quinta-feira, 8 de março de 2012

Que nos tornemos melhores...[1]


A perene validade do apelo quaresmal
Dom Matias Fonseca de Medeiros OSB*
O retorno desses dias que os mistérios da salvação humana marcaram de modo mais especial e que precedem imediatamente a festa da Páscoa, exige que nos preparemos com maior cuidado por meio de uma purificação espiritual.[2]
                Todos os anos, a Igreja, no tempo da Quaresma, convida seus filhos e filhas a acessar a misericórdia divina através de um programa de conversão evangélica. As celebrações litúrgicas desse período nos inserem naquela atmosfera penitencial que, paulatinamente, nos vai conduzindo ao monte santo da Páscoa. Por outras palavras, secundando o que dizia São Leão Magno, nesses quarenta dias dedicados a uma cuidadosa purificação espiritual, nos preparamos, reverentes, para usufruir os dons pascais.[3]
UM PROCESSO TERAPÊUTICO
                Com efeito, a penitência quaresmal se apresenta como um processo terapêutico de cura do pecado e do mal que, voluntariamente ou não, praticamos. Já São Paulo advertia, na Carta aos Romanos, para essa realidade contraditória e incoerente que habita o ser humano: Não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero.[4] Contudo, longe de nos acomodarmos a um pessimismo estéril, sabemos que a graça de Cristo torna-se força de renovada transformação quando lhe abrimos de par em par as portas do coração. Por isso mesmo, com afetuosa solicitude, a Mãe Igreja propõe a seus filhos esse tempo favorável, exortando-os a não receber em vão a graça divina.[5] Mediante um conjunto de práticas exteriores, queremos dar significado a nossa disposição interior para mudar de vida. São Bento, ao organizar a programação quaresmal de seus monges, elenca algumas dessas práticas.[6]
Para vivenciar ao inverso a palavra de São Paulo há pouco mencionada, ou seja, fazendo o bem que queremos e evitando o mal que não queremos mais praticar, é necessário, antes de tudo, entrar no próprio íntimo e buscar a conversão do coração, pedindo com o Salmista: Criai em mim, ó Deus, um coração puro, renovai em mim um espírito resoluto.[7] Sem essa «transformação cardíaca», os atos de penitência, além de desprovidos de qualquer sentido, não passariam de meras formalidades. E contra tais extereótipos inócuos, o Salvador é taxativo no Evangelho: Ai de vós...[8]
Na verdade, o Senhor está sempre esperando de nós aquilo que, com tanta justeza, o Salmista também exprime: Sacrifício para Deus é um espírito contrito; não desprezais, ó Deus, um coração contrito e humilhado.[9] Só um coração assim, convertido e restaurado, será capaz de produzir frutos de autêntica santidade. Análogo ensinamento vamos encontrar no Catecismo da Igreja Católica: Este esforço de conversão não é apenas uma obra humana. É o movimento do «coração contrito» atraído e movido pela graça a responder ao amor misericordioso de Deus que nos amou primeiro.[10]
UM CORAÇÃO CONTRITO
Falamos de coração contrito. O profeta Ezequiel trata, em seu livro, da remoção de um coração de pedra que será substituído por um outro de carne: Eu vos darei um coração novo e porei em vós um espírito novo. Removerei de vosso corpo o coração de pedra e vos darei um coração de carne.[11] Através da palavra profética, Deus nos convida a uma mudança de atitudes que consiste no «amolecimento» do coração contaminado pelo pecado e pelo orgulho. A contrição é a etapa de passagem do coração de pedra para o coração de carne, ou seja, do coração ferido pelo mal, pesado e enrijecido, para o coração purificado, renovado e recuperado na ordem da graça.
A contrição que converte é, sem dúvida, conseqüência da penitência interior, que justifica as práticas penitenciais exteriores. Melhor explicando: os sinais visíveis de penitência expressam seus movimentos interiores.
E o que é a penitência interior? É uma orientação radical de toda a vida, um retorno, uma conversão para Deus de todo o nosso coração, uma ruptura com o pecado, uma aversão ao mal e repugnância às obras más que cometemos. Ao mesmo tempo, é o desejo e a resolução de mudar de vida com a esperança da misericórdia divina e a confiança na ajuda de sua graça.[12]
Sabendo de tudo isso, nada mais resta senão pôr em prática, no cotidiano da vida, o que o Senhor está, aqui e agora, pedindo, a cada um de nós: Precisais deixar a vossa antiga maneira de viver e despojar-vos do homem velho, que vai se corrompendo ao sabor das paixões enganadoras. Por outro lado, precisais renovar-vos, pela transformação espiritual de vossa mente, e vestir-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, na verdadeira justiça e santidade.[13]
UMA «VIDA QUARESMAL»
É costume nos mosteiros beneditinos que, no início da Quaresma, os monges entreguem ao Abade uma cédula na qual escrevem algumas penitências que se propõem a praticar, durante a sagrada quarentena, com o propósito de se corrigirem das faltas cometidas. Pretendem assim não apenas celebrar a Santa Páscoa com o coração purificado de todas elas, mas também melhorar daí por diante a qualidade e a prática de sua vida espiritual e humana. Concretamente, é o esforço que cada um realiza, buscando a transformação da própria mente a fim de tornar-se um homem novo, isto é, viver, com o auxílio da graça, na verdadeira justiça e santidade.
