quinta-feira, 11 de novembro de 2010

DOGMA MARIANO I: Mãe de Deus

por Bruna Maria 


Mãe de Deus ou THEOTOKOS foi o primeiro dogma da Virgem Maria reconhecido pela Igreja. Sua promulgação ocorreu no Concílio de Éfeso (431 d.C.) pelo Papa Clementino I, e, após algum tempo foi confirmado por outros Concílios universais: o de Calcedônia e os de Constantinopla II.


A Maternidade Divina de Maria Santíssima é, sem dúvida, a maior glória e a maior dignidade que Deus reservou para Ela. Todas as atenções de Deus, dos anjos, das pessoas iluminadas pelo Espírito Santo, como o Anjo Gabriel, Isabel, e mesmo Jesus, são motivadas e ligadas todas elas à Maternidade Divina de Nossa Senhora.

Para entender essa verdade de fé reconhecida pela Igreja é necessário fixar claramente alguns pontos sobre o que a Bíblia, o Catecismo, a tradição e o Magistério da Igreja nos direcionam a respeito da Santíssima Trindade.


Santíssima Trindade
O dogma da Santíssima Trindade nos garante que não existem três deuses, mas Três Pessoas Divinas formando um só Deus (Pai, Filho e Espírito Santo). Essas Três Pessoas possuem a mesma natureza ou substância e são relativas entre si, ou seja, não existe nenhuma hierarquia entre elas. Deus Pai não é maior do que Deus Filho, que por sua vez, não é maior do que o Espírito Santo ou o contrário.

A Santíssima Trindade é eterna, onipotente, onipresente, onisciente, amor e misericórdia, Criadora de todas as coisas visíveis e invisíveis; tudo o que existe foi criado por ela. Na criação do mundo, por exemplo, podemos observar claramente a sua presença: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança...” (Gên: 1, 26), à imagem e semelhança da Santíssima Trindade.

Na história da salvação se pode observar que Deus é o mesmo ontem, hoje e sempre, tendo Sua dinâmica segundo a manifestação que faz em cada tempo.

No antigo testamento é a Pessoa de Deus Pai que se manifesta na interação com Adão, Moisés e os profetas. A partir da encarnação do verbo, no seio da Virgem Maria, esse mesmo Deus se faz homem e se oferece em sacrifício na cruz, manifestando-se na Pessoa do Deus Filho. Após a sua morte e ressurreição gloriosa, Ele não está no meio de nós feito homem, mas é manifestado na pessoa do Espírito Santo Paráclito, Aquele que conduz a Igreja.

Mesmo manifestando-se através de três Pessoas distintas, Deus é UM só, e, a Virgem Maria sendo Mãe de Jesus, é, também, a Mãe de Deus.

Mãe de Jesus, Mãe de Deus
Quando dizemos que Maria Santíssima é Mãe de Deus não devemos entender que Ela tenha gerado em seu seio a divindade de Jesus Cristo. Nossa Senhora é Mãe do Filho de Deus, Jesus Cristo, o qual é Deus como o Pai e o Divino Espírito Santo. O Filho de Deus é pessoa divina, própria e individual. Antes de se encarnar, não existia Jesus Cristo, como Homem-Deus, mas como Puríssimo Espírito. Todas as ações de Jesus Cristo, milagres, ofensas, dores e sofrimentos são atribuídos a Jesus, homem-Deus.

Por tudo isso, Nossa Senhora é Mãe do Filho de Deus, feito homem, e, sendo Jesus Cristo Deus, por conclusão lógica, entende-se que Ela é Mãe de Deus.

Mãe em sentido pleno
O Catecismo da Igreja Católica nos diz que todo ser humano possui em si uma parte espiritual, criada por Deus (alma) e uma parte material, preparada pelos pais (corpo).

Como pessoa, o ser humano, começa a existir quando a parte material e a parte espiritual se unem substancialmente no seio de sua mãe. Mas, a mãe, juntamente com o pai, só prepara a parte material, pois a alma, como dito, foi criada diretamente por Deus.

