sábado, 7 de janeiro de 2012

A Oração da Ave Maria


1.      INTRODUÇÃO
A oração da Ave-Maria, como rezamos hoje, apareceu pela primeira vez em 1563, no breviário de um mosteiro da Ordem dos Cartuxos (fundada por São Bruno em 1084), em Grenoble, nos Alpes franceses. Lá pela metade do século XVII, ela se espalhou por todo o mundo, rezada e cantada.
Como todos sabem, ela é composta de duas partes. A primeira é uma transcrição da saudação do anjo a Nossa Senhora: Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco (Lc 1, 28) e da saudação de Isabel, quando recebeu a visita de Nossa Senhora: Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre (Lc 1, 42). Mais tarde, no século IV, introduz-se a palavra Jesus. Quem lê na Bíblia os textos acima vai perceber que os nomes Maria e Jesus foram acrescentados à prece. Estas duas frases contêm inúmeros dados de caráter teológico, em que rememoramos dogmas e verdades do cristianismo. Veremos mais adiante. Esta primeira parte da Ave-Maria predominou até o século XVI, no pontificado do Papa Pio V, que foi um religioso dominicano. E, no século XVI, o mesmo Papa Pio V, em 1570, aprova a segunda parte da oração, nascida da devoção da Igreja.
Nesta segunda parte da oração mariana invoca-se Nossa Senhora pelo seu nome: Maria e pedindo sua intercessão. Depois de entender a verdade bíblica – em que se afirma ser Maria cheia de graça, Mãe de Deus e por isso mesmo bendita entre as mulheres e mais bendito ainda o fruto do seu ventre – resta à Igreja invocar esta mulher maravilhosa pedindo: Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém
2.      CARACTERÍSTICAS DA AVE-MARIA
Ave-Maria é uma oração profundamente bíblica e eclesial. Composta de trechos do evangelho de São Lucas e de preces compostas pela Igreja no decorrer dos séculos. De acordo com alguns estudiosos, nas catacumbas dos cristãos de Roma, já existiam inscrições que aludiam a essa prece incipiente, isto é, à primeira parte.
O que contém a Ave-Maria:
a)                  Proclamamos Maria, como a eleita de Deus, que preenche todo o seu coração. Já aqui temos uma alusão aos dogmas marianos. Enquanto, cheia de graça: 1) Ela é Isenta de pecado: dogma da Imaculada; 2) Cheia do amor de Deus, Ela pôde se tornar a Mãe do seu Filho; 3) Porque repleta de Deus e a Ele consagrada, Maria é Virgem na dimensão bíblica e 4) Porque Maria foi plena de graça, será eternamente glorificada nos céus. Eis a expressão do dogma da Assunção.
b)                 A Ave-Maria é igualmente a síntese de outros dogmas da vida do cristianismo. Quando dizemos que o Senhor está com Ela (O Senhor é convosco), aludimos ao dogma da Encarnação. Ela é a concretização do Emanuel, Deus conosco. Nela acontecem as promessas dos profetas que anunciaram o Salvador.
c)                  Quando dizemos ainda que Maria é cheia de Graça, referimo-nos à teologia da graça de Deus, que hoje nos é dada pelos sacramentos, especialmente pela Eucaristia. Aliás, há uma unidade muito forte. O Verbo Encarnado – que está em Maria – e o Cristo presente realmente na Eucaristia. O anjo Gabriel proclama o grande privilégio da santidade perene de Maria. Ao dizer que Maria é cheia de graça, anuncia-se que na Virgem de Nazaré existe a graça transbordante de quem não foi tocada pelo pecado. Por essa razão, Maria é denominada Santíssima, pois cheia de graça e isenta de pecado. Os santos ensinaram que não convinha a Jesus Cristo, o Santíssimo, ser gerado e nascer de uma criatura imperfeita. Como podia o Onipotente e Perfeitíssimo Deus, Cristo, ser depositado num receptáculo que não fosse digno dele? O próprio Jesus ensina no Seu Evangelho que não se coloca vinho novo e bom em odres velhos e defeituosos (cf. Lc 5, 37). Eis porque o Criador elevou Maria, este Vaso Insigne de Devoção a tão grande santidade.
d)                 Bendita sois entre as mulheres. Temos aqui o cumprimento da tradição bíblica. Maria prefigurada por Judite, Ester etc. é Aquela que foi abençoada e agraciada por Deus. Deparamo-nos com o dogma da criação. Deus criou o ser humano que O traiu e desobedeceu, dizendo não. Maria responde sim e se torna a nova Eva. Quando rezamos Bendita entre as mulheres, estamos lembrando também a verdade teológica de Maria Corredentora do gênero humano.
e)                  Bendito é o fruto do vosso ventre. Ele é abençoado e digno de nosso louvor, porque é o Filho de Deus. Podemos encontrar nestas palavras uma alusão a Cristo que nos redime. Este fruto do ventre de Maria é bendito, pois será glorioso e vitorioso. Temos uma referência ao mistério de sua Ressurreição.  Do ventre de Maria, saiu a felicidade do ser humano. Nesta invocação encontramos tanto um referencial à pessoa de Cristo, quanto à de Maria. O ventre da Virgem Santíssima é o sacrário da humanidade, o primeiro tabernáculo vivo do Altíssimo. Ela é a Arca da Aliança perfeita, que cantamos na Ladainha.
f)                  Santa Maria, Mãe de Deus. Esta invocação data do Concílio de Éfeso (431, D.C.), quando Maria foi proclamada Mãe de Deus: teotókos. É o dogma da sua maternidade divina. Ela é a Mãe do Filho de Deus. Mas, começamos a chamá-la de Maria, cujo sentido é de Rainha, Senhora etc. Maria é a Rainha do Céu e da Terra, Ela é a mulher coroada de doze estrelas de que fala o Livro do Apocalipse, aquela que subiu ao Céu e é digna de todo louvor e toda glória, santa, ou melhor, santíssima. Eis a única santa que nós chamamos pelo superlativo em toda a história da Igreja. Além de todas as verdades teológicas, proclamamos Maria a Santa por Excelência, modelo de santidade.
g)                 Rogai por nos pecadores. Maria é a Onipotência Suplicante, no dizer do grande São Boaventura. Ela reza e intercede por nós. Nesta invocação, proclamamos Maria como medianeira, intercessora, aquela que roga por nós junto do seu Filho e de Deus Pai. Por essa razão, é a Medianeira de todas as graças, uma das verdades teológicas mais importantes da Igreja a respeito de Maria Santíssima. Há, na Ave-Maria, uma lição que não pode ser esquecida. Ao pedirmos à Mãe de Deus que rogue, peça, suplique, interceda por nós, estamos proclamando que só Deus é a fonte de toda graça e de todo bem. Maria é intercessora. Alguém que nos ama com amor de Mãe e apresenta a Deus as nossas necessidades.
Para aqueles que argumentam ser inútil esta intercessão, pois só Cristo é Mediador ou Pontífice, lembramos que vivemos intercedendo em nossas preces pelas pessoas que amamos. Foi o próprio Jesus que nos animou a pedir. Ora, se é tão importante a nossa intercessão junto a Deus, com muito mais razão, é imprescindível a intercessão daquela em quem Deus depositou todo o seu amor. Nós suplicamos a Maria esta intercessão. E temos razões de sobra para afirmar que ela não recusa esta intercessão. Por isso, rezamos com confiança: Ave-Maria, cheia de graça... rogai por nós pecadores!