Embora a Regra de São Bento trate da observância da Quaresma em um capítulo específico,[14] contudo, em muitas de suas passagens, o tema da conversão está sempre presente. No mencionado capítulo, quando se afirma que a vida do monge deve ser, em todo o tempo, uma observância de Quaresma,[15] claro está que o inteiro viver do monge é um processo gradual e permanente de renovação interior. Neste sentido, uma passagem do Prólogo da mesma Regra é bastante significativa: Espera o Senhor todos os dias que nos empenhemos em responder com atos às suas santas exortações. Por essa razão, os dias desta vida nos são prolongados como tréguas para a emenda dos nossos vícios, conforme diz o Apóstolo: «Então ignoras que a paciência de Deus te conduz à penitência?». Pois diz o bom Senhor: «Não quero a morte do pecador, mas sim que se converta e viva».[16]
                Portanto, o processo terapêutico de cura do pecado, já aludido, não se restringe apenas ao tempo quaresmal, que devemos guardar com toda a pureza,[17] mas é diário e perdura a vida inteira. Todos têm de se renovar a cada dia para evitar a ferrugem inerente à condição mortal, e não há ninguém que não deva se esforçar para progredir no caminho da perfeição.[18]
                A quem deseja se converter, Deus concede tempo. E, porque é bom, espera sempre que nos tornemos melhores.[19] Tornar-se melhor significa deixar a graça divina operar em nosso íntimo, consentir que ela aja. É o que faz São Bento dizer: O que achar de bem em si, atribuí-lo a Deus e não a si mesmo.[20]
                O que a Regra Beneditina preceitua para os monges é válido para todo e qualquer cristão.
Para efetivar essa terapia penitencial é preciso tomar as devidas providências. Quais?
A ATITUDE FUNDAMENTAL: ESCUTAR
Primeiramente, escutar. O ato de escuta é condição preliminar para se realizar algo. A palavra escutada pede, exorta: Completou-se o tempo, e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede na Boa Nova.[21] Converter-se e crer, dois movimentos que se completam. A voz divina que, «naquele tempo», começava assim sua pregação na Galiléia, continua admoestando os homens e as mulheres de todos as épocas a se transformarem. Por conseguinte, que cada um, interpelado por semelhante convite, mude de conduta e viva! [22] É fundamental, para tanto, nos dispormos ao diálogo com esse Deus paciente, que prolonga como trégua os dias desta vida para a emenda dos nossos vícios: ele é indulgente, é favorável, é paciente, é bondoso e compassivo. Não nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune em proporção às nossas culpas.[23] Vejamos como isso pode acontecer.
O penitente começa se dispondo, com um coração filial,  a escutar o Filho recomendado pela voz paterna: Escuta, filho: este é o meu Filho amado.[24] Se Cristo, o Filho amado do Pai, é objeto do nosso amor preferencial: Nada absolutamente anteponham a Cristo,[25] escutar sua palavra é caminho seguro para quem pretende enveredar pelos caminhos de uma vida santa. Ela nos estimula a fazer, o quanto antes, aquele «transplante cardíaco» anunciado pelo profeta Ezequiel e reavivado pela admoestação do Salmista: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não permitais que se endureçam vossos corações.[26]
São Gregório Magno, em duas passagens de seus escritos, dá a medida exata da importância que tem a Palavra de Deus na vida de todo cristão: Realmente, o que é a Sagrada Escritura senão uma carta do Deus onipotente a sua criatura?... Procura meditar todos os dias a palavra de teu Criador. Começa a conhecer, na palavra de Deus, o coração de Deus para desejares, mais ardentemente, os bens eternos, e que teu coração se inflame de desejos ainda maiores pelas alegrias do céu.[27] E: A Palavra de Deus cresce juntamente com quem a lê... Dela tirarás proveito na medida em que nela progredires... Melhor se descobre o maravilhoso poder da Palavra de Deus quando o coração de quem está lendo é penetrado de amor pelas coisas vindas do alto. [28]  
Por isso, a prática da lectio divina, recomendada com maior empenho no tempo quaresmal, ressalta o valor da Sagrada Escritura como única e exclusiva fonte inspiradora da conversão cristã. Mesmo assim, não basta somente escutá-la. Nossos propósitos e esforços ascéticos só lograrão êxito se forem bem alicerçados pela obediência e pela oração.
Pela atitude de obediência: Ouvem o que digo e me obedecem,[29] o cristão responde por atos as interpelações que o Senhor lhe dirige enquanto ouve, coração atento, sua palavra, procurando executar eficazmente[30] tudo o que dela hauriu. Cumprindo-a com fidelidade, ele será feliz: Andai pelos caminhos que vos ordenei para serdes felizes.[31] 
Pela oração, o cristão volve o olhar para o alto, confiando e esperando que o Senhor Jesus, seu modelo de oração e de vida, levará a bom termo a obra nele começada. Pois, como ensina São Bento: Antes de tudo, quando encetares algo de bom, pede-lhe com oração muito insistente que seja por ele plenamente realizado[32].
Escutando a Deus na lectio divina e lhe respondendo na obediência e na oração,[33] o cristão concretiza em sua vida aquele diálogo essencial para que a vida divina, nele semeada no dia do Batismo, possa crescer e produzir abundantes frutos.


