segunda-feira, 11 de julho de 2011

Escapando do inferno com o verdadeiro Escapulário

          
           De um lado um anjinho, de outro um diabinho. Assim é um “escapulário” que pode ser encontrado à venda na internet. O sentido (que o vendedor chama de “brincadeira”) é o seguinte: se você está num dia bom o anjinho fica pra frente, se não... (tsc). Além desse péssimo exemplo supracitado, hoje em dia o escapulário é utilizado de várias formas: com a imagem de cantores famosos, de times de futebol e até dá nome a uma música de Caetano Veloso. Cabe perguntarmos, contudo, o que é o escapulário? De onde vem? Qual o seu sentido na vida do cristão? Qualquer pessoa pode usá-lo? São essas questões que orientam essa breve reflexão.
            Antes de tudo, o escapulário não é apenas mais uma corrente que vai do peito até as costas (scapulas significa ombros em latim), com um símbolo qualquer em ambos os lados. O escapulário é um sacramental, cuja história é reconhecida pela Igreja no âmbito da ordem do Carmo. Em 16 de julho de 1251, São Simão Stock, superior geral da ordem do Carmo, recebeu das mãos de Nossa Senhora este sacramental como fonte de graças e sinal de proteção para aqueles que o portarem com fé. No século seguinte, a Virgem do Carmo aparece novamente, dessa vez ao Papa João XXII, prometendo uma assistência especial aos que usassem o escapulário, além de livrá-los do purgatório no sábado seguinte a morte (privilégio sabatino).
              O escapulário também traz muitos frutos de santidade, dos quais podemos citar o jovem africano beatificado em 1994, pelo Papa João Paulo II, que o chamou de o “mártir do escapulário”. Trata-se do bem-aventurado Isidoro Bakanja, cuja vida difícil, marcada de trabalho escravo, terminou após renunciar a ordem do seu algoz (um colonizador belga e ateu) de retirar o escapulário de Nossa Senhora do Carmo, símbolo de sua fé. O mártir foi chicoteado até formar uma grande chaga em suas costas, fazendo-o sofrer durante seis meses até a sua morte, em odor de santidade, em 15 de agosto de 1909. [1]
Grandes santos da Igreja testemunham também o uso do verdadeiro escapulário e o recomendam, dentre os quais podemos citar: São Simão Stock, São João da Cruz, Santa Teresa de Jesus, Santo Afonso Maria de Ligório, São Pedro Claver, São João Bosco e São Boa Ventura. Nessa medida, qualquer pessoa não só pode, mas deve usá-lo [2]. Além desses já proclamados santos, o beato João Paulo II escreveu uma carta por ocasião do 750° aniversário da devoção ao escapulário, onde afirma que:
            São, portanto duas as verdades recordadas no sinal do Escapulário: por um lado, a proteção contínua da Virgem santíssima, não só ao longo do caminho da vida, mas também no momento da passagem para a plenitude da glória eterna; por outro, a consciência de que a devoção a Ela não se pode limitar a orações e obséquios em sua honra em algumas circunstâncias, mas deve constituir um “hábito”, isto é, um ponto de referência permanente do seu comportamento cristão, tecido de oração e de vida interior, mediante a prática freqüente dos Sacramentos e o exercício concreto das obras de misericórdia espiritual e corporal. Desta forma o Escapulário torna-se sinal de “aliança” e de comunhão recíproca entre Maria e os fiéis; de fato, ele traduz de maneira concreta a entrega que Jesus, na cruz, fez a João, e nele a todos nós, da sua Mãe, e o ato de confiar o seu apóstolo predileto e nós a Ela, constituída nossa Mãe espiritual.
            A Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus, assim, oferece esse sinal de aliança com Nossa Senhora aos seus visitantes (que vão às casas de formação ou de retiro). É de suma importância que haja a investidura no fiel pelo sacerdote, para que, através da oração e da benção, possa gozar dos privilégios do uso do santo escapulário. Como a investidura é no fiel, caso se quebre podemos trocar o santo escapulário por outro, pois a benção foi concedida a nós! Estaremos, então, de maneira especial sob a proteção materna da Virgem Mãe, “trabalhando na construção de um mundo mais fraterno, de justiça e de paz” [4]. Eis o sentido de portar essa armadura, à exemplo dos santos. Fujamos dos “escapulários” de diabinhos aparentemente inofensivos... Escapemos do inferno com o verdadeiro escapulário!