h)                 Agora e na hora de nossa morte. Maria está presente na história de cada um de nós. Aqui, aludimos ao fato bíblico de Maria ao pé da Cruz. Nós pedimos a Maria, que esteja junto de nós, como um dia, Ela esteve junto de seu Filho, ao pé da Cruz. Que Ela nos ensine a viver e a partir para a vida em plenitude. Maria é a Compadecida, Mãe das Dores, solícita, que não nos esquece. Se Ela se tornou Mãe dos homens no momento da agonia do Seu Filho, não haverá de nos deixar no momento de nossa agonia. Presença sim, não apenas no momento da morte biológica, mas de todas as outras mortes cotidianas.
3. PORQUE DIZEMOS A AVE-MARIA DEPOIS DO PAI NOSSO
Tendo Nosso Senhor nos dado Maria por Mãe, lhe oferecemos a saudação da Ave Maria depois do Pai Nosso, pelo fato de que primeiramente honramos Deus como nosso Pai e depois passamos a louvar a Mãe e seu Filho muito bem amado. Alguns teólogos acrescentam que é uma concretização do mandamento de honrar Pai e Mãe.
4. O QUE CONTÉM A AVE-MARIA
O que significa para a Igreja e para nós a Ave-Maria? Essa oração tem os seguintes significados especiais:
a)      É um elogio celestial à Virgem Mãe de Deus pela boca do anjo, quando a proclama eleita de Deus e cheia de graça.
b)      É um hino de louvor e exaltação do ser humano na pessoa de Isabel, quando a chama de Bendita entre as mulheres
A Ave-Maria é uma antecipação dos louvores dedicados à Mãe Celestial, é a unidade entre o céu e a terra. Nós devemos ser igualmente essa porta, por onde os homens podem passar para encontrar o divino. Ela representa o papel da Igreja e dos cristãos. Por isso, nada mais natural do que, ao exaltar Deus em sua grandeza infinita, queiramos elogiar sua Mãe. Desta forma, a Igreja une sempre a prece do Pai Nosso e da Ave-Maria.
c)      A segunda parte da Ave-Maria é a confissão de nossa indigência e de nossas necessidades. Por isso pedimos que a própria inocência e pureza reze por nós; que interceda por nós pecadores e temos tanta necessidade de socorro. Essa proteção de Maria é extremamente importante a cada instante, por conta de nossa fragilidade. Torna-se mais importante ainda na hora de nossa morte, momento muito temido por todos. Nele não pode faltar o consolo de Maria.
5. MENSAGEM BÍBLICA E TEOLÓGICA DA AVE-MARIA
As primeiras palavras do anúncio do anjo Gabriel a Maria. Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!
a) A ALEGRIA. Alegra-te! A primeira palavra pronunciada pelo anjo não é uma saudação convencional. É um convite à alegria, feito na forma imperativa. Ao anunciar a toda a humanidade, representada por Maria, a encarnação do Verbo para a nossa salvação, Deus convida-nos à alegria plena, que só Ele nos pode dar: o dom da salvação.
Lucas, "o evangelista da alegria", enfatiza ao longo de todo o seu evangelho a alegria de Deus (cf. 15, 5.7.10; 23,24) e a alegria dos homens (cf. 10,17; 19,37; 24, 41.52). A alegria messiânica é particularmente enfatizada nos dois primeiros capítulos (cf. 1,14.44.47.58 e 68; 2,10.20.28 e 38). Também no livro dos Atos, sobretudo nos primeiros capítulos, é sublinhado o clima de alegria em que vive a Igreja (cf. 2,46; 5,41; 8,8.39; 11,23; 13,48.52; 15,31).
Convidada pessoalmente a alegrar-se, Maria pode ser vista também como a “Filha de Sião”, representante e portadora de alegria de todo o Povo de Deus pela vinda da salvação anunciada pelos profetas. O que é dito a ela é válido para todo o Povo de Deus, como aquilo que fora dito ao sacerdote Zacarias (1,14) e o que será dito aos pastores (2,10).
B) CHEIA DE GRAÇA. Antes de explicitar o que Deus vai operar nela, o anjo anuncia a Maria, na segunda palavra da saudação, o que nela já operou: foi plenificada com a sua graça. O que Deus já fez nela e o que vai continuar a fazer é a razão primeira e última da verdadeira alegria para a qual Maria é convidada. Deus derramou sobre ela seu amor benevolente e totalmente gratuito, tornando-a assim "a favorecida", "a agraciada" de Deus. E Este concedeu-lhe sua graça, porque A amou primeiro, com um amor absolutamente gratuito. Essa graça é tão fundamental e tão significativa, que a expressão "cheia de graça" é usada no lugar do nome próprio. Maria é nomeada pelo modo como é vista por Deus. De maneira singular, única e permanente é a "agraciada" de Deus.
Na Bíblia, graça, vocação e missão estão sempre relacionadas entre si. Maria foi totalmente agraciada por Deus para acolher e realizar a vocação-missão de ser a mãe do Messias. Nem Ela mesma conhecia toda a profundidade do seu mistério. Mas, "sentia" a presença do amor singular e único de Deus por ela.
Detenhamo-nos na graça com que foi contemplada a Virgem de Nazaré, tão acentuada nas primeiras palavras do anjo. Podemos fazê-lo repetindo e saboreando essas palavras ditas pelo mensageiro de Deus: "Alegra-te, rejubila, cheia de graça!" Depois de alegrar-nos com a alegria de Maria, inteiramente provinda de Deus, peçamos que nos seja dada também a graça de realizar na alegria a missão para a qual fomos chamados. Podemos ainda enriquecer e iluminar nossa oração e nosso louvor contemplando os privilégios que os olhos da fé da Igreja foram descobrindo em Maria ao longo dos séculos.
d)     O SENHOR É CONTIGO. A expressão o Senhor é (está) contigo pertence ao coração da teologia da Aliança. Aparece repetidas vezes nos relatos de vocação do Antigo Testamento. Com ela é prometida a presença e a proteção de Deus aos chamados por Ele para uma missão particular na história da salvação. Essa promessa foi feita a Isaac (Gn 26,3.24), a Jacó (Gn 28,15), a José (Gn 39, 2.3.21.23), a Moisés (Ex 3,11-12), a Josué (Js 1,5), a Gedeão (Jz 6,12.16), a Jeremias (Jr 1,8.19; 15,20). Igualmente feita à Virgem de Nazaré, que dá continuidade às grandes figuras da história de Israel.
O Deus da Bíblia não é simplesmente o Deus sobre nós (pura transcendência), nem o Deus em nós (pura imanência), nem o Deus diante de nós (pura utopia). É o Deus inserido em nossa história, nossa vida. Chegada a plenitude dos tempos, o Verbo eterno de Deus encarnou-se no seio de Maria e tornou-se Emmanuel, isto é, Deus-conosco, para sempre. Ele assumiu as limitações da vida humana; veio ao nosso encontro, descendo até os abismos de nossa história, experimentando nossa pobreza e fragilidade, nossa solidão, nosso sofrimento e nossa morte. Isso continua sendo um escândalo e uma loucura para os homens, já admitia São Paulo. E a única explicação desse "escândalo" e dessa "loucura" está no amor incomensurável de Deus por nós.
e)      BENDITA SOIS ENTRE AS MULHERES E BENDITO É O FRUTO. As palavras de Isabel confirmam toda a tradição bíblica. Maria é entre todas, a preferida, entre as mulheres, a escolhida, como cantamos em nossas Igrejas.
6. CONCLUSÃO
Podemos concluir dizendo que a Ave-Maria é uma das orações cristãs mais completas. Ali, encontramos descritos o papel e a missão da Santíssima Trindade. Maria é saudada pelo fato de ser a Mãe de Deus, cheia de Graça e do Espirito Santo, escolhida pelo Pai, Sacrário e Templo Vivo de Cristo, Mãe de todos os homens e intercessora sem cessar por todos nós, que somos realmente pecadores e necessitamos permanentemente do seu amparo e proteção.