AGIR SOBRE SI MESMO
Partindo dessa premissa, chegamos ao segundo estágio da terapia penitencial: agir. Por outros termos: a escuta amorosa e obediente da Palavra de Deus, que cresce juntamente conosco, nos instiga a responder com atos às suas santas exortações.[34] É preciso mudar a nossa maneira de pensar e de agir, dar uma nova orientação à própria vida, deixar o Espírito Santo agir à vontade para, com seu divino cinzel, esculpir na pedra bruta que somos a imagem de Jesus Cristo.
Estamos agora bem no cerne da questão. Mais acentuados no período quaresmal, nossos propósitos de conversão, como já foi dito, não se restringem apenas a este tempo. Pois, o cristão, como alguém que verdadeiramente procura a Deus, é também um combatente. E sua luta, objetivando a perfeição da caridade, só terá fim quando ele tiver dominado e extirpado os vícios da carne e dos pensamentos,[35] chegando então aos maiores cumes da doutrina e das virtudes.[36] Logo, sua Quaresma é perene.
Trata-se, por conseguinte, de um processo de purificação e iluminação da própria consciência à luz da Palavra de Deus. Processo este que supõe necessariamente determinadas rupturas em vista da escolha que fizemos por Cristo.
A primeira e mais elementar dessas rupturas é a renúncia à vontade própria, para realizar, na obediência da fé, a vontade de Deus. Por outras palavras: a renúncia àquela e o conseqüente cumprimento desta são condições essenciais para se viver na intimidade divina. É o que Jesus proclama: Todo aquele que faz a vontade do Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.[37]
A conversão é ainda um trabalho interior que consiste em restaurar imagem de Deus na alma, ofuscada pelo pecado de nossos primeiros pais. Esse labor de transfiguração evangélica, que é dinâmico, se torna efetivo no abandono do pecado para abraçar a vida da graça. A este respeito, São Paulo recomenda: Eu vos exorto, irmãos, pela misericórdia de Deus, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o vosso verdadeiro culto. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, a saber, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito.[38] E ainda: Precisais renovar-vos, pela transformação espiritual de vossa mente, e vestir-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, na verdadeira justiça e santidade.[39]
Com efeito, não existe santidade sem renúncia e sem combate espiritual. O progresso espiritual envolve ascese e mortificação, que levam gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças.[40] Os atos de penitência, tais como os jejuns e as mortificações, são apenas meios ascéticos que muito nos ajudam e fortalecem para percorrer, com o coração dilatado e inenarrável doçura de amor, no caminho dos mandamentos de Deus.[41]
UM DOM DO ESPÍRITO
Enfim, por maior que seja o esforço empreendido, a vida renovada e transformada é obra da graça. Pois sabemos que Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam.[42] E se dizemos obra da graça, dizemos também que é ação do Espírito Santo. Com efeito, a graça é antes de tudo e principalmente o dom do Espírito que nos justifica e nos santifica.[43] O dinamismo da conversão é uma arte espiritual. A arte espiritual é uma arte de viver: somente será um ideal verdadeiro se for arte no Espírito.[44] Sua prática supõe um constante e incessante progredir. É o que diz São Gregório de Nissa: Aquele que vai subindo jamais cessa de progredir de começo em começo, por começos que não têm fim. Aquele que sobe jamais cessa de desejar aquilo que já conhece.[45] 
Tendo superado com generosidade todos os entraves e dificuldades da natureza humana que impedem a ascensão de sua alma para Deus, o cristão sabe que a meta de seu ascetismo é a perfeição da caridade divina que lança fora o temor: Eis o que, no seu operário, já purificado dos vícios e pecados, se dignará o Senhor manifestar por meio do Espírito Santo.[46]
Porém, o percurso ascético da vida cristã é realizado jubilosamente. Preparando-se para celebrar a santa Páscoa, é com alegria que o cristão oferece a Deus seu programa de conversão quaresmal, alegria que é também um dom do Espírito Santo.[47] No seu coração não há lugar para a tristeza. Até mesmo quando, em sua subida que jamais cessa, não lhe faltarem as coisas ásperas e duras que estão no caminho de Deus, que ele saiba abraçá-las com coração aberto e sem sombra na alma.[48]
Fiéis ao dom da graça que nos converte e santifica, de coração contrito e humilde, perseveremos em nossos propósitos de uma vida nova para que nos tornemos melhores.