Notas e referências:

[1] http://www.prestservi.com.br/diaconoalfredo/santos/i/ba_isidoro_bakanja.htm

[2] http://www.basilicadocarmocampinas.org.br/origem.htm

[3] Carta do Santo Padre Papa João Paulo II por ocasião dos 750 anos de devoção ao escapulário: (1251 a 16 de julho – 2001).

[4] Da fórmula de imposição do santo escapulário





Eugênio Maria
Membro aliança nível 2, músico e compositor.






Para citar esse artigo:
Eugênio Maria - "Escapando do inferno com o verdadeiro Escapulário"
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus
http://formacaodiscipulosdamaededeus.blogspot.com/2011/07/escapando-do-inferno-com-verdadeiro.html
Online, 11/07/11

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Maria: Servidora e Apóstola do Senhor



I – Maria Santíssima e os Tempos de Hoje
Em sua obra, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria, São Luis Maria Grignion de Montfort coloca que: “... na segunda vinda de Jesus Cristo, Maria deverá ser conhecida e revelada pelo Espírito Santo, afim de que por Ela seja Jesus Cristo conhecido, amado e servido...”, e, o Santo diz, ainda, que “A salvação do mundo começou por Maria, e é por Ela que se deve consumar”. Quando faz estas colocações, São Luis quer nos despertar para a grandeza e a necessidade que todos temos de buscar conhecer e amar a Santíssima Virgem para que por Ela possamos conhecer e amar Jesus Cristo.
Alguns de nós, mesmo católicos, e, principalmente, os não católicos, duvidam da importância da Virgem Maria, e, muitas vezes, A colocam como somente a mãe de Jesus homem. Porém, a Sagrada Escritura nos mostra o contrário, como em Gênesis 3, 15 onde Deus estabelece a única inimizade e ausência de amor, “Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a Dela. Ela te esmagará a cabeça, e tu armarás ciladas ao seu calcanhar”. E o Cristo, seguindo as escrituras, nos Evangelhos mostra atribui a sua Mãe o título de MULHER, mas não uma mulher qualquer, mas a Mulher constituída por Deus desde toda a eternidade para esmagar a cabeça de satanás. E quem é esta Mulher? A Bíblia e a tradição da Igreja nos dizem claramente que esta mulher é Maria Santíssima, que foi agraciada pela Santíssima Trindade desde a sua concepção, tendo Deus Pai lhe dado toda a graça, Deus Filho lhe preservado, por seus méritos, do pecado e por Ela nos transmitido suas virtudes e méritos e Deus Espírito Santo que por Ela nos deu, além dos dons e carismas, o defensor,o paráclito, como nas leituras que tivemos após a Páscoa.
Deus não estabeleceu diversas inimizades, mas uma única e irreconciliável, entre a Mulher, Maria Santíssima, e a serpente, satanás, e entre os descendentes de uma e do outro. Mas quais os motivos de satanás querer perseguir os filhos da Virgem Maria, em especial aqueles que a Ela se entregam com amor, servidão e devoção e também os sacerdotes, os filhos prediletos que nos trazem o Cristo Jesus na Sagrada Eucaristia? Um dos motivos é porque a inveja e o orgulho de satanás são tão grandes que ele tenta lutar e não aceita ser derrotado por Aquela que se mantendo na simplicidade, na humildade e obediência, e, pelos filhos Desta, pois como quis ser um dia como Deus, jamais aceita ser derrotado pela Serva do Senhor. Outro motivo é que sabendo o demônio que não pode enfrentar Deus, busca usar de artifícios para atrair os homens, como fez com nossos primeiros pais. Contudo, ao encontrar em uma alma a Virgem Maria, ele foge e reconhece em Maria Santíssima Aquela que sendo fiel a Deus salvou das mãos do demônio os homens, dados a ele por Eva, e os entregou a Deus ao atuar na salvação dos homens, tanto que a Carta Apostólica Redemptoris Mater o Papa João Paulo II colocou a Nova Eva como a mãe do redentor e que contribuiu para a salvação dos homens.