CAIO AOS TEUS PÉS

Caio aos teus pés, Senhora, em profunda veneração.
Agradeço a Ti, toda a tua bondade e misericórdia!
Imploro a Ti, Mãe Compadecida a tua proteção.
Diante de Ti, dobro os meus joelhos,
Quero Te glorificar, pois és a única sem pecado.
Por mim pecador, intercede ao Pai
Para que eu possa me libertar das amarras
E aprender a viver a graça divina,
como um dia Tu viveste.
Nada tenho e sou para Te retribuir,
Mas Tu és Mãe e me conheces.
Quero Te louvar, Mãe de Misericórdia,
Quero Te louvar, Mãe da Compaixão,
Quero Te louvar, Mãe terna e cheia de mansidão
Que estendes a mim pecador a tua mão!  (Texto de São Beda) 








Pe. João Medeiros Filho
indigno escravo de Amor

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Nossa Senhora Menina




    Porque esta devoção? Busquemos na nossa Palavra Fundante ( I Tim. 4, 12-16). Imagine a conversa de São Paulo com Nossa Senhora...

 “Ninguém te despreze por seres jovem.”
  Não desprezemos Nossa Senhora quando ainda criança, Sant’Ana e São Joaquim, educadores. A criaram para ser consagrada, guardou-se, se apresentou. Subiu as escadas do templo sem olhar para trás.
Foi para o templo e deixou-se ser cuidada, preservada, educada, formada! Música, dança, línguas, doutrina, prendada! Costurava, cozinhava. Por volta dos 13 a 15 anos (média de idade na Anunciação) foi fecunda cedo!

“Ao contrario, torna-te modelo para os fieis...”
  Nas virtudes: Humildade, fé, obediência, oração, mortificação, caridade, paciência, doçura, sabedoria.

  “No modo de falar”
  Veja o “Magnificat”, não tinha gírias.

  “E viver”
  Não tinha vícios. Tinha visão política, social, bom comportamento.

  “Na caridade”
  Foi ao socorro de Isabel, sua parenta de idade avançada, grávida. Foi caridosa sendo modelo também para Jesus durante sua formação e vida adulta. Com João, com Pedro, comigo.

  “Na fé”
  De pé aos pés da cruz, uma fé viva.

  “Na castidade”
  Uma vida castidade no pensamento, palavras, atos. E você é casto? Nos filmes, novelas e músicas. Nossa Senhora é Virgem antes, durante e depois de Jesus.

  “Enquanto eu não chegar, aplica-te a leitura exortação e ao ensino.” 
  Ela lia muito, em especial o Torá (livro de Moisés) e os salmos. Foi preparada no templo e na vida, o Magnificat faz referencia há  15 trechos do antigo testamento, que é uma exortação e ensino junto com outras palavras de sua vida: Eis aí a escrava do Senhor... Faça-se em mim segundo vossa palavra... Como se dará isso? Fazei tudo o que Ele vos disser!

  “Não negligencies o carisma que esta em ti.”
  Fazer Jesus mais conhecido e amado! Deus pediu, foi profetizado em Isaías (7,14) “uma virgem dará a luz e se chamará Deus conosco.”

  “E que te foi dado por profecia”.
  Ide ao mundo e anunciai o evangelho, oportuna ou inoportunamente.

  “Quando a assembléia dos anciãos te impôs as mãos.”
  No início seus pais Joaquim e Sant’Ana, depois no templo foi ensinada pelos sacerdotes, na Anunciação o Espírito Santo a cobriu com Sua sombra no anuncio, no Pentecostes; Simeão, Ana...

  “Põe nisso toda diligencia e empenho”.
  Viveu a serviço de Deus: “Faça-se em mim, conforme a Tua palavra.”

  “De tal modo que se torne manifesto a todos o teu aproveitamento.”.
  Todas as gerações me proclamarão bendita (Lc 2, 48)

  “Olha por ti”
  O Senhor fez em mim maravilhas, Santo é ...

  “E pela instrução dos outros”
  Na escola de Maria, muitas escolas, Instituições D.M.D

  “E persevera nestas coisas”
  Jesus falou nas bodas de Caná: “Que temos a ver com isso?” Será que foi a primeira vez? Ela perseverou... e alcançou do Filho o vinho da alegria.
O procuraram e o chamaram de louco, até de belzebu  mas Nossa Senhora continuava a ser a primeira discípula de Seu Filho.

  “Salvar-te-ás a ti mesmo, e aos que te ouvirem.”
  A mulher do Apocalipse, que foge do dragão e também da perseguição de Herodes. Os apóstolos foram sacrificados e a Virgem glorificada. Os apóstolos sofreram derramando seu sangue e Ela sofrendo todas as dores em Sua alma.
  O ódio entre a descendência da serpente e a descendência da Mulher que prevalecerá...

“Ninguém te despreze...”
 Ou você acha que Deus estava brincando?O Magnificat discute pelo menos 04 temas:
A)     Relacionamento estreito de Maria com Deus - intimidade 
B)      Uma síntese do Antigo Testamento – mais de 15 citações
C)      Uma visão critica sobre as relações sociais
D)     Do seu entendimento sobre fenômenos psíquicos
- O Senhor fez em mim maravilhas
  A inteligência dela era incomum, ela não era apenas dócil e serena, o Magníficat revela uma genialidade. Ela não poderia fazer este poema de improviso se não fosse sobredotada (consciência social, intelectualidade e espiritualidade). Por isso Deus a escolheu.
  Devia ter continuado a estudar na escola onde os escribas ensinavam. A cultura do seu povo e as dificuldades de sobrevivência da época fazem as mulheres amadurecerem mais cedo e assumirem compromissos sociais mais precocemente.

“Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador, porque olhou para humildade de sua serva. Por isso, desde agora, me proclamarão bem aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas, aquele que é poderoso e cujo nome é santo . Sua misericórdia se estende de geração em geração, sobre os que o temem, manifestou o poder de seu braço, desconcertou os corações dos soberbos, derrubou dos tronos poderosos e exaltou os humildes, saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado de sua misericórdia conforme prometera a nossos pais em favor de Abraão e sua posteridade para sempre” Magnificat



César Mariano
Fundador da Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus,  Coordenador Geral, Médico, Casado, 02 filhas.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Maria, exemplo de meditação para os cristãos

I. INTRODUÇÃO

Os Padres da Igreja falam de Maria como eminente exemplo de criatura que medita. A Virgem é apresentada como “modelo excelentíssimo” de vida contemplativa. Vamos refletir sobre Maria, mulher que se dedica à meditação da Palavra de Deus, espelho de nossa vida cristã e religiosa.
Sabemos que a meditação é hoje um assunto um pouco descuidado nos meios cristãos. Felizmente, está voltando à baila também a partir do novo interesse que suscita a “arte da meditação” nas antiquíssimas tradições orientais (budista, hinduísta, taoísta, etc.).
Maria é a Virgem que medita. Temos uma frase significativa no evangelho de Lucas, quase no final do capítulo 2: Sua Mãe guardava todas estas coisas no seu coração (Lc 2, 51)
II. A MEDITAÇÃO DE MARIA A PARTIR DE SUA EXPERIÊNCIA DE DEUS
Maria teve uma “experiência de Deus” absolutamente única. Ela, como ninguém, “viu com seus olhos” e “tocou com suas mãos o Verbo da vida” (cf. 1Jo 1,1). Precisamente por causa desta experiência de Deus, vivida de modo extremamente profundo, ela se tornou testemunha sem par da encarnação do Verbo.