Concluamos, rezando com Balduíno de Cantuária:
Arranca de mim, Senhor, o coração de pedra. Tira o coração de pedra, tira o coração incircunciso; dá-me um coração novo, coração de carne, coração puro! Tu, purificador dos corações e amante dos corações puros, apossa-te de meu coração e nele habita, envolvendo-o e enchendo-o. Tu, superior ao que tenho de mais elevado, interior ao que tenho de mais íntimo! Tu, forma da beleza e selo da santidade, marca meu coração com tua imagem. Sela meu coração com a tua misericórdia, Deus de meu coração e minha parte, Deus para sempre. Amém.[49]
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Dom Matias Fonseca de Medeiros, OSB,
é monge do Mosteiro de São Bento
do Rio de Janeiro.





[1] Nos converti in melius: Regra de São Bento, cap. 7, 30.
[2] S. LEÃO MAGNO, Sermão 6 sobre a Quaresma, 1: PL 54, 285.
[3] Cf. Hino ferial das Laudes do Tempo Quaresmal.
[4] Rm 7, 19.
[5] Cf. 2Cor 6, 1-2.
[6] Acrescentemos, portanto, nesses dias, alguma coisa ao encargo habitual da nossa servidão: orações especiais, abstinência de comida e bebida; e assim ofereça cada um a Deus, de espontânea vontade, com a alegria do Espírito Santo, alguma coisa além da medida estabelecida para si; isto é: subtraia ao seu corpo algo da comida, da bebida, do sono, da conversa, da brincadeira,... Regra de São Bento, cap. 49, 5-7.
[7] Sl 50 (51), 12.
[8] Cf. Mt 23, 1-36.
[9] Sl 50 (51), 19.
[10] Catecismo da Igreja Católica, n. 1428.
[11] Ez 36,26.
[12] Catecismo da Igreja Católica, n. 1431.
[13] Ef 4, 22-24.
[14] Regra de São Bento, capítulo 49: Da observância da Quaresma.
[15] Regra de São Bento, 49, 1.
[16] Regra de São Bento, Prólogo 35-38.
[17] Cf. Regra de São Bento, 49, 2.
[18] S. LEÃO MAGNO, Sermão 6 sobre a Quaresma, 1: PL 54, 285.
[19] Regra de São Bento, 7, 30.
[20] Regra de São Bento, 4, 42.
[21] Mc 1, 15.
[22] Ez 33, 11.
[23] Sl 102 (103), 8.10.
[24] Regra de São Bento, Prólogo 1; cf. Mc 9, 7.
[25] Regra de São Bento, 72,11; 4, 21.
[26] Sl 94 (95), 8.
[27] S. GREGÓRIO MAGNO, Carta 31: Patrologia Latina (Migne) 77, 706.
[28] S. GREGÓRIO MAGNO, Homilias sobre Ezequiel I, VII, 8: Sources Chrétiennes 327, 244/245.
[29] Sl 17 (18), 45.
[30] Regra de São Bento, Prólogo 1.
[31] Jr 7, 23.
[32] Regra de São Bento, Prólogo 4.
[33] Cf. Regra de São Bento, 4, 55-56.
[34] Regra de São Bento, Prólogo 35.
[35] Regra de São Bento, 1, 5.
[36] Regra de São Bento, 73, 9.
[37] Mt 12, 50.
[38] Rm 16, 1-2.
[39] Ef 4, 23-24.
[40] Catecismo da Igreja Católica, n. 2015.
[41] Regra de São Bento, Prólogo 49.
[42] Rm 8, 28.
[43] Catecismo da Igreja Católica, n. 2002.
[44] HUERRE, D., Vers Dieu et vers les hommes, un chemin de conversion, (Vie Monastique 22), Abbaye de Bellefontaine 1989, 119.
[45] S. GREGÓRIO DE NISSA, Homilia 8 sobre o Cântico dos Cânticos: Patrologia Grega (Migne) 44, 941C.
[46] Regra de São Bento, 7, 70.
[47] Cf. Gl 5, 22.
[48] DE ALMEIDA PRADO, L. Na procura de Deus, Rio de Janeiro, 1992, 92s.
[49] BALDUÍNO DE CANTUÁRIA, Tratado 10: Patrologia Latina (Migne) 204, 516.





quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A alegria dos filhos de Deus