Assim, Maria Santíssima tem um papel especial nestes últimos tempos, o de encher de santos os tronos deixados vazios pela queda de lúcifer e dos seus sequazes.
Entendendo a vontade de Deus, a Igreja nos mostra o caminho da Santíssima Virgem Maria em vários documentos, estudos e determinações gerais à Comunidade Católica do mundo.
 No Código de Direito Canônico, Cân. 1186, informa-se que para alimentar e fortificar a santificação do povo de Deus, recomenda-se especial veneração à Santíssima Virgem Maria. Vale lembrar que o Código de Direito Canônico foi promulgado pelo Papa João Paulo II, escravo da Santíssima Virgem Maria. Mas o que é um Código? É um conjunto de leis que estabelecem normas de comportamento. Ex. no Código Penal tem escrito que matar é crime com pena mínima de seis anos. Assim, a sugestão do Código Canônico é uma regra de comportamento que deve ser seguida para um comportamento correto e segundo a vontade de Deus.
Em outro documento, a Lumen Gentium, Constituição Dogmática sobre a Igreja, documento surgido no Concílio do Vaticano II, reunião de religiosos, teólogos, padres, bispos e o povo de Deus, presidida pelo Papa, a Igreja colocou um capítulo dedicado à Santíssima Virgem Maria, onde foram feitas exortações profundas a respeito da necessidade do auxílio, da proteção, da maternidade e, principalmente, do papel salvífico de Maria Santíssima o Mistério da Redenção. Além disso, o Concílio nos exorta a imitar Nossa Senhora, que nunca teve mácula, pecado ou foi vitima da concupiscência e ter na Virgem Maria como exemplo de virtudes para que vençamos o pecado e cresçamos em santidade. Por fim, a Lumem Gentium orienta os fieis a realizarem práticas de devoção para com a Santíssima Virgem Maria, mas não práticas puramente piedosas, mas as que foram recomendadas pelo magistério da Igreja através dos séculos.
O Papa Paulo VI, em exortação sobre o culto à Nova Eva, documento publicado após o Concilio, nos diz que: “A terminar esta nossa Exortação apostólica,veneráveis Irmãos, desejamos frisar ainda, em breve síntese, o valor teológico do
culto à Santíssima Virgem, e relembrar, resumidamente, a sua eficácia pastoral para a renovação dos costumes cristãos. A piedade da Igreja para com a bem-aventurada Virgem Maria é elemento intrínseco do culto cristão. Essa veneração que a Igreja tem vindo a prestar à Mãe do Senhor, em todos os lugares e em todos os tempos, desde a saudação com que Isabel a bendiz (cf. Lc 1,42-45) até as expressões de louvor e de súplica da nossa época, constitui um excelente testemunho da sua norma de oração e um convite a reavivar nas consciências a sua norma de fé. E, em contrapartida, a norma de fé da Igreja exige também que, por toda a parte, floresça com pujança a sua norma de oração pelo que se refere à Mãe de Cristo.” (grifo nosso)
Assim, a Igreja Católica quer nos mostrar com a prática de uma devoção verdadeira à Mãe de Deus, não o caminho da salvação, que é Jesus Cristo, Aquele que É, mas quer, através da prática da Verdadeira Devoção ensinada por diversos santos, mostrar que devemos ser fieis verdadeiros e nos espelhar em Maria Santíssima para buscar a verdadeira conversão e santidade em Maria, com Maria, por Maria e para Maria, tudo para a maior glória de Deus.

