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domingo, 20 de maio de 2012

Santa Rita de Cássia e a Escravidão de Amor


I – Vida e Personalidade
            Rita nasceu em Roccaporena, pequeno povoado ou aldeia da Úmbria italiana, região famosa não somente pelas belezas naturais, mas por ser o berço de muitos outros santos como São Bento, Santa Escolástica, São Francisco de Assis e muitos outros. Seus pais se chamavam Antônio Lotti e Amada Ferri, foram sempre modelos de piedade, caridade, santidade, pela grande devoção a Paixão de Cristo e por promoverem a paz nas famílias, pertenciam às antigas famílias nobres de Cássia embora se dedicassem aos labores dos campos.
            A maior riqueza que receberam foi o nascimento de uma filha em virtude da idade avançada, segundo Cavalluci o primeiro biógrafo, a gravidez de Amada fora indicada em oração por um anjo (CAVALLUCI apud MAESTRO, 2012). Quanto à data do seu nascimento não há uma precisão, o sacramento do Batismo fora recebido poucos dias depois com o sacramento da Crisma (como era de costume em regiões que havia poucos sacerdotes para conceder os sacramentos), recebendo também o nome de Margherita Lotti, que mais tarde foi reduzido a Rita afetuosamente pelos próprios pais. Quanto à data da sua primeira comunhão não há indícios precisos, ao que sabe ela teria cerca de doze anos, questiona-se também o fato da mesma ser letrada ou não, bem sabemos das dificuldades de escola naquela época, provavelmente aprendeu a ler e escrever.
            Um fato marcante de sua infância ocorrido ainda nos seus primeiros meses de vida foi o de que um dia seus pais precisaram ir aos campos e tiveram que levar a criança junto, que foi deixada embaixo da sombra de uma árvore num pequeno cesto enquanto os mesmos trabalhavam, quando um grande enxame de abelhas a envolveu, as abelhas zuniam em torno de sua boca e orelhas, mas não a picavam, alguns autores dizem que depositavam gotas de mel em sua língua enquanto a criança sacodia alegremente as mãos e dava gritinhos de alegria, no mesmo instante um ceifeiro havia se ferido com seu instrumento de trabalho, e ao se dirigir ao hospital passou diante dessa cena na tentativa de salvar a criança das abelhas, espantou-as balançando as mãos, nesse mesmo momento o seu sangramento cessou e a ferida se fechou. Conta-se ainda que mais tarde essas abelhas iriam compor o cenário do mosteiro que Rita ingressaria.
            De sua criação é forçoso dizer que aprendeu o necessário sobre Jesus Cristo e a Virgem Maria, desde a sua tenra infância demonstrou ter gosto pela oração e o recolhimento, um fato interessante é que a pequena menina aos doze anos conseguiu de seus pais um cômodo particular para dedicar-se a esta prática. Personalidade serena e caráter bondoso a definiam, ao ponto que o desejo de consagrar a vida a Deus de certo era perceptível, no entanto seus pais haviam envelhecido e requeriam atenção (MAESTRO, 2012).
            Uma escolha determinaria a sua adolescência, o seguimento da vida religiosa ou obediência à vontade dos pais para que a mesma contraísse matrimônio. Com quatorze anos depois de muito rezar, pedindo a luz de Deus optou por obedecer aos pais, casando com Paulo Fernando di Mancini, ao que se consta o seu matrimônio não foi um drama como assim demonstram alguns biógrafos, Rita foi movida não pelo temor, mas pelo amor e obediência aos pais. Deus sempre ajudou a sua serva a cumprir sua vontade embora alguns biógrafos relatem Paulo Fernando como colérico, altivo e rude, beberrão e violento, o que se sabe é que o mesmo possuía um caráter humilde que o fazia reconhecer a culpa e pedir-lhe perdão por suas atitudes, sempre se considerou indigno de uma esposa tão santa.
            A vida de oração cultivada desde a infância resplandece na sua idade adulta, graças as suas súplicas mais tarde alcançaria a salvação da alma do esposo, viveram com autenticidade o matrimônio, na cumplicidade e responsabilidade para com os deveres           próprios, não deixava de realizar suas obras de caridade para com os necessitados que aprendera ainda com seus pais. Com o nascimento dos filhos relata-se que o amor para com os filhos e a esposa sucumbiu à cólera de Paulo Fernando, o primogênito recebeu o nome de João Tiago e o segundo de Paulo Maria, os mesmos foram educados segundo as virtudes cristãs, a sua fé e piedade fizeram de seu matrimônio um terreno onde a mão do próprio Deus arava aquela terra e a enchia de amor, o lar de Nazaré ao que parece era o modelo de família que Rita desejava imitar.
            Após muitos anos Paulo Fernando é assassinado brutalmente pelos seus inimigos, embora as orações de sua esposa tivessem-no modificado, o ódio presente no coração daqueles homens clamava por vingança. Ao saber da notícia, Rita se depara com o marido morto e o acolhe em seus braços, perdoa os assassinos e clama imediatamente ao Senhor que livre os seus filhos do joio da vingança. O desejo da paz que ela tanto desejava não se concretizou, pois a fúria havia se apoderado da família Mancini, que incitava os filhos da pobre viúva. A fim de zelar pela alma dos seus amados filhos suplica a Deus que os tire deste mundo antes que a perdessem pelo desejo de vingança, para que o ódio fosse dissipado de seus corações.
            Com um intervalo de apenas um ano, de causas naturais desconhecidas os filhos de Rita adoecem, como uma boa Mãe providenciou tudo que lhes fosse necessário para o bem estar físico, mas sobretudo o espiritual, fazendo com que perdoassem os assassinos de seu pai e assim morressem na paz de Deus.
            Sozinha no mundo experimenta a intensidade do amor de Deus, enfrentaria ainda contratempos com a família do seu esposo que na sede de vingança e inconformidade com a morte dos herdeiros desejavam saber o nome do assassino de Paulo Fernando, ao ponto de tomarem uma parte de seus bens por direito e abrigar-se numa humilde aldeia. Mesmo em meio às perseguições da família do esposo e da sociedade dedicasse com mais estima a oração, obras de caridade para com os pobres de modo que despontava novamente o desejo de consagrar sua vida a Deus no convento das agostinianas de Cássia.
            Desde a infância tinha acesso a forma de vida Agostiniana a qual desejava ter abraçado na juventude, porém não o fez como já citamos, o chamado de Deus é sempre arrebatador e fugaz e inflamava o coração daquela senhora. Por si mesma faz a Deus uma oferta de si mesma, para cumprir sua promessa procura o Mosteiro de Santa Maria Madalena, todavia o seu pedido de ingresso fora negado três vezes, pois as monjas não concebiam a ideia de dar o hábito a uma viúva, longe de desistir Rita se entregava as orações em meio ao pranto, humilhando-se na presença de Deus.
            Nutria devoção com toda certeza a Santíssima Virgem por meio da perfeita imitação de suas virtudes, e particularmente pelos santos: São João Batista, Santo Agostinho (pela experiência com a sua espiritualidade desde a infância), Santo Nicolau de Tolentino (santo estimado da ordem Agostiniana) e Santa Clara de Montefalco (pelo seu amor a Cristo crucificado e a Eucaristia, motivo pela qual duramente se mortificava). Contam os seus biógrafos que numa noite teve uma visão especial na qual viu São João Batista convidá-la a subir ao cume de um lugar chamado Schioppo, prontamente ela compreendeu que se tratava de um convite a uma perfeição espiritual, pôs-se a subir com ele a rocha do Schioppo. No mesmo relato conta-se que apesar do seu temor e anseio fora reconfortada por ele juntamente com Santo Agostinho e São Nicolau Tolentino, ainda conforme o relato Rita foi milagrosamente transportada ao convento por estes três santos.
            A sua admissão não era bem quista pelas monjas, porém qual não deve ter sido a surpresa das monjas ao acordar e se deparar com a viúva de Roccaporena no pátio do mosteiro, onde não havia indícios de arrombamentos nas portas? Na vida dos santos tudo foge a regra, pois é o Deus quem as faz! Este fato recebeu mais tarde o nome de “Visão”, fora recebida no convento, livre de qualquer impedimento para seguir a Cristo, admoestada sobre a regra de vida Agostiniana, foi submetida a uma prova de obediência por parte da Madre Superiora que lhe ordenou que regasse um talo seco, que viraria por milagre divino uma linda videira.
            Tinha cerca de 36 anos quando ingressou no Mosteiro tendo sempre em mente a Palavra de Deus e a regra de Santo Agostinho, após três anos professou definitivamente os votos de castidade, pobreza e obediência. Bem sabemos de sua grande devoção a Paixão de Cristo, porém um fato selaria tal devoção, de livre vontade ofereceu-se como vítima para sofrer as dores da paixão do Senhor, sofrer com Ele... Um dia enquanto rezava diante de um crucifixo rogando ao Senhor que lhe concedesse uma mínima parcela de seu sofrimento, um espinho da coroa de Jesus feriu a sua fronte de tal modo que a chaga permaneceu impressa e incurável até a sua morte, de modo que a ferida tornou-se um estigma. Uma única vez suplicou ao Senhor que retirasse aquela chaga quando teria que ir até Roma peregrinar com as outras irmãs, nesta visita conta-se que a ela recebeu a Unção dos Enfermos. A fétida ferida era a recompensa para esta serva de Deus que desejou sempre sofrer com Cristo, a chaga permaneceu cerca quinze anos.
            Com idade avançada e por possuir uma ferida que não cicatrizava ficou isolada numa cela, saindo poucas vezes, de quarto, sua morte segundo o relato de suas irmãs de clausura fora anunciada por Jesus e a Virgem Santíssima que lhe apareciam em êxtase. Novamente um fato chama a atenção pelo prodigioso caráter da ação de Deus: Era inverno e uma parenta visitava a santa quando a mesma pediu uma flor, a visita mesmo sem entender para ser gentil não hesitou em fazê-la, para sua surpresa deparou-se com uma única rosa no jardim.
Quatro anos se passam e a situação de saúde se agravava, no feliz dia de sua despedida deste mundo segundo relatos a santa pediu perdão às outras monjas pelos incômodos causados pelo seu estado de saúde, recebeu uma última benção e entrou em silêncio profundo, aos 76 anos pode enfim contemplar a alegria infinita, no dia 22 de maio de 1457. Sabe-se que pela condição de saúde pouco se alimentava, a não ser da Eucaristia.