            Deus cria o homem dotado de liberdade para que por iniciativa própria busque o seu Criador, mas em virtude do pecado original, a desobediência de Adão e Eva e o seu desejo de serem como Deuses, acarretou-nos o pecado original. De modo que a liberdade passa a ser condicionada pela concupiscência, uma tendência de buscar e praticar o mal que na maioria das vezes prevalece em nossas atitudes.
            Segundo o Catecismo da Igreja Católica a liberdade é uma força de crescimento e amadurecimento na verdade e bondade e alcança a sua perfeição se ordenada para Deus, é também a escolha pelo bem ou mal caracterizada por atos humanos. Se um jovem se droga ou uma mulher que realiza um aborto se submetem a tais atos como utilizar a droga e matar uma criança e vêem nisso uma maneira de exercer sua liberdade, erroneamente e falsamente são livre, a “liberdade” que aprisiona é um tipo de escravidão. Ser livre não é realizar tudo o que se tem vontade, mas procurar agir corretamente e de acordo com a vontade de Deus.
           É necessário discernir a verdadeira da falsa liberdade, que está mascarada em muitos programas de televisão e políticas públicas, consequentemente a falsa liberdade gera uma falsa alegria. Aproxima-se o carnaval (festa da carne) é um tempo propício para retomarmos o tema da liberdade, visto que muitas pessoas vão esquecer o valor desse nome mergulhando nos prazeres, nas orgias, drogas e etc., esquecendo que “é para a liberdade que Cristo nos criou” (cf. Gl 5,1).
       Fomos predestinados por Deus a “participar da liberdade dos filhos de Deus” (cf. Rm 8,21), a verdadeira liberdade consiste em fazer a vontade de Deus, pois fazer tudo o que se tem vontade é libertinagem. Nossas obras devem resplandecer a marca da dignidade de filhos de Deus, resgatados por um alto preço, o precíossitmo sangue de Cristo.
          Houve na terra uma criatura que viveu tal liberdade com exímia perfeição, a Santíssima Mãe de Deus, o seu canto de louvor no Magnificat (cf. Lc 1, 46-55) revela que a verdadeira alegria consiste em obedecer ao Senhor e Nele se alegrar, reconhecendo que é este mesmo Senhor que realiza todas as coisas segundo a sua vontade que é nossa felicidade.
         A Beata Madre Rosa Gattorno recomendava as suas irmãs insistentemente à vivência da alegria, na felicidade e na provação, pois isto era agradável ao Senhor, orientando-as ainda a procurarem glorificar o Senhor em tudo o que se fizesse.
        Sejamos gratos a Deus pelo seu amor que ultrapassa as nossas limitações, e sirvamos a Ele com alegria e na liberdade e amor dos seus filhos. Tendo em mente sempre o exemplo da Virgem Maria que verdadeiramente possuiu um coração grato, livre e pleno de alegria em Deus, e como Ela sirvamos ao Senhor em “santidade e justiça diante Dele” (cf. Lc 1, 75) para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Neste carnaval a Alegria do Senhor seja a nossa força e nosso motivo de diversão!
Nossa Senhora da Alegria, rogai por nós!



Mônica Mariana

Missionária DMD, graduanda do curso de Teologia.







Para citar esse artigo:
Mônica Mariana - "A alegria dos filhos de Deus"
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus
http://formacaodiscipulosdamaededeus.blogspot.com/2012/02/alegria-dos-filhos-de-deus.html
Online, 15/02/2012