II – Os Apóstolos dos Últimos Tempos
São Luis ensina, ainda no primeiro capítulo do Tratado da Verdadeira Devoção, que Deus não constituiu apenas a inimizade entre a Virgem Maria e satanás, mas, também, entre a descendência da Santíssima Virgem e a da serpente. A inimizade de satanás para com os filhos da Virgem Fiel foi determinada por Deus desde toda a eternidade, pois os filhos fieis da Mãe de Deus esmagarão, juntamente com Ela, a cabeça da serpente e de seus sequazes, mas estes ferirão o calcanhar.
A mensagem de São Luis quer nos dar com o comentário do trecho do Genesis é que a Mãe das Dores é também a Mãe da Igreja, e esta Igreja é formada por um corpo místico que é a Nossa Senhora e por um corpo físico, o povo que forma a Igreja, sendo cada um de nós, e, por sermos Igreja e estarmos aqui neste mundo buscando a santidade e levando-a para nossos irmãos é que o demônio se volta contra cada um de nós, já que ele não ousa chegar perto da Virgem Maria.
E nós consagrados e consagrandos, o que temos com isso? Absolutamente tudo. Devemos tornar Maria Santíssima mais querida, conhecida e amada, mostrando a cada um que a Verdadeira Devoção à Maria é Cristocêntrica, tem Cristo como fim último, e que o caminho mais perfeito, fácil, reto e seguro de chegar a este objetivo é renovando as promessas batismais através da escravidão de amor ensinada pelo Padre de Montfort. Como faremos isso? Como prepararemos o reinado da Mãe de Deus para que venha o reino de Cristo? Todo consagrado pelo método ensinado por São Luis Maria deve ser apóstolo, mas não apenas um apóstolo de levar a palavra de Deus aos irmãos, mas defender e imprimir em cada homem e mulher o selo  e a verdadeira devoção mariana, pois, conforme o Documento de Aparecida, “Em Maria, encontramo-nos com o Cristo, com o Pai e o Espírito Santo e da mesma forma com os irmãos”.
E mais, os apóstolos de Maria Santíssima, chamados por São Luis Maria de apóstolos dos últimos tempos, além de buscarem levar a todos o conhecimento reto de Maria Santíssima, serão homens e mulheres desapegados do mundo e de suas máximas, levarão sempre a prática evangélica e, tomando as virtudes de Nossa Senhora, não temerão ao levar o conhecimento de Deus e de sua Santa Mãe a todos os povos, e, como profetizado, serão perseguidos e humilhados por Deus, mas como Jeremias e o próprio Jesus, nos ensinam, que sejamos perseguidos por levar Deus aos homens, pois mesmo que tenhamos nossos presentes de Deus, as cruzes, Maria Santíssima adoça as nossas cruzes e podemos carregá-las com mais facilidade, mérito e glória.


Para citar esse artigo:
Alexsandro de Maria - "Maria: Servidora e Apóstola do Senhor"
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus
http://formacaodiscipulosdamaededeus.blogspot.com/2011/07/maria-servidora-e-apostola-do-senhor.html
Online, 06/07/2011




Alexsandro de Maria
Membro aliança nível 3, casado e compõe o Conselho Geral da Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A Consagração Monfortina na Legião de Maria



O sólido apoio do legionário é a Virgem Maria. É necessário firmar-se em Maria Santíssima com inteira confiança. A prática fiel do espírito de dependência de Maria é o caminho real, simples e amplo da humildade, denominado por São Luís Maria, “segredo da graça, conhecido por poucos, capaz de, rapidamente e com um esforço mínimo nos esvaziar de nós mesmos, nos encher de Deus e tornar-nos perfeitos”.
Nenhum santo desempenhou papel mais importante do que este no progresso da Legião. O manual está cheio do seu espírito. As orações são um eco das suas palavras. É realmente o tutor da Legião de Maria, motivo por que a sua invocação é, por parte da Legião de Maria, quase uma obrigação moral. Com base no “Manual Legionário”, escrito a partir da leitura do “Tratado da Verdadeira Devoção a Virgem Maria” o fundador deste apostolado tão intenso e praticado por todo o mundo, recomenda a consagração pelo método de Montfort a todos quais se designarem militantes no exército da Rainha do Céu.
Em seguida Frank Duff enumera em alguns capítulos da Manual Legionário as verdades sobre a necessidade da Consagração a Virgem Maria pelo método Monfortino em sua Legião:

  1. Finalidade da Legião de Maria:
            A Legião de Maria tem como fim a glória de Deus, por meio da santificação dos seus membros, pela oração e cooperação ativa, sob a direção da autoridade eclesiástica, na obra de Maria e da Igreja: o esmagamento da cabeça da serpente e a extensão do Reino de Cristo.

  1. O Espírito da Legião:
 O espírito da Legião é o próprio espírito de Maria, de quem os legionários se esforçarão de modo particular, por adquirir suas virtudes à profunda humildade, a obediência perfeita, a doçura angélica, a aplicação contínua a oração, a mortificação universal, a pureza perfeita, a paciência heróica, a sabedoria celeste, o amor corajoso e sacrificado a Deus e, acima de tudo, a sua fé, virtude que só ela praticou no mais alto grau, jamais igualado.

  1. Oh! Se Maria fosse conhecida!
               Ao sacerdote (leigos) que luta quase desesperado num mar de indiferença religiosa, recomendamos as palavras do Pe. Faber, encontradas no prefácio de “A verdadeira Devoção a Maria” (fonte de inspiração para a Legião), da autoria de S. Luís Maria de Montfort. Ela deu Jesus Cristo ao mundo a primeira vez, e há de fazê-lo resplandecer também segunda vez.

  1. Levar Maria ao mundo
           A devoção a Maria Sstma. realiza prodígios. A nossa preocupação deve consistir em tornar fecundo, semelhante instrumento; numa palavra, deve consistir em levar Maria ao mundo. Como conseguir isto com mais eficiência, senão por uma organização de apostolado? Uma organização leiga, e, portanto ilimitada, quanto ao número dos seus membros; uma organização ativa, podendo por isto penetrar em toda parte, uma organização que ama Maria, com todas as suas forças e que se compromete a infundir esse amor em todos os corações, utilizando para isso todos os meios de ação.

  1. Os deveres dos Legionários para com Maria
                Cada legionário terá, para com Maria, uma profunda devoção, incessantemente renovada por sérias meditações e zelosas práticas. Deve considerar esta devoção como um dos deveres legionários essenciais, e, de todos, o mais importante. A legião tem o propósito de levar Maria ao mundo, porque considera este objetivo infalível de ganhar o mundo para Jesus Cristo.

  1. O Legionário deve estar intimamente unido a Virgem Maria
             Comecemos, para isso, por nos consagrar fervorosamente a Maria; renovemos freqüentemente esta consagração por meio de uma fórmula breve que a resuma, tal como: “Eu sou todo vosso, ó minha Mãe, e tudo quanto tenho vos pertence”. Que a alma ponha em prática, de maneira tão viva como contínua, o pensamento da influência constante de Maria na sua vida, que dela se possa dizer: “Assim como o corpo respira o ar, assim a alma respira Maria”. (S. Luís Maria G. de Montfort)
             Se assim proceder, o legionário encher-se-á de tal modo da imagem e do pensamento de Maria, que formará com Ela uma só alma. Perdido assim na profundidade da alma da Mãe de Deus, o legionário partilhará da sua fé, da sua humildade e da pureza de seu Coração Imaculado e, consequentemente, do seu poder de oração; e há de transformar-se, com rapidez, em Cristo, objetivo supremo da vida de todos. Quando os seus membros se tornarem assim cópias vivas de Maria, a legião pode considerar-se, de verdade, Legião de Maria, cooperadora da sua missão e certa de que com ela vai triunfar.