II – Vivência da Escravidão de Amor
            Rita foi educada na fé católica como já dissemos antes, inúmeros são os relatos de experiências com a Virgem Maria que comprovam a devoção por ela nutrida: quando criança fora ensinada a mandar beijos para as sagradas imagens da Imaculada, tentava a todo custo espelhar-se na família de Nazaré na condução de sua própria família, como Nossa Senhora souber suportar a dor da perda de alguém amado (filhos e marido), mas, sobretudo a imitação das virtudes da Santa Mãe de Deus um fato determinante em sua vida, a principal característica de sua espiritualidade é o espírito de mortificação e oração, a qual ela empregara a maior parte do seu tempo para estas práticas, à oblação de sua obediência a vontade do Senhor, a fé ilimitada nas promessas, a caridade para com os pobres e necessitados, o zelo para com o projeto de Deus.
            Se a essência da Escravidão de amor é a entrega total a Jesus por meio da Virgem Maria, numa relação de filiação e imitação daquilo que é agradável ao Senhor, verdadeiramente a Santa de Cássia também viveu a total consagração de si, pela via das virtudes de Nossa Senhora, e o fato de seu corpo se manter incorrupto eleva tanto a pureza que vivenciou quanto as bem-aventuranças a exemplo da Mãe do Amor.

III – Devoção a Santa Rita
            O processo de beatificação iniciou quase dois séculos depois de sua morte, no dia 08 de setembro de 1619 pelo Papa Urbano VIII, porém só chegaram a conclusão em 1900 no pontificado de Leão XIII, algumas correntes afirmam que pelo fato de ter morrido em odor de santidade o povo já a cultuava como bem-aventurada, antes da canonização. Aclamada como santa das causas impossíveis por causa dos milagres obtidos por sua intercessão, sua fama logo se espalhou pela Europa e América Latina. De maneira bem particular recebe o título de Madrinha dos sertões na região do Trairi, no estado do Rio Grande do Norte, com devoção especialíssima na cidade de Santa Cruz.
            O seu biógrafo mais antigo relata quarenta e seis milagres obtidos por sua intercessão dentre eles o que resultaram na sua canonização foram:
1.      O Perfume que exalava de seu túmulo – fenômeno que chamou muita atenção, pois não havia uma explicação lógica para este fato;
2.      Cura da cegueira irreversível de uma menina;
3.      Cura de uma inflamação gastrointestinal de um idoso.
O importante é sabermos que é o Bom Deus que opera tudo em todos por meio de Cristo e se utiliza das causas segundas (criadas por Ele) a seu gosto e modo, para operar os mais diversos e prodigiosos milagres.
O Beato João Paulo II em seu pontificado no centenário da canonização de Santa Rita se pronunciou sobre a bela vocação: “Rita foi reconhecida santa não tanto pela fama dos milagres que a devoção popular atribui à eficácia de sua intercessão junto de Deus todo-poderoso, porém, muito mais pela sua assombrosa normalidade da existência cotidiana, por ela vivida como esposa e mãe, depois como viúva e enfim como monja agostiniana”.
Santa Rita de Cássia, rogai por nós!
BIBLIOGRAFIA
MAESTRO, Jesús Alvarez. Santa Rita de Cássia/ Jesús Alvarez Maestro: [tradução Paulo F. Valério]. São Paulo: Paulinas, 2012. – (Coleção dom e graça)
MARCHI, Monsenhor Luís de. Santa Rita de Cássia. São Paulo: Paulus, 2009.



Mônica Mariana
Missionária DMD, graduanda do curso de Teologia.



Para citar esse artigo:

Mônica Mariana
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus | SANTA RITA DE CÁSSIA E A ESCRAVIDÃO DE AMOR
http://formacaodiscipulosdamaededeus.blogspot.com.br/2012/05/santa-rita-de-cassia-e-escravidao-de.html