a) Experiência de Deus a partir da Leitura da Palavra Sagrada

A iconografia tentou exprimir essa experiência incomparável que teve Maria do Mistério divino, presente no próprio filho, mostrando-a, por exemplo, frente ao livro da Palavra, em atitude de lectio divina (vide a imagem de Sant’ana); ou em estado de êxtase, de mãos postas (vide Nossa Senhora do Presépio), diante do Filho recém-nascido: Quem genuit adoravit (Adorou Aquele que gerou).

b) a meditação da palavra a partir do que Maria ouviu

Os relatos de infância, no evangelho de Lucas mostram, em mais de um lugar, Maria como mulher reflexiva, meditante, vivendo uma intensa vida interior. Assim, no momento da Anunciação, Lucas relata a atitude de Nossa Senhora: A estas palavras (de Gabriel), ela... se perguntava o que podia significar aquela saudação (Lc 1,29).

c) Maria: mulher de constante meditação

O diálogo com o Anjo põe em evidência o quanto Maria vive as coisas “a partir de dentro”.
A atitude meditativa é um traço constitutivo da “personalidade” de Maria, a ponto de parecer ser nela algo de habitual. De fato, Lucas a registra mais vezes:
a) No nascimento do Filho, diz que Maria conservava todas estas coisas, meditando-as em seu coração (2,19);
b) Depois do encontro no Templo, o mesmo evangelista registra: E sua Mãe conservava todas estas coisas em seu coração (2,51). Essa referência é tanto mais significativa quando se observa que Lucas a faz valer para o todo o período (uns vinte anos) da “vida oculta” em Nazaré.
Temos ainda dois textos onde Lucas se refere, de modo indireto, mas nem por isso menos eloqüente à fé de Maria, a qual analisa e leva à meditação:
a)      Minha mãe e meus irmãos são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática (8,21).
b)      Felizes antes os que ouvem a Palavra de Deus e a observam (11,28). Efetivamente, supõe-se aqui em Maria um “ouvir” ativo e interiorizante.
III. A METODOLOGIA E O CONTEÚDO DA MEDITAÇÃO DE MARIA, EXEMPLO PARA OS CRISTÃOS
Dos textos acima, vamos nos deter em Lc 2,19: Maria conservava todas essas coisas, meditando-as no seu coração. É o versículo mais expressivo do perfil meditante da Virgem. Situa-se no contexto do Natal. Lucas nos diz aí que, enquanto os pastores só “contam” o que testemunharam e todos ficavam “maravilhados” com o que referiram (Lc 2,18), Maria, por sua parte, conservava todas estas coisas, meditando-as no seu coração (2,19). Enquanto os outros, nada entendendo do que se passa, ficam num nível ainda exterior e superficial, Maria, por seu lado, vai além: busca compreender o sentido íntimo e profundo das coisas que a cercavam.
Vamos tentar examinar estas quatro partes do versículo: a) “todas estas coisas”, b) “no seu coração”; c) “Maria conservava”, d) “meditando-as”.

a) todas estas coisas

Lucas usa o termo “coisas”, de diversas maneiras, para designar o que vai sucedendo, seja em palavras, seja em gestos ou fatos. Para Lucas, “coisas” é o mistério de Deus na vida de Maria, isto é, as coisas divinas que vão acontecendo e que aos poucos Ela vai compreendendo pela sua prática de meditação e questionamento. Coisa é aquilo que às vezes não sabemos chamar o que é. Maria meditava diante de tudo isso e procurava entender.
O termo “coisas” é empregado, várias vezes, por Lucas, significando:
1) As palavras de Gabriel, tão enigmáticas que obrigam a Virgem a se perguntar a si mesma e a perguntar ao Anjo sobre seu sentido.
Da mesma forma, encontramos o referido termo nas palavras dos pastores, de Simeão e mais tarde nas próprias palavras de Cristo. Não sabíeis que devo me ocupar das coisas de meu Pai?;
2) Os fatos, como a visita inesperada dos pastores, a perda dolorosa no Templo e posteriormente os fatos da paixão e da ressurreição;
3) Os sinais, como o presépio, sinal esse dado pelos anjos aos pastores (Lc 2); o sinal de sua própria maternidade virginal; os milagres de Jesus e todos os seus gestos de perdão, cura e salvação.
Pois bem, tudo isso, ou seja, todas estas coisas, eram objeto de atenta consideração por parte de Maria. Ela se admirava de tudo e se perguntava pelo significado de cada coisa. A Virgem procurava descobrir nos fatos da vida a voz de Deus e seus apelos. Para Ela, a Palavra de Deus ou mensagem viva não ressoava só nas Escrituras, mas nos fatos da vida e também no fundo do seu coração.
O Papa João Paulo II, falando sobre a Virgem Santíssima e sua vida de intensa meditação, assim escreve: À imitação da Virgem Maria, queremos viver à escuta da Palavra de Deus, atentos a seus apelos em nós mesmos, nos homens, nos acontecimentos e em toda a criação.
Para Maria, o Evangelho não era, como para nós, um livro, mas uma história viva e, mais ainda, uma pessoa concreta: a Palavra [o Verbo] encarnada em seu seio e convivendo familiarmente com ela.