  1. Imitação da humildade de Maria: Raiz e Instrumento da ação Legionária
                Na escola de Maria, o legionário aprenderá que a essência da verdadeira humildade consiste em reconhecer com simplicidade, sem afetação, aquilo que realmente somos aos olhos de Deus; e sem compreender que, por nós, nada somos e nada temos. Tudo o que existe de bom em nós é puro dom de Deus.
Se a união com Maria é a condição básica, indispensável, a raiz, por assim dizer, da ação legionária, então a humildade é o solo onde esta união deve mergulhar as suas raízes. O legionário, voltando-se para Maria deve necessariamente virar as costas a si mesmo. Maria apodera-se deste movimento, eleva-o e torna-o instrumento sobrenatural de morte para o “eu”, cumprindo-se assim a severa, mas produtiva lei da vida Cristã (Jo 12,24-25).

  1. A intensidade do esforço no serviço de Maria
      O legionário deve depender unicamente de Maria que ela acrescente, purifique, aperfeiçoe sobrenaturalize a sua atividade natural, e faça com que os seus fracos esforços sejam capazes de realizar aquilo que, álias, lhe seria impossível: obras grandiosas em cuja realização, se preciso for, se hão de cumprir as palavras da Escritura: os montes serão arrancados e precipitados no mar, a terra será aplainada e os caminhos serão endireitados, para se facilitar a entrada no reino de Deus.

  1. Os legionários DEVEM praticar a Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem, segundo São Luís Maria Grignion de Montfort.
             É para desejar que a prática da devoção mariana do legionário se revista daquela característica, que São Luís Maria ensinou sob o nome de “Verdadeira Devoção” ou “Escravatura de Jesus em Maria”, e que resumiu nas suas obras “Tratado da Verdadeira Devoção” e “Segredo de Maria”.
            Esta devoção exige um contrato explícito com a Mãe de Deus, pelo qual nos entregamos inteiramente a Ela, com todos os nossos pensamentos, ações e bens, espirituais e temporais, passados, presentes e futuros, não reservando para nós nem a mínima parcela. Numa palavra, o doador coloca-se na situação idêntica à do escravo, que nada possui de seu, em total dependência e à inteira disposição de Maria.
            A verdadeira Devoção abre por um ato formal de Consagração; consiste, porém, e principalmente em viver com, por, em e para Maria Santíssima. Deve ser não um ato passageiro, mas um estado habitual da nossa alma. “Se Maria não tomar posse de toda a nossa vida e não só de alguns minutos ou de algumas horas, o valor do ato de Consagração – mesmo freqüentemente repetido – não passa de uma oração passageira. É como uma árvore plantada que não lançou raízes”.
             Assim como a vida física é regulada pela respiração ou pelo pulsar do coração, sem que disso tenhamos consciência, assim deve acontecer com a V.D.: atuar incessantemente na vida da alma, mesmo que não tenhamos consciência disto. Basta que, de tempos em tempos, recordemos os direitos de propriedade desta Boa Mãe sobre nós, por meio de pensamentos, atos e jaculatórias apropriadas; que de maneira habitual, reconheçamos a nossa inteira dependência dela, sempre vagamente presente em nosso espírito, e que, o nosso comportamento seja uma conseqüência dessa consagração, em todas as circunstâncias da nossa vida.
            Mas a hesitação em fazer a Consagração provém, na maioria das vezes, não tanto das nossas considerações puramente egoístas, como da nossa insegurança. Ao entregarmos a Mãe Amável todos os nossos tesouros espirituais Ela trata de guardá-los, purificá-los e torná-los agradáveis ao Senhor.
                Não vamos mudar a forma externa das nossas orações ordinárias, ou o curso das nossas ações de cada dia, pelo fato de nos havermos consagrado a Maria. Continuemos a empregar o tempo como antes e a rezar pelas nossas intenções habituais e particulares, sujeitos, porém a aceitação da Santíssima Virgem Maria.
                A Consagração à Virgem Maria não obscurece a renovação do trabalho legionário que acontece na solenidade de Acies, do contrário eleva-a a um grau de perfeição. Quanto mais os legionários tiverem os traços de sua Rainha desenhados em seus corações tanto mais poderão ser chamados por esse exímio nome “Legionário de Maria”.