sábado, 7 de janeiro de 2012

A Oração da Ave Maria


1.      INTRODUÇÃO
A oração da Ave-Maria, como rezamos hoje, apareceu pela primeira vez em 1563, no breviário de um mosteiro da Ordem dos Cartuxos (fundada por São Bruno em 1084), em Grenoble, nos Alpes franceses. Lá pela metade do século XVII, ela se espalhou por todo o mundo, rezada e cantada.
Como todos sabem, ela é composta de duas partes. A primeira é uma transcrição da saudação do anjo a Nossa Senhora: Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco (Lc 1, 28) e da saudação de Isabel, quando recebeu a visita de Nossa Senhora: Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre (Lc 1, 42). Mais tarde, no século IV, introduz-se a palavra Jesus. Quem lê na Bíblia os textos acima vai perceber que os nomes Maria e Jesus foram acrescentados à prece. Estas duas frases contêm inúmeros dados de caráter teológico, em que rememoramos dogmas e verdades do cristianismo. Veremos mais adiante. Esta primeira parte da Ave-Maria predominou até o século XVI, no pontificado do Papa Pio V, que foi um religioso dominicano. E, no século XVI, o mesmo Papa Pio V, em 1570, aprova a segunda parte da oração, nascida da devoção da Igreja.
Nesta segunda parte da oração mariana invoca-se Nossa Senhora pelo seu nome: Maria e pedindo sua intercessão. Depois de entender a verdade bíblica – em que se afirma ser Maria cheia de graça, Mãe de Deus e por isso mesmo bendita entre as mulheres e mais bendito ainda o fruto do seu ventre – resta à Igreja invocar esta mulher maravilhosa pedindo: Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém
2.      CARACTERÍSTICAS DA AVE-MARIA
Ave-Maria é uma oração profundamente bíblica e eclesial. Composta de trechos do evangelho de São Lucas e de preces compostas pela Igreja no decorrer dos séculos. De acordo com alguns estudiosos, nas catacumbas dos cristãos de Roma, já existiam inscrições que aludiam a essa prece incipiente, isto é, à primeira parte.
O que contém a Ave-Maria:
a)                  Proclamamos Maria, como a eleita de Deus, que preenche todo o seu coração. Já aqui temos uma alusão aos dogmas marianos. Enquanto, cheia de graça: 1) Ela é Isenta de pecado: dogma da Imaculada; 2) Cheia do amor de Deus, Ela pôde se tornar a Mãe do seu Filho; 3) Porque repleta de Deus e a Ele consagrada, Maria é Virgem na dimensão bíblica e 4) Porque Maria foi plena de graça, será eternamente glorificada nos céus. Eis a expressão do dogma da Assunção.
b)                 A Ave-Maria é igualmente a síntese de outros dogmas da vida do cristianismo. Quando dizemos que o Senhor está com Ela (O Senhor é convosco), aludimos ao dogma da Encarnação. Ela é a concretização do Emanuel, Deus conosco. Nela acontecem as promessas dos profetas que anunciaram o Salvador.
c)                  Quando dizemos ainda que Maria é cheia de Graça, referimo-nos à teologia da graça de Deus, que hoje nos é dada pelos sacramentos, especialmente pela Eucaristia. Aliás, há uma unidade muito forte. O Verbo Encarnado – que está em Maria – e o Cristo presente realmente na Eucaristia. O anjo Gabriel proclama o grande privilégio da santidade perene de Maria. Ao dizer que Maria é cheia de graça, anuncia-se que na Virgem de Nazaré existe a graça transbordante de quem não foi tocada pelo pecado. Por essa razão, Maria é denominada Santíssima, pois cheia de graça e isenta de pecado. Os santos ensinaram que não convinha a Jesus Cristo, o Santíssimo, ser gerado e nascer de uma criatura imperfeita. Como podia o Onipotente e Perfeitíssimo Deus, Cristo, ser depositado num receptáculo que não fosse digno dele? O próprio Jesus ensina no Seu Evangelho que não se coloca vinho novo e bom em odres velhos e defeituosos (cf. Lc 5, 37). Eis porque o Criador elevou Maria, este Vaso Insigne de Devoção a tão grande santidade.
d)                 Bendita sois entre as mulheres. Temos aqui o cumprimento da tradição bíblica. Maria prefigurada por Judite, Ester etc. é Aquela que foi abençoada e agraciada por Deus. Deparamo-nos com o dogma da criação. Deus criou o ser humano que O traiu e desobedeceu, dizendo não. Maria responde sim e se torna a nova Eva. Quando rezamos Bendita entre as mulheres, estamos lembrando também a verdade teológica de Maria Corredentora do gênero humano.
e)                  Bendito é o fruto do vosso ventre. Ele é abençoado e digno de nosso louvor, porque é o Filho de Deus. Podemos encontrar nestas palavras uma alusão a Cristo que nos redime. Este fruto do ventre de Maria é bendito, pois será glorioso e vitorioso. Temos uma referência ao mistério de sua Ressurreição.  Do ventre de Maria, saiu a felicidade do ser humano. Nesta invocação encontramos tanto um referencial à pessoa de Cristo, quanto à de Maria. O ventre da Virgem Santíssima é o sacrário da humanidade, o primeiro tabernáculo vivo do Altíssimo. Ela é a Arca da Aliança perfeita, que cantamos na Ladainha.
