinto, espontânea atração e nem interesse pessoal. Mas essa renúncia em vista d’Aquele que será abraçado, parece-nos suave e necessária para que alarguem-nos os braços a fim de estar abraçando ainda nesta terra o que havemos de  desfrutar e adentrar plenamente no Céu.
Esposo(a) do Eterno, olhai e vede quão suave é o Senhor! E toda a figura desse amor terreno perderá seu brilho e com os olhos além do horizonte dessa vida já podereis vislumbrar as núpcias com Aquele que nosso coração ama e busca sem cessar(Ct 3,1).
Ó Virgem Maria, Esposa das esposas, ensinai-nos o querer do Amado e ajudai-nos a empreender tudo para a sua plena realização. Guardai-nos santos, imaculados e irrepreensíveis aos olhos do Pai a fim de que sejamos receptáculo e dispenseiros desse amor à humanidade. Abrasai-nos com as chamas de Vosso Coração Imaculado e inflamai-nos com a Vossa caridade ardente. Dai-nos uma fé pura e uma esperança firme nas promessas da eternidade para que ainda nesta terra cantemos um cântico novo ao Senhor. Ó Mãe Fiel, sendo Vós o nosso modelo, orientai a nossa vida para que sejam oferecidas como primícias ao Cordeiro. Amém!


 


Isabelle de Maria

Consagrada a Nossa Senhora.






Para citar esse artigo:
Isabelle de Maria - "Celibato: Um chamado de Deus, um dom do Espírito, uma resposta minha"
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus
 http://formacaodiscipulosdamaededeus.blogspot.com/2011/08/celibato-um-chamado-de-deus-um-dom-do.html
Online, 13/08/2011