Consagra-te!

Referências:
DUFF, Frank. Manual oficial da Legião de Maria. 1.ed. no Brasil – Concilium Legionis, Dublin – Irlanda, 1993.





Mônica Mariana
Missionária DMD, graduanda do curso de Teologia.








Para citar esse artigo:
Mônica Mariana
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus | A CONSAGRAÇÃO MONFORTINA NA LEGIÃO DE MARIA
http://formacaodiscipulosdamaededeus.blogspot.com/2011/06/consagracao-monfortina-na-legiao-de.html

 

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Virtudes de Nossa Senhora: Parte III




Mortificação Universal
 “O caminho da perfeição passa pela Cruz. Não existe santidade sem renúncia e sem combate espiritual”. (2Tm 4 apud CIC 2015)

Mortificar-se significa morrer para si, para as inclinações e tendências ao mal e tudo aquilo que vá contra ao desígnio divino, que é a caridade. O homem após a concepção do pecado, pela desobediência dos nossos primeiros herdou essa propensão ao mal e suas conseqüências. Mas o devoto da Virgem Maria é atraído à reconciliação com Deus de uma forma eminente: “A devoção à Santíssima Virgem Maria nos conduz ao aniquilamento do próprio eu”. (TVD 82).
Aniquilar significa “reduzir a nada, destruir inteiramente” (PRIBERAM, 2011). Eis o segredo de graça, encontrar nesse aniquilamento o meio de chegar à conformidade com Jesus. Para tanto é necessário conhecer-se à luz do Espírito Santo, e contemplar as grandezas inefáveis da Grande Mãe de Deus, só entrando nessa Bela Fôrma conseguiremos viver a mortificação dos sentidos e do espírito.
Viver a mortificação é desejar participar dos sofrimentos de Cristo e triunfar com Ele sobre a serpente infernal!
Como colocar em prática a vivência?
Abandonar a vida do pecado, das vaidades, dos vícios e renunciar a toda atitude que diverge daquilo que Jesus nos ensinou: “Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. (Mc 8,34)
Não há como servir a dois senhores! Decida-se pelo caminho de Cristo, apoiando-se na âncora firme, a Virgem Maria que nos firma nesse caminho Imaculado, mesmo que venham as tempestades.
Deve-se viver a mortificação para aniquilar o amor ao prazer, que ocasionalmente nos leva ao pecado, é renunciar a algo por um bem maior!
O que os santos nos ensinam a respeito da Mortificação Universal?
“Não procuramos a alegria se não em Jesus e fugimos de toda a glória que não seja aquela da cruz” (Santa Catarina de Sena)

Paciência Heróica
“Os frutos do Espírito são perfeições que o Espírito Santo forma em nós como primícias da glória eterna. A Tradição da Igreja enumera doze: “caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade”. (Gl 5, 22-23 apud CIC 1832)

A paciência antes de tudo é um fruto do Espírito Santo! Tal virtude circunda a vida do cristão, é necessário esperar para alcançar aquilo que é a vontade de Deus.
Quando olhamos para Nossa Senhora logo constatamos que a sua paciência foi extraordinária, Ela em tudo soube esperar e confiar na Providência Divina. Não seria isso a chave para viver a Paciência?
Confiar e Esperar! Palavras chaves para o nosso crescimento espiritual, contudo não significa dizer que se deva permanecer em estado inercial, esperando pela ação da mão poderosa de Deus. A decisão pela santidade é uma urgência. Ou santos ou nada!
Como colocar em prática a vivência?
Empregue-a em situações do seu cotidiano, filas de banco, trato com os filhos e cônjuges, e particularmente nas situações que somos tentados a faltar com a caridade para com o nosso próximo.
O que os santos nos ensinam a respeito da Paciência Heróica?
"Nada te amedronte. Tudo passa a paciência tudo alcança. A quem tem Deus nada falta. Só Deus basta." (Santa Teresa D´Avila)