f)                  Santa Maria, Mãe de Deus. Esta invocação data do Concílio de Éfeso (431, D.C.), quando Maria foi proclamada Mãe de Deus: teotókos. É o dogma da sua maternidade divina. Ela é a Mãe do Filho de Deus. Mas, começamos a chamá-la de Maria, cujo sentido é de Rainha, Senhora etc. Maria é a Rainha do Céu e da Terra, Ela é a mulher coroada de doze estrelas de que fala o Livro do Apocalipse, aquela que subiu ao Céu e é digna de todo louvor e toda glória, santa, ou melhor, santíssima. Eis a única santa que nós chamamos pelo superlativo em toda a história da Igreja. Além de todas as verdades teológicas, proclamamos Maria a Santa por Excelência, modelo de santidade.
g)                 Rogai por nos pecadores. Maria é a Onipotência Suplicante, no dizer do grande São Boaventura. Ela reza e intercede por nós. Nesta invocação, proclamamos Maria como medianeira, intercessora, aquela que roga por nós junto do seu Filho e de Deus Pai. Por essa razão, é a Medianeira de todas as graças, uma das verdades teológicas mais importantes da Igreja a respeito de Maria Santíssima. Há, na Ave-Maria, uma lição que não pode ser esquecida. Ao pedirmos à Mãe de Deus que rogue, peça, suplique, interceda por nós, estamos proclamando que só Deus é a fonte de toda graça e de todo bem. Maria é intercessora. Alguém que nos ama com amor de Mãe e apresenta a Deus as nossas necessidades.
Para aqueles que argumentam ser inútil esta intercessão, pois só Cristo é Mediador ou Pontífice, lembramos que vivemos intercedendo em nossas preces pelas pessoas que amamos. Foi o próprio Jesus que nos animou a pedir. Ora, se é tão importante a nossa intercessão junto a Deus, com muito mais razão, é imprescindível a intercessão daquela em quem Deus depositou todo o seu amor. Nós suplicamos a Maria esta intercessão. E temos razões de sobra para afirmar que ela não recusa esta intercessão. Por isso, rezamos com confiança: Ave-Maria, cheia de graça... rogai por nós pecadores!
h)                 Agora e na hora de nossa morte. Maria está presente na história de cada um de nós. Aqui, aludimos ao fato bíblico de Maria ao pé da Cruz. Nós pedimos a Maria, que esteja junto de nós, como um dia, Ela esteve junto de seu Filho, ao pé da Cruz. Que Ela nos ensine a viver e a partir para a vida em plenitude. Maria é a Compadecida, Mãe das Dores, solícita, que não nos esquece. Se Ela se tornou Mãe dos homens no momento da agonia do Seu Filho, não haverá de nos deixar no momento de nossa agonia. Presença sim, não apenas no momento da morte biológica, mas de todas as outras mortes cotidianas.
3. PORQUE DIZEMOS A AVE-MARIA DEPOIS DO PAI NOSSO
Tendo Nosso Senhor nos dado Maria por Mãe, lhe oferecemos a saudação da Ave Maria depois do Pai Nosso, pelo fato de que primeiramente honramos Deus como nosso Pai e depois passamos a louvar a Mãe e seu Filho muito bem amado. Alguns teólogos acrescentam que é uma concretização do mandamento de honrar Pai e Mãe.
4. O QUE CONTÉM A AVE-MARIA
O que significa para a Igreja e para nós a Ave-Maria? Essa oração tem os seguintes significados especiais:
a)      É um elogio celestial à Virgem Mãe de Deus pela boca do anjo, quando a proclama eleita de Deus e cheia de graça.
b)      É um hino de louvor e exaltação do ser humano na pessoa de Isabel, quando a chama de Bendita entre as mulheres
A Ave-Maria é uma antecipação dos louvores dedicados à Mãe Celestial, é a unidade entre o céu e a terra. Nós devemos ser igualmente essa porta, por onde os homens podem passar para encontrar o divino. Ela representa o papel da Igreja e dos cristãos. Por isso, nada mais natural do que, ao exaltar Deus em sua grandeza infinita, queiramos elogiar sua Mãe. Desta forma, a Igreja une sempre a prece do Pai Nosso e da Ave-Maria.
c)      A segunda parte da Ave-Maria é a confissão de nossa indigência e de nossas necessidades. Por isso pedimos que a própria inocência e pureza reze por nós; que interceda por nós pecadores e temos tanta necessidade de socorro. Essa proteção de Maria é extremamente importante a cada instante, por conta de nossa fragilidade. Torna-se mais importante ainda na hora de nossa morte, momento muito temido por todos. Nele não pode faltar o consolo de Maria.
5. MENSAGEM BÍBLICA E TEOLÓGICA DA AVE-MARIA
As primeiras palavras do anúncio do anjo Gabriel a Maria. Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!
a) A ALEGRIA. Alegra-te! A primeira palavra pronunciada pelo anjo não é uma saudação convencional. É um convite à alegria, feito na forma imperativa. Ao anunciar a toda a humanidade, representada por Maria, a encarnação do Verbo para a nossa salvação, Deus convida-nos à alegria plena, que só Ele nos pode dar: o dom da salvação.
Lucas, "o evangelista da alegria", enfatiza ao longo de todo o seu evangelho a alegria de Deus (cf. 15, 5.7.10; 23,24) e a alegria dos homens (cf. 10,17; 19,37; 24, 41.52). A alegria messiânica é particularmente enfatizada nos dois primeiros capítulos (cf. 1,14.44.47.58 e 68; 2,10.20.28 e 38). Também no livro dos Atos, sobretudo nos primeiros capítulos, é sublinhado o clima de alegria em que vive a Igreja (cf. 2,46; 5,41; 8,8.39; 11,23; 13,48.52; 15,31).