b) em seu coração

O coração, na mentalidade bíblica, como sabemos, é a fonte de nossa vida mais íntima e profunda: do pensar e do lembrar, do querer e do decidir. Ele não é apenas o espaço das emoções superficiais e passageiras, como quer a mídia moderna. O “coração” bíblico é a mente, a consciência, a “alma”. É o nosso “mundo interior”, incomparavelmente mais vasto e mais rico do que todo o mundo exterior – esse mundo que a ciência moderna mostra já tão complexo em suas micro e macro estruturas.
Desta forma, a meditação de Maria é feita com o seu coração, ou seja, não é apenas um pensar “cerebral”. É um pensar “cordial” e mesmo “visceral”, feito de intuição e sensibilidade, mas sobretudo de muito silêncio e questionamento. É o pensar da sabedoria. A Virgem não é só exemplo do teólogo, que reflete teoricamente a fé, como foi dito pelo Cardeal Newman. Ela é mais ainda exemplo daquele que medita a Palavra divina para doá-la aos seus irmãos.
O religioso ou a religiosa é aquele que medita os fatos, os sinais, as palavras, a realidade de sua vida, do seu convento ou mosteiro com o coração, procurando descobrir em tudo a Palavra de Deus para encarná-la e dá-la aos seus irmãos.
c) maria conservava...
A Virgem guardava no tesouro de seu coração e de sua memória as maravilhas de Deus, como um tesouro sem preço. De fato, o “conservar” de Maria era ativo. Ela voltava sempre às coisas que tinha vivido na companhia do Filho para compreender-lhes o significado transcendente.
Conservar não é apenas memorizar, é lembrar ativamente. É guardar algo de precioso para ser vivido. A partir do que se conserva, orienta-se o pensar, o falar e o agir. Hoje, com o avanço da tecnologia e os computadores, podemos imaginar melhor o que significa conservar ou guardar na memória ou no coração.
É a meditação que atualiza e dá sentido àquilo que conservamos em nossos corações. E isto é a mais bela e profunda meditação. Assim agiu Maria. Podemos agir do mesmo modo, atualizando a Palavra de Deus, os seus fatos, sua vontade, presentes dentro de nós e a partir daí fazendo uma releitura da vida e do mundo. Foi o que fizera Maria.
O próprio Cristo instituiu o memorial de sua entrega, ordenando: “Fazei isso em memória de mim!” (Lc 22,19). E uma das funções do Paráclito será “relembrar” aos discípulos tudo o que Ele ensinou, levando-os assim à “verdade plena” (Jo 14,26; 16,13).
Conservamos tudo em nosso coração para lembrar ou relembrar aos homens e ao mundo. Para isso, é indispensável a meditação. É esta que nos faz lembrar. E o lembrar, na dimensão bíblica, não é apenas ter presente na memória, é sobretudo comparar os fatos que vivemos com o que está acontecendo no momento.
O grande perigo é “esquecer”. Esquecer é a “morte do sentido”. Foi o que aconteceu aos discípulos em relação às palavras de Jesus, censurados por isso após a Ressurreição: “Lembrai-vos do que vos disse...” (Lc 24,6; cf. ainda os vv. 8.25-27.44-46).
Não foi assim com Maria de Nazaré. Ela não esqueceu as palavras e as obras de Deus. Sua meditação era um hábito. Porque era para ela uma forma de amor. Pois quem ama, lembra. Assim se expressa o Profeta Isaías:
Sião dizia: O Senhor... esqueceu de mim. Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? (...) E mesmo que ela o esquecesse, eu nunca te esqueceria. Eis que estás gravada na palma de minhas mãos... (Is 49,14-16).
Importa saber que a memória bíblica não é simples lembrança ou recordação, entendida como mera representação do passado morto. É antes ressurreição do passado, recriação do que foi, fazendo com que seus efeitos nos alcancem. É, portanto, atualização, renovação.
d) meditando-as...
Lucas usa uma palavra grega para dizer que Maria meditava. Ela confrontava as palavras, sinais, os eventos etc. e os procurava entender. Através desse processo, a Virgem, por trás dos “acontecimentos da vida”, procura enxergar a mão amorosa e onipotente de Deus. 
Mas o confronto iluminado desses eventos se dá especialmente com as sagradas Escrituras. Maria de Nazaré é uma mulher familiarizada com as Escrituras. Vale para ela o que diz São Paulo em 2Tm: Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras (3,15). É, exatamente, o que nos mostra Maria Santíssima no Canto do Magnificat com suas numerosas citações ou alusões bíblicas.
Mais um exemplo de Maria para refletirmos. Para Maria, como para todo membro piedoso do Povo de Israel, as Escrituras santas são o princípio de sua formação. São a cartilha de fé e vida. Elas fornecem o prisma pelo qual pode-se perceber o mundo e todos os acontecimentos da história. Assim, a Virgem vê tudo “à luz das Escrituras”. Mas não se trata aí das escrituras tomadas “ao pé da letra”, mas das escrituras ouvidas e memorizadas de modo vivo e criativo.
IV. A MEDITAÇÃO FEZ DE MARIA, MULHER SÁBIA E SANTA
Nas Escrituras, especialmente nos Salmos, quem “medita” a Palavra é ou torna-se sábio. Afirma-o mais de uma dezena de vezes o Salmo 119. Objeto da meditação do sábio são também as obras de Deus (Sl 77,13; 143,5). Essa meditação é constante: “dia e noite” (Sl 1,2).
A meditação do sábio é como o murmúrio do coração e mesmo da boca (Sl 19,15; Sl 49,4). Por isso se diz: A boca do justo medita a sabedoria (Sl 37,30); Minha língua o dia inteiro medita tua justiça (Sl 71,24). A meditação dos antigos era acompanhada com o “murmurar” dos lábios, como se estivessem em colóquio vivo com Deus. Isso lembra a repetição mântrica e a “ruminação” monástica.
A essa luz, Maria, mulher de meditação constante, emerge como figura da mulher “sábia”, ou como a “filha da sabedoria”. Mas quem é seu mestre espiritual? É o Espírito, em virtude do qual concebeu a Palavra. Diz Jesus que o Pai esconde seus segredos aos “sábios e entendidos” deste mundo para “revelá-los aos pequeninos” (Mt 11,25-26). Ora, a Virgem deve ser tida como “a primeira entre os pequenos” do Senhor. “Ela sobressai entre os humildes e pobres que esperam em Deus” (Lumen Gentium 55) e que Ele elege como confidentes privilegiados dos Mistérios do Reino.

V. CONCLUSÃO

Acrescentemos que o procedimento existencial de “conservar e meditar no coração” todas as coisas e acontecimentos acompanhou Maria durante toda a sua vida e não apenas na infância.
Maria foi mulher meditante também durante a vida pública de Cristo, em sua paixão, sob a cruz, depois da Páscoa e também após a Ascensão, quando começou a vida e a missão da primeira Comunidade cristã. Continuamente ela olhava para o filho, para o que ele fazia e dizia e se perguntava sobre o que tudo aquilo podia significar no Plano de Deus; sobre que aspectos do Mistério divino estavam aí se revelando. Aliás, todas as mães lançam sobre a vida dos filhos um olhar interrogativo e ao mesmo tempo interpretativo. Mas o caso de Maria é único, como único era seu filho.
Foi em particular aos pés da Cruz que a visão de Maria foi posta à mais dura prova. Quando Maria viu o filho pendendo da Cruz, que contemplava aí? “Ela, intrépida, de pé, junto da cruz do Senhor, ensina a contemplação da paixão” – diz um documento do Vaticano para os Religiosos.
A lição essencial que fica é que a experiência de Deus, como a viveu a Mãe de Jesus, tem sua “hora de glória”, como em Caná, mas também tem sua “hora de trevas”, como no Gólgota. Ver em tudo a presença de Deus e permanecer sempre em comunhão com Ele é o objetivo de toda meditação, a começar pela peregrinação à procura de Cristo.
Imitemur et nos, fratres, piam Domini Matrem (Imitemos, nós também, irmãos, a piedosa Mãe do Senhor).

MARIA

Ó Mãe por todos cantada,
Mãe do sol de suma justiça,
Mãe do povo cristão,
Glorificada no Oriente e no Ocidente,
dá-nos a união fraterna,
a nós que superamos a discórdia.
Dá-nos tua proteção materna,
para que todos possamos unir-nos
no corpo místico do teu Filho,
Jesus Cristo, nosso irmão e nosso Deus.
E dá-nos que te cantemos nossa alegria universal
com uma só e única voz.
ORAÇÃO RUSSA.