Doçura Angélica  e Sabedoria Divina
“A sabedoria é um eflúvio do poder de Deus, emanação puríssima da glória do Todo-poderoso; por isso nada de impuro pode nela insinuar-se”. (CIC 2500)

            O sábio é aquele que “age com sensatez e prudência”. (PRIBERAM, 2011), visando nesse proceder a glória divina. A sabedoria divina deve nortear o nosso modo de falar, de viver, ser, agir e pensar. Podemos estar inseridos no mundo, mas não devemos agir como ele nos impele.
            A doçura é a chave do coração do meu próximo, através dela podemos exortar, formar e corrigir sem causar atritos ou constrangimentos na pessoa, contudo sem magoá-la, denunciar mas não ferir.

Como colocar em prática a vivência?
Pedindo ao Espírito Santo que lhe oriente e instrua no momento em que for necessário tomar alguma atitude, especialmente se a sua fé estiver em questão.
Suplicar a Ss. Senhora que nos conceda a sua docilidade no trato com os meus irmãos e sobretudo ao Espírito Santo.

O que os santos nos ensinam a respeito da Doçura Angélica e da Sabedoria?
“Seja muito radical nos princípios, mas misericordiosos na aplicação deles”. (Dom Manoel Pestana)

Referências:
IGREJA CATÓLICA. Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Loyola, 2000.
CARVALHO, César Augusto Saraiva de; CARVALHO, Mara Lúcia Figueiredo Vieira de. CONSAGRA-TE! Espiritualidade Mariana na Vida dos Santos. Natal: Mater Dei Gráfica e Editora, 2010.
MONTFORT, São Luís Maria Grignion de Montfort. Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem. Anápolis: Serviço de Animação Eucarística Mariana, 2002
PRIBERAM Dicionário da Língua Portuguesa Online. Disponível em: <http://www.priberam.pt/dlpo/Default.aspx>. Acesso em: junho de 2011

Para citar esse artigo:
Mônica Mariana - "Virtudes de Nossa Senhora: Parte III"
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus
http://formacaodiscipulosdamaededeus.blogspot.com/2011/06/virtudes-de-nossa-senhora-parte-iii.html
Online, 09/06/11






Mônica Mariana
Missionária DMD, graduanda do curso de Teologia.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Misericórdia Entranhada de Amor

Oh Jesus, nascido da Virgem Maria!
Misericórdia e Amor das entranhas de Deus para nós.
Plano de Salvação guardado desde toda eternidade no âmago do Coração do Pai, que se revela a nós tomando a nossa forma, como simples e humilde criança.
É o próprio Deus que se doa, que se entrega.
É o Filho que em favor e resgate de todos sai do íntimo do Pai e pelo Espírito é fecundado no mais Lindo Sacrário, Ventre Puro e Imaculado da Nova Eva, escolhida entre todas para gerar o Fruto da Vida que se Imola e se dá como Preciosíssimo Alimento em cada Santa Missa.
Então, como não amar? Como não querer? Como resistir a imensa Misericórdia entranhada de Amor, de um Deus que corre ao nosso encontro e que está sempre pronto a nos acolher, a nos visitar, a nos perdoar?
Como não se envolver na tamanha "loucura" desse Amor que se aniquilou de forma Sangrenta e cruenta numa Cruz para nos Salvar?
Como não Adorar? Como não se prostrar? Como não estar aos pés do Amado Deus Vivo e Eucarístico entre nós?
A Jesus, o Santo dos santos, por meio da Santíssima Virgem Maria e de São José, toda mais Sublime Adoração, Louvor, Honra e Glória por todos os séculos. Amém!




Ricardo de Maria
Membro nível 2 de Aliança da Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus, Músico, Compositor, casado e tem um filho.







Para citar esse artigo:
Ricardo de Maria - "Misericórdia Entranhada de Amor"
Online, 08/06/2011