sábado, 7 de janeiro de 2012

A Oração da Ave Maria


1.      INTRODUÇÃO
A oração da Ave-Maria, como rezamos hoje, apareceu pela primeira vez em 1563, no breviário de um mosteiro da Ordem dos Cartuxos (fundada por São Bruno em 1084), em Grenoble, nos Alpes franceses. Lá pela metade do século XVII, ela se espalhou por todo o mundo, rezada e cantada.
Como todos sabem, ela é composta de duas partes. A primeira é uma transcrição da saudação do anjo a Nossa Senhora: Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco (Lc 1, 28) e da saudação de Isabel, quando recebeu a visita de Nossa Senhora: Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre (Lc 1, 42). Mais tarde, no século IV, introduz-se a palavra Jesus. Quem lê na Bíblia os textos acima vai perceber que os nomes Maria e Jesus foram acrescentados à prece. Estas duas frases contêm inúmeros dados de caráter teológico, em que rememoramos dogmas e verdades do cristianismo. Veremos mais adiante. Esta primeira parte da Ave-Maria predominou até o século XVI, no pontificado do Papa Pio V, que foi um religioso dominicano. E, no século XVI, o mesmo Papa Pio V, em 1570, aprova a segunda parte da oração, nascida da devoção da Igreja.
Nesta segunda parte da oração mariana invoca-se Nossa Senhora pelo seu nome: Maria e pedindo sua intercessão. Depois de entender a verdade bíblica – em que se afirma ser Maria cheia de graça, Mãe de Deus e por isso mesmo bendita entre as mulheres e mais bendito ainda o fruto do seu ventre – resta à Igreja invocar esta mulher maravilhosa pedindo: Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém
2.      CARACTERÍSTICAS DA AVE-MARIA
Ave-Maria é uma oração profundamente bíblica e eclesial. Composta de trechos do evangelho de São Lucas e de preces compostas pela Igreja no decorrer dos séculos. De acordo com alguns estudiosos, nas catacumbas dos cristãos de Roma, já existiam inscrições que aludiam a essa prece incipiente, isto é, à primeira parte.
O que contém a Ave-Maria:
a)                  Proclamamos Maria, como a eleita de Deus, que preenche todo o seu coração. Já aqui temos uma alusão aos dogmas marianos. Enquanto, cheia de graça: 1) Ela é Isenta de pecado: dogma da Imaculada; 2) Cheia do amor de Deus, Ela pôde se tornar a Mãe do seu Filho; 3) Porque repleta de Deus e a Ele consagrada, Maria é Virgem na dimensão bíblica e 4) Porque Maria foi plena de graça, será eternamente glorificada nos céus. Eis a expressão do dogma da Assunção.
b)                 A Ave-Maria é igualmente a síntese de outros dogmas da vida do cristianismo. Quando dizemos que o Senhor está com Ela (O Senhor é convosco), aludimos ao dogma da Encarnação. Ela é a concretização do Emanuel, Deus conosco. Nela acontecem as promessas dos profetas que anunciaram o Salvador.
c)                  Quando dizemos ainda que Maria é cheia de Graça, referimo-nos à teologia da graça de Deus, que hoje nos é dada pelos sacramentos, especialmente pela Eucaristia. Aliás, há uma unidade muito forte. O Verbo Encarnado – que está em Maria – e o Cristo presente realmente na Eucaristia. O anjo Gabriel proclama o grande privilégio da santidade perene de Maria. Ao dizer que Maria é cheia de graça, anuncia-se que na Virgem de Nazaré existe a graça transbordante de quem não foi tocada pelo pecado. Por essa razão, Maria é denominada Santíssima, pois cheia de graça e isenta de pecado. Os santos ensinaram que não convinha a Jesus Cristo, o Santíssimo, ser gerado e nascer de uma criatura imperfeita. Como podia o Onipotente e Perfeitíssimo Deus, Cristo, ser depositado num receptáculo que não fosse digno dele? O próprio Jesus ensina no Seu Evangelho que não se coloca vinho novo e bom em odres velhos e defeituosos (cf. Lc 5, 37). Eis porque o Criador elevou Maria, este Vaso Insigne de Devoção a tão grande santidade.
d)                 Bendita sois entre as mulheres. Temos aqui o cumprimento da tradição bíblica. Maria prefigurada por Judite, Ester etc. é Aquela que foi abençoada e agraciada por Deus. Deparamo-nos com o dogma da criação. Deus criou o ser humano que O traiu e desobedeceu, dizendo não. Maria responde sim e se torna a nova Eva. Quando rezamos Bendita entre as mulheres, estamos lembrando também a verdade teológica de Maria Corredentora do gênero humano.
e)                  Bendito é o fruto do vosso ventre. Ele é abençoado e digno de nosso louvor, porque é o Filho de Deus. Podemos encontrar nestas palavras uma alusão a Cristo que nos redime. Este fruto do ventre de Maria é bendito, pois será glorioso e vitorioso. Temos uma referência ao mistério de sua Ressurreição.  Do ventre de Maria, saiu a felicidade do ser humano. Nesta invocação encontramos tanto um referencial à pessoa de Cristo, quanto à de Maria. O ventre da Virgem Santíssima é o sacrário da humanidade, o primeiro tabernáculo vivo do Altíssimo. Ela é a Arca da Aliança perfeita, que cantamos na Ladainha.
f)                  Santa Maria, Mãe de Deus. Esta invocação data do Concílio de Éfeso (431, D.C.), quando Maria foi proclamada Mãe de Deus: teotókos. É o dogma da sua maternidade divina. Ela é a Mãe do Filho de Deus. Mas, começamos a chamá-la de Maria, cujo sentido é de Rainha, Senhora etc. Maria é a Rainha do Céu e da Terra, Ela é a mulher coroada de doze estrelas de que fala o Livro do Apocalipse, aquela que subiu ao Céu e é digna de todo louvor e toda glória, santa, ou melhor, santíssima. Eis a única santa que nós chamamos pelo superlativo em toda a história da Igreja. Além de todas as verdades teológicas, proclamamos Maria a Santa por Excelência, modelo de santidade.
g)                 Rogai por nos pecadores. Maria é a Onipotência Suplicante, no dizer do grande São Boaventura. Ela reza e intercede por nós. Nesta invocação, proclamamos Maria como medianeira, intercessora, aquela que roga por nós junto do seu Filho e de Deus Pai. Por essa razão, é a Medianeira de todas as graças, uma das verdades teológicas mais importantes da Igreja a respeito de Maria Santíssima. Há, na Ave-Maria, uma lição que não pode ser esquecida. Ao pedirmos à Mãe de Deus que rogue, peça, suplique, interceda por nós, estamos proclamando que só Deus é a fonte de toda graça e de todo bem. Maria é intercessora. Alguém que nos ama com amor de Mãe e apresenta a Deus as nossas necessidades.
Para aqueles que argumentam ser inútil esta intercessão, pois só Cristo é Mediador ou Pontífice, lembramos que vivemos intercedendo em nossas preces pelas pessoas que amamos. Foi o próprio Jesus que nos animou a pedir. Ora, se é tão importante a nossa intercessão junto a Deus, com muito mais razão, é imprescindível a intercessão daquela em quem Deus depositou todo o seu amor. Nós suplicamos a Maria esta intercessão. E temos razões de sobra para afirmar que ela não recusa esta intercessão. Por isso, rezamos com confiança: Ave-Maria, cheia de graça... rogai por nós pecadores!