Pe João Medeiros Filho

Consultor acadêmico da Faculdade Dom Heitor Sales

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Maria, a Mulher Eucarística


I)                 LIGAÇÃO ENTRE MARIA E A EUCARISTIA
Esta é um Mistério de Fé, como pronunciamos após a consagração. Maria aceitou o mesmo anúncio, feito pelo Anjo. Na Anunciação, Ela também estava diante de um Mistério de Fé – ao qual respondeu generosamente com o seu Sim. Somos convidados a proclamar e aceitar esse mistério na Eucaristia. Sem dúvida, quando Maria assistia à celebração da Eucaristia nas primeiras comunidades devia sentir uma profunda alegria, em sua fé, por saber que ali estava novamente o seu Filho amado. Desta forma, a Eucaristia repete e atualiza a Anunciação, em que Cristo se fez presente para sempre: primeiramente no corpo de Maria, em seguida em uma nova anunciação mística, nas espécies do pão e do vinho.
João Paulo II, na Exortação Apostólica Mane Nobiscum, Domine, chama Maria Santíssima de Mulher Eucarística. Na Encíclica De Ecclesiae Eucaristia, o mesmo Papa proclama Nossa Senhora Primeiro Sacrário da Humanidade. Na verdade, toda a vida da Virgem Maria aconteceu em função da Eucaristia. Ela gerou o Filho de Deus, presença divina no sacramento do altar. Desta grande Mulher Eucarística, podemos destacar:
II)              MARIA É A PRIMEIRA COMUNGANTE DE TODA A HISTÓRIA DA HUMANIDADE
 Ela foi a primeira a receber Jesus Cristo, vivo, presente, real, hoje continuado no sacramento eucarístico. Gostaríamos também de chamar a atenção sobre outros pontos desta atitude de Nossa Senhora. Ela comungou o Cristo total, não apenas no mistério da Encarnação, mas em toda a sua vida. Recebeu Jesus, Palavra e Verdade, quando O acompanhava e bebia dos seus ensinamentos de Filho de Deus. Comungou o Cristo que sofre, quando se uniu a Ele no momento mais crucial de sua vida. Maria mostra-nos que devemos comungar o Cristo total. Às vezes, queremos receber apenas o Cristo da Eucaristia e esquecemos o Cristo do Evangelho, que questiona e nos pede mudanças, o Cristo do sofrimento e da angústia, real e presente na vida de nossos irmãos. Na intimidade e na simplicidade da vida de Nazaré, Maria recebeu e comungou também o Cristo silêncio e prece. Sem dúvida, na Última Ceia, a Mãe de Jesus O recebeu sacramentalmente, fechando todo o círculo da comunhão. Permanecendo sempre unida e fiel a seu Filho, em todos os momentos e circunstâncias, Maria é o modelo do comungante.
III) MARIA FOI A PRIMEIRA MINISTRA DA EUCARISTIA
No episódio da visita a Isabel, Maria tornou-se símbolo e modelo do ministro [ou ministra] extraordinário da Eucaristia. Pela leitura de Lucas, podemos verificar que Isabel não estava podendo sair de casa. Morava numa região serrana, de difícil acesso. Ela representa os doentes e idosos [o evangelista Lucas (1, 18) fala de Isabel, como uma mulher avançada em idade], que não podia sair de casa e participar dos atos da comunidade. Maria foi levar Cristo a Isabel, carregando-O consigo em seu próprio ventre. A Virgem Maria foi até a residência de sua prima, simbolizando do ministro da Eucaristia, que vai até a casa dos enfermos e idosos para levar o Pão da Vida. Seu diálogo com Isabel resultou numa prece e na belíssima oração do Magnificat. Da mesma forma, da comunhão que recebemos ou levamos deve brotar não só a prece de louvor e agradecimento ao Pai, mas também a prece de intercessão pelos que sofrem, os excluídos e injustiçados da sociedade. Maria, primeira comungante e ministra da comunhão, ensina-nos a solidariedade, que começa com a presença. Maria permaneceu com Isabel três meses (Lc 2, 56).
IV) MARIA FOI A PRIMEIRA CONTEMPLATIVA E ADORANTE DE CRISTO
Em Belém, diante da simplicidade de Cristo-Menino [hoje temos o mesmo despojamento do Filho de Deus nas espécies eucarísticas], Maria colocou-se em profunda contemplação e adoração. São Francisco foi de uma felicidade ímpar quando, ao criar o presépio, colocou a Virgem Santíssima, após o parto, de joelhos em profunda adoração ao Filho de Deus. O Papa João Paulo II, em sua Exortação Apostólica Mane Nobiscum, chama-nos a atenção sobre a importância da adoração silenciosa e contemplativa de Cristo vivo no sacrário. Maria tornou-se deste modo o exemplo de todos os adoradores e movimentos de adoração eucarística do mundo inteiro.
V) MARIA DO SILÊNCIO EUCARÍSTICO
Maria sempre recebeu Cristo na simplicidade e no silêncio. A Eucaristia requer um clima de silêncio. Isto significa que só Deus nos basta. As manifestações ruidosas são teologicamente contrárias ao espírito e à dimensão eucarística. Devemos ter cuidado com nossas missas nascidas do entusiasmo da Igreja eletrônica. A Eucaristia foi celebrada em silêncio, quer na Última Ceia, quer no alto da cruz. E toda a vida de Nossa Senhora foi marcada pelo silêncio. João Paulo II, falando sobre a Virgem Santíssima e sua vida de intensa meditação, assim escreve: À imitação da Virgem Maria, queremos viver à escuta da Palavra de Deus, atentos a seus apelos em nós mesmos, nos homens, nos acontecimentos e em toda a criação. Maria é a Virgem que medita. Temos uma frase significativa no evangelho de Lucas, quase no final do capítulo 2: Sua Mãe guardava todas estas coisas no seu coração (Lc 2, 51). Sabemos que a meditação é hoje um assunto posto de lado nos meios cristãos. Felizmente, está voltando à baila também a partir do novo interesse que suscita a “arte da meditação” nas antiquíssimas tradições orientais (budista, hinduísta, taoísta, etc.).
Maria é mulher eucarística na totalidade de sua vida. A Igreja, vendo em Maria o seu modelo, é chamada a imitá-la também na sua relação com este mistério santíssimo. Maria praticou a sua fé na Eucarística ainda antes dela ser instituída, quando ofereceu seu ventre virginal para a encarnação do Verbo de Deus. Assim se expressou o Sínodo dos Bispos concluído no dia 25 de outubro de 2005:
A Igreja vê em Maria, “Mulher Eucarística”, sobretudo aos pés da cruz, a própria figura e a contempla como modelo insubstituível de vida eucarística; sobre o altar, na presença do “verum Corpus natum de Maria Virgine”, a Igreja venera com especial gratidão, pela boca do sacerdote, a Santíssima Virgem (CONCLUSÃO. PROPOSIÇÃO 50).
VI) SIM DE MARIA E O AMÉM EUCARÍSTICO
João Paulo II, tantas vezes citado neste trabalho, ressalta que existe uma profunda analogia entre o Fiat (sim) pronunciado por Maria, em resposta às palavras do Anjo, e o Amém que cada fiel pronuncia quando recebe o corpo do Senhor.
Foi pedido a Maria acreditar na obra do Espírito Santo, a qual tornaria Cristo presente no seu seio e posteriormente visível no mundo. Na Eucaristia é-nos solicitado crer que Jesus, Filho de Deus e Maria, torna-se presente nos sinais do pão e do vinho com todo o seu ser. A esse respeito Santo Agostinho ressalta:
Para Maria, ter sido discípula de Cristo foi mais do que ser mãe dele (...) Por isso também Maria é bem-aventurada, porque ouviu a palavra de Deus e a guardou; guardou mais na mente a Verdade do que no seio a carne. Cristo é Verdade, Cristo é carne: Cristo Verdade na mente de Maria. Vale mais o que se carrega na mente do que o que se carrega no ventre. O parentesco materno não teria ajudado em nada a Maria, se ela não tivesse carregado Cristo de modo mais feliz no coração do que na carne (SERMONES 5, 7).
VII) MARIA É O PRELÚDIO DA EUCARISTIA    
Feliz Aquela que acreditou (Lc 1,45). Maria antecipou, no mistério da Encarnação, a fé eucarística da Igreja. E, na Visitação, quando leva no seu ventre o Verbo Encarnado, Ela serve de Sacrário (daí na Ladainha o título bíblico de Arca da Aliança) do Filho de Deus.
Alegra-te cheia de graça, o Senhor está contigo (Lc 1,28). Maria já é a mulher preparada, cheia de graça, imaculada, antes de aceitar receber Jesus em seu ventre. Torna-se para os cristãos modelo de preparação para comungar Cristo, que vem até nós, através da Eucaristia. E o olhar extasiado de Maria – quando contemplava o rosto de Cristo, recém-nascido e o estreitava nos seus braços – é o modelo perfeito de amor em que devem se inspirar todas as nossas comunidades e os adoradores eucarísticos.
VIII) MARIA E A DIMENSÃO SACRIFICIAL DA MISSA
Durante a sua existência terrena ao lado de Cristo – e não apenas no Calvário – Maria viveu a dimensão sacrificial da Eucaristia. Aos pés da Cruz vivenciou o drama do Filho crucificado. Preparando-se para o dia do Calvário, Maria vive a Eucaristia antecipada. Aquele corpo, entregue em sacrifício e presente agora nas espécies sacramentais do pão e do vinho, ressoa em Maria. É o mesmo coração que Ela carregou em seu ventre.