Convidada pessoalmente a alegrar-se, Maria pode ser vista também como a “Filha de Sião”, representante e portadora de alegria de todo o Povo de Deus pela vinda da salvação anunciada pelos profetas. O que é dito a ela é válido para todo o Povo de Deus, como aquilo que fora dito ao sacerdote Zacarias (1,14) e o que será dito aos pastores (2,10).
B) CHEIA DE GRAÇA. Antes de explicitar o que Deus vai operar nela, o anjo anuncia a Maria, na segunda palavra da saudação, o que nela já operou: foi plenificada com a sua graça. O que Deus já fez nela e o que vai continuar a fazer é a razão primeira e última da verdadeira alegria para a qual Maria é convidada. Deus derramou sobre ela seu amor benevolente e totalmente gratuito, tornando-a assim "a favorecida", "a agraciada" de Deus. E Este concedeu-lhe sua graça, porque A amou primeiro, com um amor absolutamente gratuito. Essa graça é tão fundamental e tão significativa, que a expressão "cheia de graça" é usada no lugar do nome próprio. Maria é nomeada pelo modo como é vista por Deus. De maneira singular, única e permanente é a "agraciada" de Deus.
Na Bíblia, graça, vocação e missão estão sempre relacionadas entre si. Maria foi totalmente agraciada por Deus para acolher e realizar a vocação-missão de ser a mãe do Messias. Nem Ela mesma conhecia toda a profundidade do seu mistério. Mas, "sentia" a presença do amor singular e único de Deus por ela.
Detenhamo-nos na graça com que foi contemplada a Virgem de Nazaré, tão acentuada nas primeiras palavras do anjo. Podemos fazê-lo repetindo e saboreando essas palavras ditas pelo mensageiro de Deus: "Alegra-te, rejubila, cheia de graça!" Depois de alegrar-nos com a alegria de Maria, inteiramente provinda de Deus, peçamos que nos seja dada também a graça de realizar na alegria a missão para a qual fomos chamados. Podemos ainda enriquecer e iluminar nossa oração e nosso louvor contemplando os privilégios que os olhos da fé da Igreja foram descobrindo em Maria ao longo dos séculos.
d)     O SENHOR É CONTIGO. A expressão o Senhor é (está) contigo pertence ao coração da teologia da Aliança. Aparece repetidas vezes nos relatos de vocação do Antigo Testamento. Com ela é prometida a presença e a proteção de Deus aos chamados por Ele para uma missão particular na história da salvação. Essa promessa foi feita a Isaac (Gn 26,3.24), a Jacó (Gn 28,15), a José (Gn 39, 2.3.21.23), a Moisés (Ex 3,11-12), a Josué (Js 1,5), a Gedeão (Jz 6,12.16), a Jeremias (Jr 1,8.19; 15,20). Igualmente feita à Virgem de Nazaré, que dá continuidade às grandes figuras da história de Israel.
O Deus da Bíblia não é simplesmente o Deus sobre nós (pura transcendência), nem o Deus em nós (pura imanência), nem o Deus diante de nós (pura utopia). É o Deus inserido em nossa história, nossa vida. Chegada a plenitude dos tempos, o Verbo eterno de Deus encarnou-se no seio de Maria e tornou-se Emmanuel, isto é, Deus-conosco, para sempre. Ele assumiu as limitações da vida humana; veio ao nosso encontro, descendo até os abismos de nossa história, experimentando nossa pobreza e fragilidade, nossa solidão, nosso sofrimento e nossa morte. Isso continua sendo um escândalo e uma loucura para os homens, já admitia São Paulo. E a única explicação desse "escândalo" e dessa "loucura" está no amor incomensurável de Deus por nós.
e)      BENDITA SOIS ENTRE AS MULHERES E BENDITO É O FRUTO. As palavras de Isabel confirmam toda a tradição bíblica. Maria é entre todas, a preferida, entre as mulheres, a escolhida, como cantamos em nossas Igrejas.
6. CONCLUSÃO
Podemos concluir dizendo que a Ave-Maria é uma das orações cristãs mais completas. Ali, encontramos descritos o papel e a missão da Santíssima Trindade. Maria é saudada pelo fato de ser a Mãe de Deus, cheia de Graça e do Espirito Santo, escolhida pelo Pai, Sacrário e Templo Vivo de Cristo, Mãe de todos os homens e intercessora sem cessar por todos nós, que somos realmente pecadores e necessitamos permanentemente do seu amparo e proteção.

CAIO AOS TEUS PÉS

Caio aos teus pés, Senhora, em profunda veneração.
Agradeço a Ti, toda a tua bondade e misericórdia!
Imploro a Ti, Mãe Compadecida a tua proteção.
Diante de Ti, dobro os meus joelhos,
Quero Te glorificar, pois és a única sem pecado.
Por mim pecador, intercede ao Pai
Para que eu possa me libertar das amarras
E aprender a viver a graça divina,
como um dia Tu viveste.
Nada tenho e sou para Te retribuir,
Mas Tu és Mãe e me conheces.
Quero Te louvar, Mãe de Misericórdia,
Quero Te louvar, Mãe da Compaixão,
Quero Te louvar, Mãe terna e cheia de mansidão
Que estendes a mim pecador a tua mão!  (Texto de São Beda) 








Pe. João Medeiros Filho
indigno escravo de Amor