h)                 Agora e na hora de nossa morte. Maria está presente na história de cada um de nós. Aqui, aludimos ao fato bíblico de Maria ao pé da Cruz. Nós pedimos a Maria, que esteja junto de nós, como um dia, Ela esteve junto de seu Filho, ao pé da Cruz. Que Ela nos ensine a viver e a partir para a vida em plenitude. Maria é a Compadecida, Mãe das Dores, solícita, que não nos esquece. Se Ela se tornou Mãe dos homens no momento da agonia do Seu Filho, não haverá de nos deixar no momento de nossa agonia. Presença sim, não apenas no momento da morte biológica, mas de todas as outras mortes cotidianas.
3. PORQUE DIZEMOS A AVE-MARIA DEPOIS DO PAI NOSSO
Tendo Nosso Senhor nos dado Maria por Mãe, lhe oferecemos a saudação da Ave Maria depois do Pai Nosso, pelo fato de que primeiramente honramos Deus como nosso Pai e depois passamos a louvar a Mãe e seu Filho muito bem amado. Alguns teólogos acrescentam que é uma concretização do mandamento de honrar Pai e Mãe.
4. O QUE CONTÉM A AVE-MARIA
O que significa para a Igreja e para nós a Ave-Maria? Essa oração tem os seguintes significados especiais:
a)      É um elogio celestial à Virgem Mãe de Deus pela boca do anjo, quando a proclama eleita de Deus e cheia de graça.
b)      É um hino de louvor e exaltação do ser humano na pessoa de Isabel, quando a chama de Bendita entre as mulheres
A Ave-Maria é uma antecipação dos louvores dedicados à Mãe Celestial, é a unidade entre o céu e a terra. Nós devemos ser igualmente essa porta, por onde os homens podem passar para encontrar o divino. Ela representa o papel da Igreja e dos cristãos. Por isso, nada mais natural do que, ao exaltar Deus em sua grandeza infinita, queiramos elogiar sua Mãe. Desta forma, a Igreja une sempre a prece do Pai Nosso e da Ave-Maria.
c)      A segunda parte da Ave-Maria é a confissão de nossa indigência e de nossas necessidades. Por isso pedimos que a própria inocência e pureza reze por nós; que interceda por nós pecadores e temos tanta necessidade de socorro. Essa proteção de Maria é extremamente importante a cada instante, por conta de nossa fragilidade. Torna-se mais importante ainda na hora de nossa morte, momento muito temido por todos. Nele não pode faltar o consolo de Maria.
5. MENSAGEM BÍBLICA E TEOLÓGICA DA AVE-MARIA
As primeiras palavras do anúncio do anjo Gabriel a Maria. Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!
a) A ALEGRIA. Alegra-te! A primeira palavra pronunciada pelo anjo não é uma saudação convencional. É um convite à alegria, feito na forma imperativa. Ao anunciar a toda a humanidade, representada por Maria, a encarnação do Verbo para a nossa salvação, Deus convida-nos à alegria plena, que só Ele nos pode dar: o dom da salvação.
Lucas, "o evangelista da alegria", enfatiza ao longo de todo o seu evangelho a alegria de Deus (cf. 15, 5.7.10; 23,24) e a alegria dos homens (cf. 10,17; 19,37; 24, 41.52). A alegria messiânica é particularmente enfatizada nos dois primeiros capítulos (cf. 1,14.44.47.58 e 68; 2,10.20.28 e 38). Também no livro dos Atos, sobretudo nos primeiros capítulos, é sublinhado o clima de alegria em que vive a Igreja (cf. 2,46; 5,41; 8,8.39; 11,23; 13,48.52; 15,31).
Convidada pessoalmente a alegrar-se, Maria pode ser vista também como a “Filha de Sião”, representante e portadora de alegria de todo o Povo de Deus pela vinda da salvação anunciada pelos profetas. O que é dito a ela é válido para todo o Povo de Deus, como aquilo que fora dito ao sacerdote Zacarias (1,14) e o que será dito aos pastores (2,10).
B) CHEIA DE GRAÇA. Antes de explicitar o que Deus vai operar nela, o anjo anuncia a Maria, na segunda palavra da saudação, o que nela já operou: foi plenificada com a sua graça. O que Deus já fez nela e o que vai continuar a fazer é a razão primeira e última da verdadeira alegria para a qual Maria é convidada. Deus derramou sobre ela seu amor benevolente e totalmente gratuito, tornando-a assim "a favorecida", "a agraciada" de Deus. E Este concedeu-lhe sua graça, porque A amou primeiro, com um amor absolutamente gratuito. Essa graça é tão fundamental e tão significativa, que a expressão "cheia de graça" é usada no lugar do nome próprio. Maria é nomeada pelo modo como é vista por Deus. De maneira singular, única e permanente é a "agraciada" de Deus.
Na Bíblia, graça, vocação e missão estão sempre relacionadas entre si. Maria foi totalmente agraciada por Deus para acolher e realizar a vocação-missão de ser a mãe do Messias. Nem Ela mesma conhecia toda a profundidade do seu mistério. Mas, "sentia" a presença do amor singular e único de Deus por ela.
Detenhamo-nos na graça com que foi contemplada a Virgem de Nazaré, tão acentuada nas primeiras palavras do anjo. Podemos fazê-lo repetindo e saboreando essas palavras ditas pelo mensageiro de Deus: "Alegra-te, rejubila, cheia de graça!" Depois de alegrar-nos com a alegria de Maria, inteiramente provinda de Deus, peçamos que nos seja dada também a graça de realizar na alegria a missão para a qual fomos chamados. Podemos ainda enriquecer e iluminar nossa oração e nosso louvor contemplando os privilégios que os olhos da fé da Igreja foram descobrindo em Maria ao longo dos séculos.
d)     O SENHOR É CONTIGO. A expressão o Senhor é (está) contigo pertence ao coração da teologia da Aliança. Aparece repetidas vezes nos relatos de vocação do Antigo Testamento. Com ela é prometida a presença e a proteção de Deus aos chamados por Ele para uma missão particular na história da salvação. Essa promessa foi feita a Isaac (Gn 26,3.24), a Jacó (Gn 28,15), a José (Gn 39, 2.3.21.23), a Moisés (Ex 3,11-12), a Josué (Js 1,5), a Gedeão (Jz 6,12.16), a Jeremias (Jr 1,8.19; 15,20). Igualmente feita à Virgem de Nazaré, que dá continuidade às grandes figuras da história de Israel.
O Deus da Bíblia não é simplesmente o Deus sobre nós (pura transcendência), nem o Deus em nós (pura imanência), nem o Deus diante de nós (pura utopia). É o Deus inserido em nossa história, nossa vida. Chegada a plenitude dos tempos, o Verbo eterno de Deus encarnou-se no seio de Maria e tornou-se Emmanuel, isto é, Deus-conosco, para sempre. Ele assumiu as limitações da vida humana; veio ao nosso encontro, descendo até os abismos de nossa história, experimentando nossa pobreza e fragilidade, nossa solidão, nosso sofrimento e nossa morte. Isso continua sendo um escândalo e uma loucura para os homens, já admitia São Paulo. E a única explicação desse "escândalo" e dessa "loucura" está no amor incomensurável de Deus por nós.
e)      BENDITA SOIS ENTRE AS MULHERES E BENDITO É O FRUTO. As palavras de Isabel confirmam toda a tradição bíblica. Maria é entre todas, a preferida, entre as mulheres, a escolhida, como cantamos em nossas Igrejas.
6. CONCLUSÃO
Podemos concluir dizendo que a Ave-Maria é uma das orações cristãs mais completas. Ali, encontramos descritos o papel e a missão da Santíssima Trindade. Maria é saudada pelo fato de ser a Mãe de Deus, cheia de Graça e do Espirito Santo, escolhida pelo Pai, Sacrário e Templo Vivo de Cristo, Mãe de todos os homens e intercessora sem cessar por todos nós, que somos realmente pecadores e necessitamos permanentemente do seu amparo e proteção.