IX) MARIA NO MAGNIFICAT E A EUCARISTIA COMO AÇÃO DE GRAÇAS
Pela Eucaristia, a Igreja une os louvores a Deus. Pode-se aprofundar esta verdade relendo o Magnificat numa perspectiva eucarística. O cântico de Maria é louvor e ação de graças quando exclama: A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador (Lc 1, 47).
Maria trouxe Cristo no seu ventre. Louva o Pai por Jesus, em Jesus e com Jesus. É nisto precisamente em que consiste a verdadeira atitude eucarística. E aqui reside a dimensão escatológica da Eucaristia. Maria canta o novo céu e a nova terra, cuja antecipação encontra-se no sacramento eucarístico.
Diante dessa grandeza de Maria, S. João Damasceno confessa:
Que haverá de mais doce do que a Mãe de Deus? Ela cativou meu espírito, seduziu minha língua; penso nela dia e noite.Para o apaixonado, tudo o que se refere à pessoa amada é maravilhoso. As mais profundas intuições mariológicas surgiram de um entranhado amor a Maria (AD ZACCHARIAM, 95).
X) A ESPIRITUALIDADE EUCARÍSTICA A PARTIR DO EXEMPLO DE MARIA
Maria Santíssima está intimamente ligada ao Mistério Eucarístico e como tal à realidade missionária da Igreja.
A participação de Maria no mistério da Eucaristia corresponde, em primeiro lugar, à participação que ela teve na Encarnação. O Corpo que recebemos na hóstia é aquele que nasceu de Maria. Isto é um dado importante, pois esse corpo nascido de uma mulher é o corpo de Deus.
As ligações de Maria com a Eucaristia se prendem também ao fato de que a Mãe de Deus participou da fração do pão no dia de Pentecostes. Em outros termos, Maria estava presente no nascedouro da Igreja, isto é, de toda a atividade missionária. Destarte, ela é o modelo mais perfeito e mais concreto da comunhão do corpo de Cristo.
A Igreja, Povo de Deus que está a caminho, vive da Eucaristia, fruto do seio de Maria. Por isso, é impossível, separar qualquer reflexão sobre a Eucaristia e Missão, sem falar de Maria. O culto da Eucaristia pressupõe  o reconhecimento e o culto de Maria e vice-versa.
XI) DIMENSÕES PASTORAIS DA VIVÊNCIA EUCARÍSTICA DE MARIA
Muito podemos dizer a respeito daquela que é a Mãe do Salvador, Mãe da Igreja e nossa Mãe. No entanto, gostaríamos de refletir um pouco sobre Maria, a Mulher missionária e eucarística. Os três Sim de Nossa Senhora demonstram o que acabamos de afirmar. Maria tem uma profunda relação com a Santíssima Trindade e tal relacionamento é de suma importância para a história do cristianismo. Ela diz sim ao Pai, na pessoa do anjo e deste modo, torna-se Mãe. Eis a servidora do Senhor, faça em mim segundo a tua palavra (Lc 1, 38), Nossa Senhora torna-se mulher, isto é, Mãe do Filho de Deus. Nisto consiste a primeira expressão de sua realidade missionária. Ser missionário é tornar Cristo presente. Ninguém melhor do que Maria para trazer para perto dos homens Cristo, o Messias prometido. A missão é levar Cristo para os nossos corações e o coração de nossos irmãos. Encarnando o Filho de Deus, Maria trouxe Jesus para dentro de sua alma e aproximou o ser humano da Divindade. Neste ponto, Maria, depois de Cristo, torna-se a primeira missionária de toda a história cristã.
Maria disse um segundo Sim, quando no alto da cruz, no silêncio do seu olhar, mas na palavra da verdade de sua vida, respondeu a Cristo, afirmando que nos aceitava como filhos, tornando-se nossa Mãe. Mulher eis o teu filho... eis a tua Mãe (Jo 19, 27). Neste momento, Maria torna-se Mãe de toda a humanidade. Assim como Ela gerou Cristo, deseja nos gerar para uma vida nova. Eis a tarefa do missionário: gerar seres novos para uma vida nova em Deus pela graça. Maria foi a intérprete e a intermediária de Deus e dos homens. Ela torna-se a ponte entre o eterno e o efêmero, entre o divino e o humano. Em Cristo, Ela uniu Deus e o Homem. Na sua promessa ao Filho, Ela nos une ao Pai. Deste modo, Maria proporciona a aproximação do ser humano com o seu criador. Ora, isto é tarefa do missionário – cuidar para que o homem chegue perto de Deus. Santo Irineu dizia
A maternidade de Nossa Senhora tinha dois caminhos: gerando Cristo biologicamente, gerou Deus para o mundo e para os homens. Aceitando a humanidade como Mãe, Ela nos gera para Deus (AD HERESES, 3,22s).
Por isso, dizia outro devoto de Nossa Senhora, São Luís Maria Grignon de Montfort: Maria é o caminho que nos leva ao Pai (Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria, p.149). Por Maria chega-se a Deus. Per Mariam ad Iesum.
No dia de Pentecostes, reunida com os apóstolos no Cenáculo, Nossa Senhora disse sim silenciosamente ao Divino Espírito. Nesse momento memorável, Maria Santíssima torna-se Mãe da Igreja. Eis a outra face de sua realidade missionária. Ser missionário é construir ou ajudar a construir a Igreja e o Reino de Deus. Também nós somos missionários, na medida em que edificamos a Igreja de Cristo e o seu Reino. Nossa Senhora contribuiu pelo espírito de oração a trazer o Espírito Santo, o Espírito de Deus para o meio dos homens, representados pelos apóstolos de Jesus Cristo. Ser missionário é levar o Espírito, a mentalidade de Cristo, do Evangelho para o meio dos irmãos.
Em Maria resume-se toda a atividade missionária da Igreja de Cristo. Deu a luz Cristo: Palavra e Eucaristia. A missão consiste sobretudo nisso – gerar Cristo para tocar o coração dos homens. Sendo Mãe da Palavra, Ela trouxe o perdão e a esperança contribuindo para que o Espírito Santo, espírito do perdão e do amor estivesse no meio dos homens.
XII) MARIA E A TEOLOGIA EUCARÍSTICA
Há uma ligação estreita entre Maria e a Eucaristia. Esta é um Mistério de Fé, como pronunciamos após a consagração. Maria aceitou o mesmo anúncio, feito pelo Anjo. Na Anunciação, Ela também estava diante de um Mistério de Fé – ao qual respondeu generosamente com o seu Sim. Somos convidados a proclamar e aceitar esse mistério na Eucaristia. Sem dúvida, quando Maria assistia à celebração da Eucaristia nas primeiras comunidades devia sentir uma profunda alegria, em sua fé, por saber que ali estava novamente o seu Filho amado. Desta forma, a Eucaristia repete e atualiza a Anunciação, em que Cristo se fez presente para sempre: primeiramente no corpo de Maria, em seguida em uma nova anunciação mística, nas espécies do pão e do vinho.
João Paulo II, na Exortação Apostólica Mane Nobiscum, Domine, chama Maria Santíssima de Mulher Eucarística. Na Encíclica Ecclesia de Eucharistia, o mesmo Papa proclama Nossa Senhora Primeiro Sacrário da Humanidade. Na verdade, toda a vida da Virgem Maria aconteceu em função da Eucaristia. Ela gerou o Filho de Deus, presença divina no sacramento do altar. Desta grande Mulher Eucarística, podemos destacar:
CONCLUSÃO
Não podemos esquecer que uma Mulher viveu entre nós e hoje está no céu. Sendo Mãe de Deus em Cristo (aliás, a Maternidade Divina foi o primeiro dogma mariano), contempla o Pai eternamente com o seu olhar puro e maternal. Devemos também nos lembrar a cada instante que esta Mulher é nossa irmã – ser humano, igual a nós, filhos de Deus e pecadores – mas também Ela é nossa Mãe por livre vontade de seu Filho e Sua. E sendo Mãe, Ela colocar-nos-á em contato permanente com nosso Pai e o seu Filho dileto. Não podemos viver sem Mãe. Eis a razão maior porque Deus quis, pelo seu Filho amado, nos legar um coração materno, cheio de ternura e misericórdia, tradução terrena do divino. Não é sem razão que inspiradamente alguém a chamou de Rosto Materno de Deus!
Maria também é filha da terra. E como nós, peregrinos, Ela aspirou e esperou pela Pátria definitiva e prometida, onde o Reino de seu Filho é uma realidade, onde sua ternura continua a se oferecer a cada um de nós.  Maria é a única que pode matar as nossas saudades de Deus, pois Ela também esperou por Aquele que seria capaz de trazer a Vida e a Paz. Mais do que ninguém, Ela teve a sede da salvação e, privilegiada, teve o Salvador em suas mãos. E como acontecera com Isabel, temos certeza de que Ela nos trouxe aqui para nos dar Aquele que é nossa alegria e razão de ser de nossa vida. Que Ela nos abençoe sempre, nos acalente nos momentos de desânimo e tenha um afetuoso sorriso de Mãe para cada um de nós seus filhos. Que Ela volte sempre seu olhar de ternura para nós. Assim seja!