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

As Riquezas do Matrimônio


             
“O consentimento pelo qual os esposos se entregam e se acolhem mutuamente é selado pelo próprio Deus. A aliança dos esposos é integrada na aliança de Deus com os homens: ‘O autêntico amor conjugal é assumido no amor divino” (CIC, 1639).
            A união entre homem e mulher, como nos orienta nossa Santa Mãe Igreja, não é mera instituição humana, mas designa a própria vontade divina, pois nasceu do coração do próprio Deus. Selado pelo próprio Salvador, esse sacramento é indissolúvel, fonte inexprimível de bênçãos, e caminho de santificação para o casal.
            O Sacramento do matrimônio é ainda, um tesouro de riquezas insondáveis, que exprime de maneira perfeita a união de Cristo com a Igreja, por isso os casais devem se amar tal como o Senhor amou a Sua Esposa e se entregou por Ela, sendo a aliança entre eles indissolúvel, também o matrimônio o é. Esse é, portanto, o grande mistério do amor conjugal: prefigurar o amor imaculado e indissolúvel de Deus pelo Seu povo! (Cf. Ml 2,14; Ef 5, 21-33).
            Tendo em vista a beleza que é esse Sacramento, não podemos nos deixar levar pela concepção errônea que o mundo tenta difundir, utilizando-se, sobretudo, das novelas, filmes e programas para deturpar o seu real sentido. É preciso combater a falsa visão de que o sexo pode ser vivido no tempo do namoro, ou ainda, que o casamento existe pelo simples fato de “morar junto”. Muitos jovens pensam que casar é “ter uma vida sexual oficializada” ou então, “curtir a vida a dois sem preocupação”!
            Ora, não é nada disso! O verdadeiro sentido do matrimônio ou do casamento é o amor verdadeiro, que exige maturidade, doação e responsabilidade. Não se trata de uma brincadeira, que “se não der certo separa”... Trata-se de uma decisão séria, pois será por toda a vida e implica a formação de uma família!
É, pois, na família que reside a maior expressão da fecundidade do casal. Os filhos são dom de Deus e expressam os frutos do matrimônio, devem ser desejados desde o primeiro instante que decidem se casar. Nesse contexto, o sexo assume grande importância, pois consiste na celebração do amor conjugal, unindo em profundidade o corpo e a alma do casal, que cumpre por meio desse ato de amor, o admirável desígnio de Deus que ao criá-los ordenou: “Sereis uma só carne” (Cf. Gn 2,24), e ainda “Crescei e multiplicai-vos” (Cf. Gn 1, 28).
Conforme nos aponta Aquino (2010, p.17): “O sexo é algo muito sublime no plano de Deus, é um ato santo e santificador no casamento e querido por Deus”. Por ser revestido de tamanha dignidade, incluindo em seu plano a geração de novas vidas é que o sexo deve ser vivido de maneira correta, amparado pelas bênçãos do Sacramento do Matrimônio. Dessa maneira, a vivência sexual não deve fazer parte do tempo do namoro, pelo fato de não existir entre os namorados a aliança consolidada do matrimônio. Assim, devem viver a castidade, preocupando-se em conhecer a alma e não o corpo da pessoa amada.
A castidade é uma virtude belíssima! Reflete a pureza do amor e a sua magnificência! Por meio da castidade São José e Nossa Senhora viveram o Sacramento do Matrimônio em sua plenitude. De acordo com o Beato João Paulo II, o Papa escravo de Nossa Senhora: “A comunhão de amor virginal entre Maria e José, embora constitua um caso muito especial, ligado à realização concreta do mistério da Encarnação, foi todavia um verdadeiro matrimônio”.
A aliança entre os dois era autêntica, pois possuíam a alma e o coração verdadeiramente desposados! Em decorrência desse amor verdadeiro, São José e Nossa Senhora formaram uma verdadeira família, estruturada nos alicerces da Vontade de Deus, possuindo a sua centralidade em Cristo e animada pelo Espírito Santo.
            Somos todos chamados a imitarmos o modelo de santidade da família de Nazaré. Os esposos devem se dedicar a observância das virtudes de São José, buscando viver a sua castidade, humildade, mansidão, justiça, desapego, dedicação, e, sobretudo, a sua total disposição em fazer a vontade de Deus. As esposas, por sua vez, devem buscar ser para seus esposos tal como Nossa Senhora para São José, imitando a Sua doçura, o Seu zelo, Sua delicadeza, paciência, amorosidade, diligência, sobretudo o Seu silêncio, que representava o acolhimento perfeito dos planos divinos.
 Se o casal buscar viver de fato cada uma dessas virtudes, conseguirá gerar e educar seus filhos no amor de Deus, orientando-os à santidade, de tal maneira, que nascerão de nossos lares uma nova geração de homens e mulheres... Novos “Josés”, novas “Marias”, novos “meninos Jesus”, e assim, novas famílias sagradas!
Conhecendo as imensuráveis riquezas do Sacramento do Matrimônio, façamos o firme propósito de obedecermos ao chamado de Deus em nossas vidas: a santidade! Como? Sendo fiéis a nossa vocação, fixando os nossos pés na Promessa de Deus para a nossa vida!
Promessa que para nós, casais Discípulos da Mãe de Deus, se traduz em nossa Palavra de Fundação (Cf. 1 Tm 4, 12-16), onde o Senhor nos ordena: “Torna-te modelo para os fiéis! No modo de falar e de viver, na caridade, na fé e na castidade” e nos promete: “Se isto fizeres, salvar-te-ás a ti mesmo e aos que te ouvirem!”
Que essa ordem do Senhor se estenda a todos os casais, para que sejam modelo e testemunho para os fiéis na vivência de um matrimônio santo!


Sagrada Família de Nazaré, rogai por nós!

Confira também Entrevista com os nossos fundadores!
BIBLIOGRAFIA

AQUINO, Felipe Rinaldo Queiroz de. Matrimônio. Coleção Sacramentos. São Paulo: Editora Canção Nova, 2007.

______. Sereis uma só carne. Lorena: Cléofas, 2009.

______.Vida Sexual no Casamento. Lorena: Cléofas, 2010.

______. A Virgem Maria – 58 catequeses do Papa João Paulo II sobre Nossa Senhora. Lorena: Cléofas, 2006.

IGREJA CATÓLICA. Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Loyola, 2000.





Pollyanderson Mariano e Maria Cristina

Membros nível II de Aliança, residentes do Condomínio Mãe de Deus e Coordenadores da Missão temporária da Fraternidade em Santa Cruz/RN.






Para citar esse artigo:
Pollyanderson e Maria Cristina - "As Riquezas do Matrimônio"
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus
http://formacaodiscipulosdamaededeus.blogspot.com/2011/08/as-riquezas-do-matrimonio.html
Online, 03/08/2011