CAIO AOS TEUS PÉS

Caio aos teus pés, Senhora, em profunda veneração.
Agradeço a Ti, toda a tua bondade e misericórdia!
Imploro a Ti, Mãe Compadecida a tua proteção.
Diante de Ti, dobro os meus joelhos,
Quero Te glorificar, pois és a única sem pecado.
Por mim pecador, intercede ao Pai
Para que eu possa me libertar das amarras
E aprender a viver a graça divina,
como um dia Tu viveste.
Nada tenho e sou para Te retribuir,
Mas Tu és Mãe e me conheces.
Quero Te louvar, Mãe de Misericórdia,
Quero Te louvar, Mãe da Compaixão,
Quero Te louvar, Mãe terna e cheia de mansidão
Que estendes a mim pecador a tua mão!  (Texto de São Beda) 








Pe. João Medeiros Filho
indigno escravo de Amor

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

São João Maria Vianney, modelo de sacerdócio em Cristo e escravidão de Amor a Virgem Maria


            Toda a Igreja Militante, Padecente e Triunfante, celebra dia 4 de agosto o nascimento para o Céu do Cura d’Ars, São João Maria Vianney. Canonizado pelo papa Pio XI em 1925, o nosso amado Santo Cura foi elevado patrono dos párocos em 1929 e atualmente é venerado como padroeiro e modelo para todos os sacerdotes.
            Com uma leitura superficial de sua vida poderíamos tomá-lo simplesmente como um bom e santo sacerdote. Porém, São João Maria Vianney, é uma fonte pulsante para todo membro da Igreja que anseia pela vida espiritual e missionária. Nascido para existência terrena em 8 de maio de 1786 a meia noite, também nesta data foi agraciado em nascer para Cristo com o sacramento do Batismo. Desde sua mais tenra infância nota-se sua extraordinária inclinação às coisas do Pai, predestinação ao Seu serviço e um amor especial à Virgem Imaculada. Contava sua irmã Margarida que o santo confessava a mãe na infância que queria ganhar muitas almas para Deus. Da Mãe de Deus trazia consigo apaixonadamente uma imagem que acompanhou-o até a sepultura, confessando “A Santíssima Virgem é meu maior afeto, amava-A antes mesmo de A conhecer”.
            Devido a sua humildade demorou-se em iniciar os estudos e quando desejou ser padre, sofreu as conseqüências: grande dificuldade em aprender. Foi assistido de perto pelo Pe. Balley, que cuidou pessoalmente de sua formação e empenhou-se em defender a vocação de seu jovem paroquiano junto às autoridades eclesiásticas. Antes de conferir Santa Ordem (recebida pelo santo dia 9 de agosto de 1815 com 29 anos e após muita luta) foi investigado da seguinte forma pelo responsável em autorizar sua ordenação: “É devoto?... Reza o Rosário?... Tem um especial amor para com a Virgem Maria?... Então será um bom sacerdote!” A um devoto crítico e escrupuloso que leia essas linhas pode soar como um abuso, porém Aquela que formou o Sumo e Eterno Sacerdote Jesus Cristo não será digna de toda a confiança e necessária para formar todo aquele que busca ser “persona Chisti”?
                Sacerdote recém ordenado foi servir ao Senhor da messe como vigário junto ao Pe. Balley, ao qual santamente e reciprocamente acusavam-se de serem severos demais com as mortificações pessoais. Após a morte de seu amado tutor, é enviado ao povoado de Ars. Lá foi provado do início do ministério no local até sua morte. Já o bem sabemos que terra era Ars: os prostíbulos e casas de jogos eram freqüentados quase que diariamente pelos moradores e lá estava o humilde padre! Porém o justo é provado no fogo e o santo sacerdote ia aos pés do Senhor diariamente, visitva todas as casas do local e mortificava-se. A Igreja começou a encher, Jesus Sacramentado passa a ser adorado todo o momento, as pessoas acorriam ao confessionário. Após uma longa batalha no confessionário todos os dias lá estava o santo Cura no púlpito: pregando, exortando, ensinando... Vale salientar que não era dotado de uma oratória erudita, mas falava a linguagem que penetrava as almas e as inquietava. Ele apresentava a face do “Bom Deus” digno de nosso amor e asseava o pecado das almas com o Sacramento da Penitência.
            As almas têm sede de Deus e o Santo cura João Maria exalava santidade. Sua reputação de santidade alastrou-se e Ars virou um pólo de peregrinação, seu confessionário vivia lotado, muitos peregrinos precisavam dormir nas filas. Apesar de tanto sucesso no seu ministério o padre continuava tão humilde ou mais que antes: sua batina era “filha” única e cheia de remendos. Seu sapato era furado e muitos confessavam que via-se os dedões. Quando perguntavam sobre suas roupas dizia que “uma batina surrada combina com a mais bela casula”. O zelo pela Casa e pelas almas do Senhor o consumia. Dormia de 2 a 4 horas por noite, comia medíocres refeições. Fundou em sua paróquia diversos confrarias e obras de assistência social, podemos citar as Confrarias do Santo Rosário (às senhoras) e do Santíssimo Sacramento (aos homens), mas a Casa da Providência era a menina de seus olhos. Tinha especial apreço e cuidado esse bom Pastor.
            A Virgem venerada como Imaculada era amada apaixonadamente pelo santo. Além de afeto esse grande sacerdote confiava na eficácia da ação da Virgem Maria para a conversão e santificação das almas. Era escravo de amor e não contentava em viver apenas na sua intimidade a sua escravidão. Consagrou toda a sua paróquia ao Imaculado Coração de Maria Santíssima e mandando confeccionar um coração de bronze, listou todos os seus paroquianos e selou-os no Coração da Virgem. Aos devotos ez-se publicar duas guias para as almas devotas: “Guia das almas piedosas nos santuários de Maria” e “Considerações sobre a necessidade de conhecer Jesus Cristo”. Fundou a Confraria da Santa Escravidão à qual tinha especial amor, escrevendo os 10 mandamentos do escravo da Santíssima Virgem.
            À nós, Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus, esse Sacerdote santo é um luzeiro que infude um parâmetro e modelo acabado, e já reconhecido pela santa Igreja. Temos o chamado de prover o sustento espiritual ao Clero de nossa diocese e de dioceses de nossas missões, rezando todos os dias por mais operários à messe. Pedimos virtudes inerentes àqueles que hoje realizam seu ministério como pastores de nossa Igreja. Clamamos pela liberdade de espírito, castidade, pobreza, obediência, amor à Cruz, entrega dos bens espirituais e o amor a Eucaristia. Convidamos as almas que se consagram a Jesus por Maria Santíssima na Santa Escravidão de amor em nossos grupos, a adotarem espiritualmente e aleatoriamente um membro de nosso clero. Portanto o fiel, consagrado a Virgem Maria ou qualquer pessoa que também deseje adotar, compromete-se em rezar diariamente por seu filho espiritual, formando assim uma corrente de amor e intercessão. Rezando por esses homens que na limitação humana e diante de tantas provações e perseguições lutam para configurar-se a Cristo como Bom Pastor e rosto de misericórdia do Pai.
            Lanço hoje uma proposta: ame seu sacerdote! Faça uma homenagem a ele no seu dia e principalmente reze para que pela intercessão de São João Maria Vainney e aos cuidados da Virgem Maria que pela graça divina seja ele configurado a Cristo.
            São João Maria Vianney modelo dos sacerdotes, rogai por nós!




Isabelle de Maria

Consagrada a Nossa Senhora.






Para citar esse artigo:
Isabelle de Maria - "São João Maria Vianney, modelo de sacerdócio em Cristo e escravidão de Amor a Virgem Maria"
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus
Online, 03/08/2011

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Escapando do inferno com o verdadeiro Escapulário

          
           De um lado um anjinho, de outro um diabinho. Assim é um “escapulário” que pode ser encontrado à venda na internet. O sentido (que o vendedor chama de “brincadeira”) é o seguinte: se você está num dia bom o anjinho fica pra frente, se não... (tsc). Além desse péssimo exemplo supracitado, hoje em dia o escapulário é utilizado de várias formas: com a imagem de cantores famosos, de times de futebol e até dá nome a uma música de Caetano Veloso. Cabe perguntarmos, contudo, o que é o escapulário? De onde vem? Qual o seu sentido na vida do cristão? Qualquer pessoa pode usá-lo? São essas questões que orientam essa breve reflexão.
            Antes de tudo, o escapulário não é apenas mais uma corrente que vai do peito até as costas (scapulas significa ombros em latim), com um símbolo qualquer em ambos os lados. O escapulário é um sacramental, cuja história é reconhecida pela Igreja no âmbito da ordem do Carmo. Em 16 de julho de 1251, São Simão Stock, superior geral da ordem do Carmo, recebeu das mãos de Nossa Senhora este sacramental como fonte de graças e sinal de proteção para aqueles que o portarem com fé. No século seguinte, a Virgem do Carmo aparece novamente, dessa vez ao Papa João XXII, prometendo uma assistência especial aos que usassem o escapulário, além de livrá-los do purgatório no sábado seguinte a morte (privilégio sabatino).
              O escapulário também traz muitos frutos de santidade, dos quais podemos citar o jovem africano beatificado em 1994, pelo Papa João Paulo II, que o chamou de o “mártir do escapulário”. Trata-se do bem-aventurado Isidoro Bakanja, cuja vida difícil, marcada de trabalho escravo, terminou após renunciar a ordem do seu algoz (um colonizador belga e ateu) de retirar o escapulário de Nossa Senhora do Carmo, símbolo de sua fé. O mártir foi chicoteado até formar uma grande chaga em suas costas, fazendo-o sofrer durante seis meses até a sua morte, em odor de santidade, em 15 de agosto de 1909. [1]
Grandes santos da Igreja testemunham também o uso do verdadeiro escapulário e o recomendam, dentre os quais podemos citar: São Simão Stock, São João da Cruz, Santa Teresa de Jesus, Santo Afonso Maria de Ligório, São Pedro Claver, São João Bosco e São Boa Ventura. Nessa medida, qualquer pessoa não só pode, mas deve usá-lo [2]. Além desses já proclamados santos, o beato João Paulo II escreveu uma carta por ocasião do 750° aniversário da devoção ao escapulário, onde afirma que:
            São, portanto duas as verdades recordadas no sinal do Escapulário: por um lado, a proteção contínua da Virgem santíssima, não só ao longo do caminho da vida, mas também no momento da passagem para a plenitude da glória eterna; por outro, a consciência de que a devoção a Ela não se pode limitar a orações e obséquios em sua honra em algumas circunstâncias, mas deve constituir um “hábito”, isto é, um ponto de referência permanente do seu comportamento cristão, tecido de oração e de vida interior, mediante a prática freqüente dos Sacramentos e o exercício concreto das obras de misericórdia espiritual e corporal. Desta forma o Escapulário torna-se sinal de “aliança” e de comunhão recíproca entre Maria e os fiéis; de fato, ele traduz de maneira concreta a entrega que Jesus, na cruz, fez a João, e nele a todos nós, da sua Mãe, e o ato de confiar o seu apóstolo predileto e nós a Ela, constituída nossa Mãe espiritual.
            A Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus, assim, oferece esse sinal de aliança com Nossa Senhora aos seus visitantes (que vão às casas de formação ou de retiro). É de suma importância que haja a investidura no fiel pelo sacerdote, para que, através da oração e da benção, possa gozar dos privilégios do uso do santo escapulário. Como a investidura é no fiel, caso se quebre podemos trocar o santo escapulário por outro, pois a benção foi concedida a nós! Estaremos, então, de maneira especial sob a proteção materna da Virgem Mãe, “trabalhando na construção de um mundo mais fraterno, de justiça e de paz” [4]. Eis o sentido de portar essa armadura, à exemplo dos santos. Fujamos dos “escapulários” de diabinhos aparentemente inofensivos... Escapemos do inferno com o verdadeiro escapulário!