Pe. João Medeiros Filho
Consultor Acadêmico da Faculdade Dom Heitor Sales 

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Maria Santíssima na Sagrada Escritura



Grandes e numerosas são as glórias da Virgem Maria, que devemos propagar e cantar os seus louvores conforme o nosso carisma fazer Maria Santíssima mais conhecida e mais amada, preparando a segunda vinda gloriosa de Jesus!
O Papa Paulo VI na sua Encíclica Marialis Cultus nos diz que devemos venerar a Mãe de Deus a partir do que a Sagrada Escritura revela a seu respeito, ou seja, devemos ter fundamentação bíblica e esse mesmo pensamento é reiterado por todos os seus sucessores.
Temos, portanto a obrigação de enquanto consagrados a Ela, compreender e ver na Sagrada Escritura, que é a Revelação Escrita, o que Deus nos diz a respeito da “Mais bela e sublime das suas criaturas”, como se refere nosso Baluarte São Luís Maria G. Montfort.
Muitos estudiosos da Sagrada Escritura, afirmam que o tema Mariano está escondido sob três modos no Antigo Testamento: Preparação Moral, Preparação Tipológica e Preparação Profética;                       
Preparação Moral: indica que como a humanidade estava corrompida pelo pecado, Deus escolhe uma linhagem de fé e santidade para que o seu Filho pudesse nascer da humanidade.
Preparação Tipológica: mostra uma linhagem figurada, pois ao vermos as figuras de Sara, Judite, Isabel, a própria Sant’Ana, algumas favorecidas com gestação milagrosa no Antigo Testamento, fazem parte dos ancestrais do Messias que era tão esperado. Nossa Senhora aparece prefigurada em (Sof 3, 14-17) “Filha de Sião”, o lugar da residência de Javé. Ela está também na Nova Arca da Aliança (pois dentro da Arca era depositada a Lei, que vai trazer dentro de si a Lei definitiva, a Revelação de Deus que é o próprio Filho Jesus).
Preparação Profética: faz ver como os Profetas anunciaram e o povo de Deus esperava. Entretanto, o próprio Deus quis servir-se de Maria Santíssima para que o seu Plano de Salvação da humanidade fosse realizado (TVD).
Então vejamos algumas passagens bíblicas do Antigo Testamento, que faz referência a Ela como a escolhida entre todas as criaturas:
Gn 3,15: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”.
Ct 4,7: “És toda formosa, ó minha amada e não há mancha em ti”.
Jr 31, 22b: “Pois o Senhor criou uma coisa Nova na terra. Uma mulher protege a um varão”.
Is 7,14: “Portanto, o Senhor mesmo dará um sinal, eis que uma Virgem conceberá e dará a luz um filho e será o seu nome Emanuel”.
Miq 5,1-4: “Mas tu, Belém Efrata, pequena entre as aldeias de Judá, de ti é que sairá para mim aquele que há de reinar em Israel... E Ele permanecerá e apascentará o povo na força do Senhor... E Ele próprio será a Paz”.
Ez 44,2: “Javé me disse: “Este pórtico ficará fechado. Não será aberto, e ninguém entrará, porque por ele entrou Javé o Deus de Israel. Por isso permanecerá fechado”.
Já no Novo Testamento, temos muitas passagens das suas glórias, que conhecemos e estão muito claras.
Lc 1,26-38: “Quando Isabel estava no sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus... A Virgem se chamava Maria. O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça! O Senhor está contigo “... Não tenhas medo Maria! Encontraste graça junto a Deus. Conceberás e darás a luz um filho. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu Pai. Ele reinará para sempre sobre a descendência de Jacó, e o seu reino não terá fim “... “O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a tua sombra”... Maria disse: “Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra”.
Lc 2,41-45: “Quando Isabel ouviu a saudação de Maria... Com voz forte ela exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como mereço que a mãe do meu Senhor venha me visitar?... Feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!”.
Lc 2,45-55: Cântico de Maria “O Magnificat”
 Jo 19,26-27: “Jesus, ao ver a sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse a sua mãe: “Mulher eis o teu filho!”Depois disse ao discípulo: “Eis a tua mãe!”A partir daquela hora, o discípulo a acolheu em sua casa”.
At 1,12-14: “Então os apóstolos deixaram o Monte das Oliveiras e voltaram para Jerusalém... Entraram na cidade e subiram para a sala de cima onde costumavam ficar. Eram Pedro e João, Thiago e André,... Todos eles perseveravam na oração em comum, junto com algumas mulheres entre elas, Maria a mãe de Jesus”.
Ap 12,1: “Então apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida com o sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça, uma coroa de doze estrelas”.
Portanto, mostremos a todo o mundo, que a Espiritualidade da Virgem Maria consiste numa total intimidade com Jesus:
Biológica: por ser mãe (sangue do seu sangue);
Afetiva: porque Jesus foi seu supremo e absoluto amor desde toda a Eternidade;
Apostólica: porque unida a Obra da Salvação, intercede por toda a humanidade
                 Pois Ela é real e presente na Sagrada Escritura. Que possamos com convicção apresentar a todos a Nossa Mãe amada, que conforme está em (1 Jo 5,1) “Quem acredita que Jesus é o Messias, nasceu de Deus, e quem ama Aquele que o gerou, ama também Aquele que por Este foi gerado”.



Maria de Fátima Delgado

Membro nível III de Aliança, casada e membro do Conselho Geral da Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus.

Para citar esse artigo:
Maria de Fátima Delgado - "Maria Santíssima na Sagrada Escritura"
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus
Online, 01/09/2011