Entretanto, o ser humano considera a sua mãe como mãe em sentido pleno, como aquela que o gerou. E, assim Maria Santíssima gerou seu Filho Jesus Cristo em seu seio, embora a parte divina de Jesus, a sua pessoa divina, já existisse desde toda eternidade.
A Santíssima Virgem, dando à luz Jesus Cristo, deu à luz seu Filho, o qual é totalmente Deus e totalmente homem. Nossa Senhora é verdadeiramente Mãe de Deus, porque Jesus Cristo é Deus.

Prova na Escritura
Nenhum dogma é proclamado pela Igreja sem que antes sejam discernidos os argumentos que os constituem. A Sagrada Escritura é de suma importância neste discernimento. Os dogmas não contradizem aquilo que já foi inspirado pelo Espírito Santo nos Textos Sagrados, pelo contrário, o Catecismo ensina que essas verdades contidas na revelação Divina são luzes no caminho da fé, ou seja, ajudam a compreender a Bíblia de maneira coerente.

Em diversas passagens bíblicas, fica evidenciado que Nossa senhora é Mãe de Deus.
Já no Antigo Testamento o Profeta Isaías proclamava: “Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará ‘DEUS CONOSCO’” (Is: 7, 14).

No decorrer de toda a sagrada escritura também é observada, muito forte, a presença dos anjos como mensageiros da palavra de Deus. Os anjos não falam em seu próprio nome, mas em nome do Senhor.

No momento da anunciação não foi diferente, o Anjo Gabriel foi um instrumento de Deus: “Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono do seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim.” (Lc: 1, 30 – 33).

Após a Virgem conceber, o evangelista Lucas narra que Ela foi à casa de sua prima Isabel, esta por sua vez, repleta do Espírito Santo (aqui não pode haver dúvida, pois é Espírito Santo quem fala), ao ver Maria Santíssima em sua casa, assim a saúda: “Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe do meu SENHOR?” (Lc: 1, 43).

O apóstolo Paulo também declara: “ Mas quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma MULHER e nasceu submetido à lei...” ( Gl: 4,4).
Assim, fica evidenciado, como em várias outras passagens que Nossa Senhora é de fato a Mãe de Deus.

Hereges negam que Maria Santíssima é Mãe de Deus
Desde antes da reforma protestante, alguns hereges negavam que Jesus não era totalmente homem, mas tinha só um corpo aparente, e que, a Virgem Maria, seria simplesmente mãe da parte humana de Cristo.

No século quinto da Era Cristã, Nestório, ex-bispo católico, levantou a dúvida quanto ao fato de ser a Santíssima Virgem a Mãe de Deus e colocando-a, tão somente, como mãe de Jesus Cristo, em sua forma puramente humana.

Para resolver a dúvida, foi instalado o Concílio de Éfeso, e, após diversas discussões sobre a Maternidade Divina, o Patriarca de Alexandria, São Cirilo, juntamente com diversos outros teólogos, bispos e religiosos, condenaram a doutrina de Nestório e no ano de 431, o dogma foi definido da seguinte forma: “Se alguém não professa que Emanuel (Cristo) é verdadeiramente Deus e que a Virgem Santa é Mãe de Deus (theotokos), que gerou segundo a carne o logos de Deus feito carne, seja excomungado”.

O Concílio Vaticano II faz referência ao dogma da seguinte maneira: “Desde os tempos mais remotos, a Bem-Aventurada Virgem é honrada com o título de Mãe de Deus, a cujo amparo os fiéis acodem com suas súplicas em todos os seus perigos e necessidades”. (Constituição DogmáticaLumen Gentium, 66).

São Luis Maria Grignion de Montfort, no Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, declara que quanto mais o Espírito Santo encontra numa alma a Virgem Maria mais Ele a fecunda. Por estes e por outros motivos que o próprio Espírito Santo suscita no coração daqueles que amam a Virgem Santíssima podemos declarar que Maria Santíssima é Mãe de Jesus e é Mãe de Deus.



Bibliografia
BATTISTINI, Frei Francisco. 
Maria nosso sim a Deus. 4 ed. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1984.
CARVALHO, Mara Lúcia Figueiredo Vieira de.
Totus Tuus! Manual de Consagração a Jesus por Maria Santíssima. 1 edição. Natal: Mater Dei, 2006.

http://blog.cancaonova.com/fatimahoje/dogmas-marianos/
on line, acessado em 03/08/2009 às 14:57.






Bruna Maria é membro aliança nível 2 da Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus.


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