Notas e referências:

[1] http://www.prestservi.com.br/diaconoalfredo/santos/i/ba_isidoro_bakanja.htm

[2] http://www.basilicadocarmocampinas.org.br/origem.htm

[3] Carta do Santo Padre Papa João Paulo II por ocasião dos 750 anos de devoção ao escapulário: (1251 a 16 de julho – 2001).

[4] Da fórmula de imposição do santo escapulário





Eugênio Maria
Membro aliança nível 2, músico e compositor.






Para citar esse artigo:
Eugênio Maria - "Escapando do inferno com o verdadeiro Escapulário"
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus
http://formacaodiscipulosdamaededeus.blogspot.com/2011/07/escapando-do-inferno-com-verdadeiro.html
Online, 11/07/11

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Misericórdia Entranhada de Amor

Oh Jesus, nascido da Virgem Maria!
Misericórdia e Amor das entranhas de Deus para nós.
Plano de Salvação guardado desde toda eternidade no âmago do Coração do Pai, que se revela a nós tomando a nossa forma, como simples e humilde criança.
É o próprio Deus que se doa, que se entrega.
É o Filho que em favor e resgate de todos sai do íntimo do Pai e pelo Espírito é fecundado no mais Lindo Sacrário, Ventre Puro e Imaculado da Nova Eva, escolhida entre todas para gerar o Fruto da Vida que se Imola e se dá como Preciosíssimo Alimento em cada Santa Missa.
Então, como não amar? Como não querer? Como resistir a imensa Misericórdia entranhada de Amor, de um Deus que corre ao nosso encontro e que está sempre pronto a nos acolher, a nos visitar, a nos perdoar?
Como não se envolver na tamanha "loucura" desse Amor que se aniquilou de forma Sangrenta e cruenta numa Cruz para nos Salvar?
Como não Adorar? Como não se prostrar? Como não estar aos pés do Amado Deus Vivo e Eucarístico entre nós?
A Jesus, o Santo dos santos, por meio da Santíssima Virgem Maria e de São José, toda mais Sublime Adoração, Louvor, Honra e Glória por todos os séculos. Amém!




Ricardo de Maria
Membro nível 2 de Aliança da Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus, Músico, Compositor, casado e tem um filho.







Para citar esse artigo:
Ricardo de Maria - "Misericórdia Entranhada de Amor"
Online, 08/06/2011

quinta-feira, 28 de abril de 2011

São Luis Maria Grignion de Montfort



I – Vida e personalidade
       São Luis Maria Grignion de Montfort nasceu em 31 de janeiro de 1673 na cidade de Montfort, na região da Bretanha, França. Vinha de uma família que pertencia a nobreza, mas que se encontrava em decadência financeira, sendo o seu pai um homem duro, que não aceitava a situação critica pela qual passava, pois era o advogado da vila, mas um homem cristão que tomava conta da Igreja de São João e, sua mãe uma senhora dona de casa. Seus pais eram João Batista Grignion de Bachelleraie e Joanna Visuelle de Chesnais, ambos de famílias nobres, mas, como dito, pouco afortunados. No Batismo o menino recebeu o nome de Luís, ao qual na crisma se acrescentou o de Maria. Mais tarde abandonou o nome de sua família, passando a chamar-se Luís Maria Montfort, porque foi em Montfort onde recebeu o santo batismo. Do matrimônio abençoado dos Bachelleraie-Visuelle, além de Luís Maria procederam mais 17 filhos, dos quais um se fez padre, outro entrou na Ordem de S. Domingos, e uma irmã tomou o hábito de São Bento. Guyonne Jeanne, geralmente chamada Luísa, tornou-se Irmã do SS. Sacramento. Morreu em odor de santidade e era predileta do Santo.
       Sempre introvertido, vivendo sempre em recolhimento e oração, ficava muito sozinho, quando aos doze anos foi enviado pelo pai para a Escola dos Padres Jesuítas na cidade de Rennes, onde sempre, de forma discreta, foi o aluno mais destacado dentre os mais de dois mil que ali estudavam.
       O seu caráter é demonstrado desde a adolescência. Um exemplo é a sua caridade ardente, vista quando ao sentir que o colega de escola era alvo de zombarias por parte dos outros alunos por não ter uma boa roupa, São Luis se colocou a mendigar e quando estava com a metade do dinheiro para comprar a roupa nova, leva o amigo à loja e lá chegando diz ao dono da loja que ali estava um irmão dele e que necessitava de uma roupa nova, mas o dinheiro somente pagaria a metade e a outra metade seria paga pelo comerciante. Vendo a situação, o comerciante não entende, mas cede ao pedido e vende a roupa pela metade do preço. Sua caridade também se mostra com os doentes, pois todo o dia após as aulas, dirigia-se ao hospital para cuidar dos enfermos e ler para eles algum livro e explicar-lhes o catecismo.
Vivendo no Colégio dos Jesuítas, São Luis pôde conhecer a sua vocação, e, certo dia, quando tinha vinte anos, diante da imagem de Nossa Senhora, em razão do seu pedido de que Deus mostrasse qual o caminho deveria seguir, ouviu uma voz que lhe disse: “Tu serás sacerdote”.
       Entendendo a vontade de Deus, Montfort decidiu ingressar no Seminário em Paris. Resolveu que iria sem nada, mas seus pais e uma boa senhora fizeram-lhe um enxoval e deram-lhe algum dinheiro. Recebendo tais coisas, mesmo sem vontade, Montfort saiu em direção a Paris e ao encontrar alguns mendigos, deu-lhes todo o seu dinheiro, enxoval e a roupa que usava trocou com um dos mendigos, demonstrando o seu desapego as coisas do mundo e sua vontade de livremente seguir a Deus, fazendo seu voto de pobreza diante de Deus. Como o próprio Santo coloca como lema de sua vida, ”Deus Só”, colocando-se como um homem livre.
       Após percorrer a pé cerca de 300 km, em dez dias, chega a Paris e se dirige ao Seminário de São Suplício, mas ao chegar ao tradicional seminário, dividido em Grande e Pequeno São Suplício, e, ao verem a situação em que se encontrava vestido e sem qualquer dinheiro para ingressar no seminário, foi enviado para um seminário que acolhia jovens pobres que desejavam ser sacerdotes, seguindo com seus estudos de teologia na Universidade de Sorbonne. Ao chegar ao seminário, Montfort observou a grave crise financeira pela qual o mesmo passava e ofereceu-se ao reitor para mendigar e recolher doações para o seminário, e, a sua caridade ficou ainda mais marcada quando passou a velar os mortos pelo menos três vezes por semana em troca de dinheiro para o seminário, o que o fez ter um desapego ainda maior com as coisas do mundo. Montfort sempre confiou na providência de Deus, tanto que chegou a doar sua batina e confiar que lhe seria dada uma em troca de doar a um mendigo o dinheiro que serviria para começar a pagar outra.
Durante o período de dificuldades do seminário, falece o reitor do seminário que tão bem acolhera o Santo e São Luis, de forma serena e calma diz que confia na providência de Deus, passando para outro seminário que acolhia seminaristas pobres e o sustento era ainda mais difícil, fazendo-o adoecer e no leito do hospital São Luis sentia a alegria de poder ter a honra de ficar doente para a glória de Deus e sua certeza era tanta que Deus o tiraria daquela situação que oito dias depois estava de pé. Não lhe faltaram ocasiões de se exercer nas virtudes, em suportar com paciência injúrias e contradições. Ávido de sacrifícios reduzia seu corpo à servidão com toda a sorte de mortificações. Foi naquela época que fez o noviciado de caridade para com os pobres, virtude esta, cuja prática tornou-se nota característica de sua vida.
       Após todo o sofrimento com o fechamento do outro seminário que o acolhera e de tornar-se conhecido como um jovem de fé e de, desde cedo, grandes feitos, São Luis é recebido no Seminário de São Suplício com grandes honras, mas, por não ser um homem comum, ele sofreu perseguições e humilhações de parte de seus superiores, negando-lhe até mesmo acompanhamento espiritual e confissão. Contudo, com sua fé inabalável na intercessão da Virgem Maria, mantinha-se obediente, e com Maria Santíssima passava por todas as provações sem reclamar. Vendo os superiores que não tinham como mudar São Luis, colocam-no como responsável pela biblioteca, o que o fez conhecer ainda mais a Mãe de Deus e ter ainda mais amor por Ela, tendo conhecido a Santa Escravidão de Amor e, com autorização de seus superiores, consagrou-se a Virgem Maria e criou um grupo de escravos de amor no seminário. Ao se consagrar, torna-se apostolo e começa seus caminhos de pregação, levando a todos o conhecimento de Deus e o amor de Maria Santíssima, tanto que não admitia o pecado em sua presença, chegando a, com a cruz na mão, se pôr diante de um duelo que estava sendo travado, bem como dispersou as pessoas que viam na rua exibições obscenas e pecadoras. Após o início de suas missões, em 1700, no dia 05 de junho, é ordenado, passando o dia em adoração e uma semana preparando sua primeira missa.
       São Luis tinha dois amores, a Virgem Maria e os pobres. Sobre a primeira, falaremos depois. Pelos pobres seu amor era intenso. Vejamos suas demonstrações de amor:
  • Acolhido pelos pobres do Hospital de Poitiers, ao chegar mal vestido, confundindo-se com um mendigo, estes lhe dão roupas e o que comer;
  • Recebido pelos pobres, é colocado como capelão do hospital, e, mendigando nas ruas, arrecada donativos para o hospital, tornando-o um lugar agradável, e procura e recebe cada vez mais pobres e doentes que vagavam pelas ruas. Como Montfort não aceitava o pecado e não seguia os regulamentos do hospital, o administrador e alguns pobres pecadores contumazes o expulsam do hospital, e, após oito dias de afastamento, São Luis volta para o hospital após o falecimento do administrador, do superior e de mais oitenta pessoas. Com a volta, assume as atividades no hospital, de onde é novamente expulso, e, a pedido dos pobres a seus superiores, retorna, e se dá as mortificações (jejuns, penitências etc.) para que fossem derramadas graças sobre o seu trabalho que era de suas atividades como padre, como apóstolo e com seus trabalhos no hospital. Neste hospital deixa duas missionárias, inclusive aquela que com ele, Maria Luisa Trichet (mais tarde beatificada), fundaria as Filhas da Sabedoria.
  • Todavia, é mandado embora novamente e se dê as missões, tendo adquirido um terreno onde fixou um grande crucifixo e todas as noites pregava para uma grande aglomeração de pessoas;
       Após sair definitivamente do hospital, o Santo da Cruz se colocou em missões por diversas dioceses da França, sendo acolhidos algumas vezes, aplaudidos outras e caluniado a perseguido sempre, tanto que após diversas perseguições e de alguns bispos não permitirem que pregue ou que celebre, o mesmo se dirige, a pé, em constante peregrinação e penitência, para Roma e lá solicita do Papa Clemente XI que o envie para missões fora da Europa, não tendo o Papa aceito e o enviado de volta à França, agora, como Missionário Apostólico.
       Em 01 de abril de 1716 estava em missão e após uma sessão de flagelações, método utilizado pelos santos para alcançarem a graça divina. Dois dias depois, acompanhado por quatro outros sacerdotes, mas sobrecarregado de trabalho, acometido de grande febre e quase sem fôlego se coloca em procissão para demonstrar ao povo o respeito que se deve ter com o bispo que o convidara para pregar. Pregou, e, logo após, se colocou sobre vitimado de pleurisia maligna sobre um colchão e lá recebeu os últimos sacramentos. Em 28 de abril de 1716 falece, com 43 anos, acometido da pleurisia. Antes de seu óbito, dita seu testamento, pedindo que seu corpo fosse enterrado no cemitério e seu coração colocado embaixo do altar da Virgem Maria. Até mesmo em seu leito de morte mostrou seu espírito de combate e confiança em Deus e na sua boa Mãe, pois imóvel exclamou para satanás, “é em vão que tu me atacas! Estou entre Jesus e Maria”.    
       Em 07 de setembro de 1838, o Papa Gregório VI deu-lhe o título de venerável e iniciou seu processo de beatificação. Em 1848, o Papa Gregório XVI concedeu-lhe o título de venerável e em 1853 a Congregação Romana para a Causa dos Santos pronunciou que as obras de São Luis estavam isentas de qualquer heresia e as aprovou. Em 29 de setembro de 1869, o Papa Pio IX publicou decreto sobre os feitos heróicos de Montfort e autorizou o exame de quatro milagres atribuídos a ele. Em 1886, Leão XIII aceitou os quatro milagres e a beatificação se deu em 22 de janeiro de 1808, a sua canonização definitiva se deu em 20 de julho de 1947, esperando assim o século de Maria, pelo Papa Pio XII. Em 1983, no Congresso Mariano Internacional foi confeccionada e enviada ao então Papa João Paulo II carta pedindo a aclamação de São Luis como Doutor da Igreja, o que ainda está em análise na Congregação para as Causas dos Santos. No dia 20 de julho de 1996 o Papa João Paulo II inseriu sua festa no calendário romano universal.  Sua festa é comemorada com muito júbilo pelas famílias monfortinas e seus devotos, no dia 28 de abril de cada ano.

II – Missão
       São Luis nasceu para pregar e levar a palavra de Deus e o amor a Virgem Maria pelos cantos, tanto que comovia as multidões que o admiravam ou odiavam-no. Tanto que em suas missões levava multidões para ouvi-lo, e, pregando a palavra de Deus, o amor a Mãe de Deus e a conversão, tornou-se admirado, mas, perseguido, tanto que estando em missões, recebeu uma carta do Bispo que o mandou deixar a Diocese, e, sempre fiel a Santa Igreja, foi embora e, a pé, seguiu de Paris a Roma para ter uma audiência com o Papa Clemente XI, dando aos pobres, no caminho, o dinheiro que tinha e passando por fome e frio. Ao chegar a Roma, em respeito, coloca-se de joelhos e tira os sapatos. Recebido pelo Papa, pede-lhe que seja enviado para missões na Ásia ou na África, tendo recebido do Papa a missão de retornar a França e lá, com as bênçãos do Papa que o nomeou missionário apostólico, exercer a sua missão de apóstolo.
       Em suas missões, sempre foi muito requisitado, mas também perseguido e mostrava seu ardor e sua crença, acreditando sempre na vontade e providência de Deus. Em uma de suas missões, diversas pessoas brigavam e atiravam pedras umas nas outras, e Montfort se coloca entre elas, reza uma ave-maria e beija o solo, parando a briga. Ainda na missão, estava pregando e viu pessoas em uma mesa jogando. Foi até a mesa e a chutou, sendo, com alegria e recitando o terço, levado pelos soldados preso, mas liberto em seguida, o que o deixou triste, pois desejava ser preso por amor a Deus e a seus irmãos que haviam largado o jogo. Da mesma forma que fez com a mesa de jogo, fez com mesas de um bar que estava próximo ao local onde pregava e pegou dois dos piores pela gola das camisas e os coloca para fora e os manda ir embora.
       Em suas missões, além de seu ardor em fazer os outros pararem de pecar, pregava a renovação das promessas do batismo com a prática da verdadeira devoção a Santíssima Virgem, onde os consagrados entregavam-se ao Cristo pelas mãos de Maria Santíssima para melhor depender e se entregar a Deus. Suas missões também eram marcadas pelas multidões que se colocavam em procissões com o crucifixo como estandarte, colocando calvários e reconstruindo igrejas.     
       Montfort e a cruz. Desde sempre apaixonado pela paixão de Cristo, São Luis era um grande amante da cruz. Pregava: “Jamais a cruz sem Jesus nem Jesus sem a cruz”. Chegou a pregar sem dar qualquer palavra, deixando a cruz no altar, contemplando-a e levando-a aos ouvintes para beijá-la dizendo: “Eis teu Salvador, não tens bastante pesar por tê-lo ofendido”. Sempre em cada missão buscava erguer um calvário, ou, pelo menos, uma cruz. Em La Rochelle resolve colocar dois calvários em honra da vitória sobre o demônio e após abençoar o segundo calvário, foram vistas cruzes no céu por cerca de 15 minutos. Em Fontenay, o céu aparentava chuva, mas Montfort tranqüiliza as pessoas dizendo que o céu estava com eles e o sol voltou a brilhar forte. O amor a cruz é traduzido por Montfort como a nossa obrigação de, sem murmuração, carregarmos nossas cruzes, pois Jesus carregou a sua cruz por nos redimir do pecado. Como o próprio Cristo disse, quer me seguir, renuncia a ti mesmo, pega a tua cruz e me siga. Além da cruz, Montfort se dá a grandes penitências, jejuando constantemente, realizava flagelações, utilizava cadeias de ferro e silício.
       Com a sua personalidade forte, São Luis enfrentou grandes perseguições e provações. Em Poitiers foi expulso pelo bispo quando ia queimar cerca de 500 livros e um padre enciumado colocou uma figura do demônio e disse ao bispo que Montfort queria queimar o diabo. Em Lê Chevrollière é insultado pelo pároco e outros incrédulos e permaneceu calmo e em oração e ao se despedir do pároco disse que rezaria todos os dias para que ele fosse santo. Chamavam-no de louco, atiravam-lhe pedras, falavam mal-no, humilhavam-no, mas Montfort permanecia fiel a sua missão e obediente a Igreja. Em Ponchâteau buscou erguer um grande calvário em uma colina, tendo a colaboração e serviço de mais de 20.000 pessoas, mas teve negada a autorização para abençoar pelo bispo de Nantes que também o mandou ir embora e o calvário foi destruído por ordem do rei. São Luis saiu sem qualquer queixa e sem se opor a ordem do bispo.
       Em 1711, calvinistas de La Rochelle puseram veneno na bebida de Montfort, ficou por dias doente, mas escapou da morte. Vendo que estava chegando próximo os seus dias, diante das conseqüências que o veneno lhe trouxe, colocou-se a escrever. Em três dias escreveu a obra O Segredo de Maria. Em 1712 escreveu sua obra prima, após ter lido diversas obras sobre a escravidão de amor e sobre mariologia, Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem. Têm ainda a obra O Amor da Sabedoria Eterna,profundamente teológica e Carta aos Amigos da Cruz.     
       São Luis também era profeta e, dentre as suas diversas profecias está aquela colocada no Tratado da Verdadeira Devoção onde diz que grandes feras perseguirão aquele livro e aqueles que o lessem.  Tal profecia se realizou integralmente, pois o livro não foi publicado quando o santo estava vivo, e, após sua morte, seus discípulos foram perseguidos e o livro, com a chegada da Revolução Francesa, além de perder algumas partes em razão de incêndios criminosos, foi colocado em um cofre, sendo redescoberto apenas em 1842. Além de grande profeta, a São Luis são atribuídos grandes milagres e obras de Deus.

III – Legado
       Montfort, pela graça de Deus não poderia ficar esquecido, tanto que além de suas obras e suas missões, fundou a Companhia de Maria, formada por homens e as Filhas da Sabedoria formada por mulheres com o objetivo de propagar o seu legado pelo mundo.  
       Com suas obras e ensinamentos, São Luis inspirou diversos movimentos e santos, como a Legião de Maria, o Movimento Sacerdotal Mariano, a Arca de Maria, os Arautos do Evangelho, os Discípulos da Mãe de Deus etc, bem como santos como Santa Terezinha, Santo Cura D’ ars, além do saudoso Papa João Paulo II que tinha como lema a frase Totus Tuus.  
IV – Sua vida com Maria Santíssima
       Desde os seus cinco anos, Montfort já demonstrava o seu zelo e amor pela Virgem Maria, tanto que sempre acompanhava sua mãe na oração do santo rosário e, ao passar por alguma imagem da Virgem Maria, saudava-as e ficava por horas nas Igrejas diante da imagem da Virgem Maria, bem como até o seu leito de morte permanecia com uma pequena imagem da Virgem Maria.
       Conheceu no seminário, após a leitura de todas as obras de grandes santos de sua época e épocas anteriores, como São Bernardo, São Bernardino, São Boaventura, a Consagração, também conhecida como escravidão de amor, onde o fiel se entrega inteiramente à Virgem Maria, na qualidade de escravo de amor, renovando as promessas batismais e entregando a Santíssima Virgem todos os seus bens espirituais e materiais e sua vida para que a Virgem Mãe de Deus possa melhor apresentar o fiel a Jesus. Coloca, ainda, que o consagrado que renova as promessas batismais pela Consagração quer servir-se da Mãe do Verbo para instaurar o reinado Dela, e, por conseguinte, o reinado de Jesus, pois apenas Jesus Cristo é o caminho, mas Sua Santíssima Mãe é o mais perfeito, seguro e curto caminho que nos leva ao Salvador. Menciona que a verdadeira devoção é uma consagração de tudo o que se possui no tempo e na eternidade, uma entrega total a Virgem Maria, passando o consagrado a ter uma dependência integral da Santa Virgem Maria.

       Tendo se consagrado à Santíssima Virgem Maria, levou em todas as suas missões o conhecimento e a consagração a Jesus por meio da Virgem Maria, realizando grandes conversões e momentos de intenso amor à Mãe de Deus como forma de na dependência e buscando viver as virtudes da Mãe do Redentor o fiel pudesse mais dignamente buscar a santidade e sua entrega a Deus.
V – BIBLIOGRAFIA
1 - www.paginadooriente.com.br – texto revisado pelo Pe. Luiz Augusto Stefani (SMM – Missionário da Companhia de Maria (Missionário Monfortino);
3- Jogen, Humberto, Vida de São Luis Maria Grignion de Montfort, Editora Santuário, 1992.

Alexsandro de Maria é membro aliança nível 3, casado e mora no Condomínio Mãe de Deus.